Este lançamento exclusivo para o novo console da Nintendo entrega uma experiência encantadora
Donkey Kong Bananza é um daqueles games que recebe uma caga enorme de expectativas logo no primeiro anúncio, afinal de contas, os fãs esperavam uma nova aventura do querido gorilão já tem muito tempo… Este é um título que não é apenas mais um lançamento, mas sim a primeira grande obra-prima a chegar ao Nintendo Switch 2.
Após uma espera de onze anos por um novo jogo da série Donkey Kong e vinte e seis anos desde sua última aventura em 3D, a Nintendo entrega uma experiência que promete redefinir o que esperamos de uma “Collect-a-thon” e de um jogo de plataforma. Desenvolvido por parte da equipe de elite responsável por Super Mario Odyssey, Bananza nos convida a quebrar 90% do cenário ao redor, uma mecânica central que promete inovar e surpreender. Nossa missão aqui é detalhar se este gorilão consegue entregar a diversão e a inovação que o hype sugere, e se ele justifica o investimento em um novo console. Tudo pronto para botar pra quebrar?
Uma nova história para o Rei da Selva

Donkey Kong Bananza é, em sua essência, um jogo de plataforma 3D que se destaca por levar o conceito de “Collectathon” ao limite, onde explorar cenários abertos em busca de colecionáveis é a alma da aventura. Mas ele vai além: é o retorno do Donkey Kong como protagonista de um jogo de primeira linha desenvolvido internamente pela própria Nintendo, algo que não acontecia desde o GameCube – quatro gerações de consoles atrás.
Diferentemente dos títulos mais recentes, que foram habilmente produzidos por estúdios ocidentais como a Rare e a Retro Studios, este Bananza carrega a assinatura e a inventividade que só a equipe de Kyoto pode trazer, sendo inclusive parte do time por trás de Super Mario Odyssey. Essa mudança é crucial, pois permite à Nintendo explorar novas ideias e reinventar a franquia, mesmo mantendo a forte essência ocidental que o criador Shigeru Miyamoto imaginou para Donkey Kong desde o início.

A trama nos coloca na pele de Donkey Kong e de sua inusitada companheira, Pauline, uma jovem de 13 anos. A missão da dupla é simples, porém ambiciosa: chegar ao núcleo do planeta, onde uma lenda diz existir algo capaz de realizar desejos. DK é a força bruta, capaz de demolir quase tudo em seu caminho, enquanto Pauline serve como a parte “humana” da dupla, interagindo com outros personagens – e, um detalhe encantador, ela fala português graças a uma dublagem magistral de Isabela Guarniieri.

Sua voz também tem um poder místico, capaz de remover selos dos vilões e até mesmo despertar as chamadas “Formas Bananza” de DK. No caminho da dupla, um trio de vilões ambicioso também quer alcançar o núcleo, cabendo a você impedi-los. O jogo é feito para todas as idades, seguindo a filosofia Nintendo de ser simples de jogar, mas desafiador para ser completado na íntegra.




A Dinâmica da destruição e exploração

A jogabilidade de Donkey Kong Bananza é seu maior trunfo. A mecânica de destruir o cenário é a habilidade primária e mais satisfatória de DK. Seja socando para frente, para cima, para baixo, pulando, rolando ou até mesmo surfando em uma pedra, Donkey Kong pode remover obstáculos e cavar em busca de colecionáveis.
Essa destruição não é apenas visual; ela é o centro da exploração e da resolução de quebra-cabeças. DK também pode arrancar pedaços do chão ou de rochas e usá-los de diversas maneiras: como arma, para arremessar em inimigos, ou até mesmo jogá-los para baixo para ganhar um impulso extra no ar, permitindo um “segundo pulo” ou servindo como um skate divertido. A capacidade de encadear esses movimentos em combos fluidos é extremamente recompensadora, transformando o simples ato de controlar DK em pura diversão.

