Among Us foi um dos maiores fenômenos dos videogames nos últimos anos. Mas, para muita gente, existia um problema: a experiência dependia de reunir amigos ou encarar partidas online com desconhecidos. Durante a Summer Game Fest 2026, tivemos a oportunidade de jogar uma demonstração de Among Us: On Guard e a proposta parece justamente resolver esse obstáculo.
A nova aventura abandona o foco multiplayer e aposta em uma experiência totalmente para um jogador. Em vez de competir contra outras pessoas, o objetivo agora é investigar uma série de acontecimentos misteriosos dentro da nave e descobrir quem está por trás dos assassinatos que vêm acontecendo entre os tripulantes.
A sensação inicial lembra bastante um jogo de investigação. Conforme avançamos pelos corredores da nave, precisamos coletar pistas, conversar com personagens e analisar informações para tentar identificar o impostor responsável pelos crimes. A fórmula mantém a identidade visual e o universo já conhecidos pelos fãs, mas apresenta uma estrutura muito diferente daquela encontrada no jogo original.
Uma das decisões mais inteligentes da equipe foi preservar os famosos minigames. Para acessar determinadas áreas da nave, é necessário completar atividades inspiradas diretamente em Among Us. Passar cartões de acesso, realizar tarefas de manutenção e executar pequenos desafios continua sendo parte fundamental da progressão.




Ao mesmo tempo, On Guard coloca muito mais peso na narrativa. Durante a demonstração, ficou claro que a história possui um papel central na experiência. Os personagens conversam frequentemente, apresentam diferentes pontos de vista e ajudam a construir o mistério principal.
As reuniões de emergência, por exemplo, foram transformadas em longas sequências de diálogo. A intenção parece ser reproduzir a dinâmica que acontecia naturalmente durante partidas multiplayer, quando amigos discutiam suspeitas e tentavam convencer uns aos outros sobre quem seria o impostor.
Essa abordagem gera resultados mistos. Por um lado, os personagens acabam recebendo mais desenvolvimento e personalidade. Conforme o jogador passa mais tempo com eles, surge um interesse genuíno em descobrir o que está acontecendo e quem está mentindo.
Em vez de seguir um mapa tradicional, o jogador deve escolher direções específicas para chegar ao destino correto. A estrutura lembra bastante a Lost Woods da série Zelda, onde seguir o caminho errado faz com que você continue circulando sem chegar ao objetivo.
Durante nossa sessão, essa mecânica causou certa confusão inicial. O jogo apresenta um mapa, mas ele não explica claramente como o sistema de movimentação funciona. Curiosamente, a própria desenvolvedora presente no evento observou a dificuldade e comentou que pretende tornar essa parte mais clara na versão final do jogo.
Apesar desse tropeço pontual, a impressão geral foi bastante positiva. A demonstração terminou justamente quando a história começava a ficar mais interessante e quando os personagens passavam a ganhar mais profundidade. E isso costuma ser um excelente sinal.

Quando uma demo termina deixando vontade de continuar jogando, geralmente significa que a proposta conseguiu capturar a atenção do jogador.
Se a versão final conseguir equilibrar melhor o ritmo dos diálogos e refinar alguns elementos de navegação, Among Us: On Guard tem potencial para conquistar um público muito específico: aqueles que sentem saudade do fenômeno original, mas não possuem mais um grupo de amigos disposto a organizar partidas regularmente.
Pelo que jogamos até agora, Among Us: On Guard parece bastante promissor.