As “Formas Bananza” são como power-ups poderosos que transformam o DK, intensificando sua força, velocidade e pulos. Elas alteram os comandos e concedem novas habilidades, que podem ser ainda mais aprimoradas através dos pontos de habilidade adquiridos com os cristais de banana. Diferente de Super Mario, onde os power-ups permanecem até que você seja atingido, as Formas Bananza são ativadas ao encher um medidor de ouro e são limitadas por tempo, criando uma dinâmica diferente e mais estratégica.
O jogo é um festival de colecionáveis, que são cruciais para a progressão e para aprimorar o personagem.
- Os Cristais de Banandium (ou bananas) são o colecionável principal; a cada cinco, você ganha um ponto de habilidade para fortalecer DK. Eles também são a chave para destravar o conteúdo mais importante do pós-game.


- Os Fósseis permitem a compra de roupas para DK e Pauline, que não são apenas cosméticas, mas também melhoram atributos e oferecem vantagens distintas.


- O Ouro e as rodelas de banana servem como moeda para compras em geral, e uma quantia de ouro é descontada se você morrer, similar a Super Mario Odyssey.


- Há também tesouros aleatórios escondidos que contêm mapas para fósseis, mais bananas e ouro, ou itens úteis como balões e sucos que ajudam DK a não morrer. Esses colecionáveis estão espalhados por fases abertas, cheias de missões e segredos, criando uma sensação constante de descoberta e recompensa, remetendo à exploração de Zelda: Breath of the Wild.


A estrutura dos mundos, chamados de “camadas”, é única. Além de variarem em tamanho, algumas camadas podem ter “sub-camadas” ou andares abaixo, criando extensões temáticas e permitindo uma navegação vertical inventiva. Personagens carismáticos, as “guias”, ajudam nessa navegação e interagem de forma hilária com DK, reagindo à destruição do cenário ao seu redor.

Uma campanha expansiva e ritmo viciante

A campanha de Donkey Kong Bananza é consideravelmente mais longa que a de Super Mario Odyssey, oferecendo cerca de cinco horas a mais de conteúdo na jornada principal. Para quem se aventura direto, a campanha pode durar entre 15 e 20 horas, mas para os exploradores que buscam cada segredo e coletável, o tempo de jogo pode facilmente se estender de 20 a 50 horas, ou até mais para os 100%.
A fluidez do ritmo do jogo é um de seus grandes acertos, alternando entre camadas focadas em objetivos, áreas de pura exploração e até mesmo mistérios que se desdobram à medida que você avança. Essa variação garante que a mecânica de destruir tudo, que poderia se tornar repetitiva, nunca se torne cansativa.

Um toque de genialidade é a inclusão de fases em 2D, que servem como respiros nostálgicos inspirados diretamente na trilogia Donkey Kong Country. Essas fases, com seus barris de canhão, trilhas desafiadoras e segredos escondidos, combinam a essência clássica com as novas habilidades de destruição de DK e as vibrações dos Joy-Cons. A dificuldade nessas fases é mais “good vibes” do que os clássicos implacáveis, mas ainda oferecem aquele friozinho na barriga com os cronômetros e a busca pelo último cristal.
E, talvez o mais surpreendente, Donkey Kong Bananza é o jogo que menos exige colecionismo, haha. Você pode completar a campanha principal sem coletar uma única banana ou fóssil, ao contrário de Super Mario Odyssey, que exigia um número mínimo de luas para progredir. Essa liberdade permite que o jogador escolha seu próprio ritmo: focar na história e avançar rapidamente ou mergulhar de cabeça na exploração e na coleta. No entanto, o colecionismo é altamente recompensador, pois fortalece o personagem e destrava conteúdos cruciais para o pós-game, tornando-o mais uma “mecânica de RPG” de fortalecimento do que uma obrigação.
Onde brilha e onde tropeça

Nossa análise não estaria completa sem uma dose de opinião sobre os acertos e erros de Donkey Kong Bananza. E, francamente, os acertos dominam, ofuscando totalmente os problemas.
Um dos maiores triunfos é a capacidade do jogo de ser divertido desde o primeiro instante. Não é preciso explicar mecânicas ou contextualizar a história; basta pegar o controle, e a diversão é imediata. A forma como as transformações de DK amplificam a jogabilidade, embaladas por músicas empolgantes, é um veredito de um conceito central brilhantemente executado pela Nintendo.
Além disso, a química entre os objetos no cenário – gelo que derrete, lava que dissolve sal, materiais que se comportam de maneiras diferentes – adiciona uma camada de experimentação e imersão. Pauline, em particular, é uma das melhores companheiras que a Nintendo já criou, com diálogos puros e fofos que enriquecem a experiência e a relação com DK. O clímax da reta final do jogo é insano, com um chefe final que entrega um desafio digno e supera as expectativas de muitos títulos recentes da Nintendo.
A decisão de lançar Bananza no Nintendo Switch 2 foi acertada, pois o jogo aproveita o poder do console para entregar momentos de verdadeira “nova geração”, especialmente nas batalhas de chefes e na intensidade da destruição de cenários. É notável o polimento técnico do jogo, que apesar de tanta destruição em tempo real e efeitos de física, não apresenta bugs, crashes ou quedas massivas de frames, algo impressionante para o desenvolvimento de games.

Outros problemas pontuais incluem quedas de quadros por segundo que, embora não prejudiquem a jogabilidade, são perceptíveis em momentos de maior exigência. O marketing pode ter exagerado no aspecto musical do jogo; as novas músicas são boas, mas muitas não são tão memoráveis quanto as do legado da série, com exceção das poucas, mas excelentes, músicas vocais.
O sonar para localizar colecionáveis também é falho, não indicando bem a altura e com um volume de som baixo sem a possibilidade de ajuste individual, o que pode ser irritante. Por fim, embora os protagonistas e vilões sejam carismáticos, o design de inimigos em geral e de NPCs secundários pode ser um pouco “méh”, e os chefes, apesar de criativos, possuem uma “vibe” que curiosamente remete a Splatoon, o que pode ser estranho para alguns fãs de Donkey Kong.
A experiência em dupla e o legado

O modo multiplayer cooperativo é um dos destaques de Bananza. Ele permite que um segundo jogador controle a Pauline, enquanto DK continua no protagonismo da ação. A dinâmica é assimétrica: Pauline atua como suporte, usando ataques vocais à distância para quebrar obstáculos com precisão ou copiar materiais para causar explosões. Essa diferença de papéis funciona muito bem, criando uma sensação genuína de cooperação e tornando a aventura ainda mais acessível e caótica. Mesmo que o jogo fique ainda mais fácil com a ajuda de Pauline, a experiência é incrivelmente divertida e social. É uma pena que não haja um modo para controlar Pauline separadamente ou minigames específicos para ela, mas o multiplayer, mesmo assim, é válido.

Donkey Kong Bananza dosa muito bem a inovação com o legado da série, lembrando-se não apenas da série Country, mas de toda a história do personagem, incluindo referências a Donkey Kong 64 e o próprio Shigeru Miyamoto sendo consultado pela equipe. Para os fãs da série Country, há inúmeras homenagens que farão o coração aquecer.

A final de contas, Vale a Pena Comprar o Switch 2 pra jogar Donkey Kong Bananza?

Ao final de nossa jornada por Donkey Kong Bananza, fica a sensação de que estamos diante de um título que será marcado na história da Nintendo. A junção de uma mecânica pouco explorada – a destruição em tempo real de cenários em Voxel – com a estrutura consolidada dos jogos de plataforma 3D da Nintendo, cria uma experiência verdadeiramente única e inovadora. É um jogo que justifica a compra de um console, especialmente o Nintendo Switch 2, que permite levar essa magia para qualquer lugar.
Os pontos fortes do jogo, como sua localização em português, a expansão de um universo já amado, a criatividade e inovação na jogabilidade, a música vocal e a direção de arte, são notáveis. Embora o preço cheio no Brasil seja elevado e, infelizmente, inadequado em comparação com o valor internacional, é altamente recomendável buscar os descontos e para isso temos o Nintendo Barato, onde já conseguimos reduções significativas no preço do game. Para quem pretende aproveitar as dezenas de horas de conteúdo e é fã do estilo Nintendo de fazer jogos, o investimento, com desconto, será recompensado com uma experiência imersiva e divertida.
Donkey Kong Bananza é um jogaço, com uma direção de gameplay incrível e um polimento técnico impressionante. Ele pode ser o jogo que pavimentará o caminho para futuras inovações no gênero, e sua nota técnica final de 9 de 10 reflete sua excelência. Em termos de experiência pessoal e recomendação, ele atinge o nível S+ Supremo, a mais alta distinção. É um jogo que todo fã da Nintendo deve jogar.
Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.
