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  • [COLUNA] Opinião: A Sony Não Precisa Fazer Mais (Muitos) Jogos.

    [COLUNA] Opinião: A Sony Não Precisa Fazer Mais (Muitos) Jogos.

    Olá! Meu nome é Pedroka, redator do CoelhoNews, além de roteirista do canal Coelho no Japão. Começo me apresentando, pois, o texto a seguir é nada mais que uma opinião pessoal/individual minha e que sim, parte do polêmico princípio de que:
    A Sony, hoje, não precisa mais fazer (muitos) jogos.

    Recentemente, o mundo ficou chocado com o fechamento da Bluepoint Games. Mas honestamente, só não foi um choque maior pois, não é a primeira vez que a empresa faz isso, e talvez não seja a última.
    A Sony fechou a Japan Studios (de Gravity Rush) em 2021, a Firewalk (de Concord) em 2024, dentre outros casos como a PixelOpus (de Concrete Genie) em 2023.

    Estúdios fechados não são boa notícia. Pensamos nos funcionários demitidos, legados encerrados e franquias talvez perdidas.
    Mas fora isso, existe uma questão lógica que também acaba fazendo-nos perguntar: por quê uma empresa que precisa de exclusivos, está fechando estúdios e diminuindo seu catálogo?
    E a resposta é: porque hoje, a Sony não precisa mais de exclusivos.

    Playstation, Xbox, Nintendo e os saudosos consoles da SEGA, são plataformas de venda de jogos, e como tal, ganham dinheiro com vendas de jogos; não apenas jogos próprios, os chamados first-parties, mas também os jogos das outras produtoras, os chamados third-parties.


    Embora dados oficiais pra cada jogo não sejam revelados, estima-se que em média, 30% do valor de um jogo, fica pra dona da loja em que ele foi vendido. Ou seja, se um jogo de 60 dólares da Bandai Namco for comprado na Nintendo eShop, a Nintendo ganha 20 dólares. É uma taxa bem alta, mas padronizada e pessoalmente, não vejo muitos questionamentos sobre ela. Afinal, pra um jogo ser vendido, é preciso ter onde rodar, e as donas das plataformas são quem fazem essas máquinas capazes disso; e não só fazem as máquinas, eles as propagam pelo mundo com marketing, promoções, propostas chamativas como a de um console híbrido entre portátil e mesa como o Nintendo Switch.

    Quem faz o jogo fica com 70%, quem faz e gerencia a plataforma de venda, fica com 30%.

    Ou seja, é simples de entender que, para uma Nintendo, uma Sony, etc, é muito mais fácil ganhar dinheiro com jogos terceiros em sua loja, do que com jogos feitos pelas donas das lojas, os exclusivos first-party.


    Afinal, com exclusivos você tem todo o trabalho de fazer o jogo, fazer o marketing dele, e por fim, gerenciar seu estúdio. Já com jogos terceiros, basta criar uma boa loja, num bom console, e garantir que ele venda bem, o que não é um trabalho fácil (e por isso só temos 3 grandes marcas de console hoje) mas esse trabalho também seria necessário pra vender seu jogo first-party de qualquer jeito.


    Mas a conta é simples: 3 jogos de terceiros, vendidos na sua plataforma, dá a mesma arrecadação que 1 jogo exclusivo. Porém, o lucro é maior com os terceiros, afinal, a dona da plataforma não precisou bancar o jogo e seu estúdio. Some isso ao fato de que toda semana saem mais de 10 jogos em qualquer plataforma, já exclusivos, quando muito se lança um por mês.

    Mas se essa conta é simples…por quê fazer exclusivos?

    Exclusivos servem pra 2 propósitos, e os 2 giram em torno da concorrência:


    1- Garantir uma venda na sua plataforma. Quando sai um novo jogo third, a dona da loja não sabe se os clientes comprarão aquele jogo na sua loja, ou na concorrente. O exclusivo garante que 100% das vendas de um jogo, e logo, toda sua arrecadação, seja na sua própria loja. Uma questão de ter alguma independência financeira.


    2- Quem viveu nos anos 90 se lembra: exclusivos eram o diferencial entra uma plataforma e outra. Ora, se você tem 2 consoles, que rodam o mesmo jogo, o cliente entra num estado de “tanto faz o console”. Os exclusivos chamam a atenção do público, se tornando um diferencial “eu prefiro essa plataforma porque, só nela, eu posso jogar determinado jogo”, e com a plataforma comprada, esse cliente conquistado vai comprar todo jogo third naquele console.

    E é aqui que finalmente passamos a entender o porquê da Sony não precisar mais de exclusivos.

    A dominância da Sony entre os consoles de mesa, é absoluta. Dentre todos os 5 consoles numerados da Playstation, somente o PS3 perdeu para o Nintendo Wii e foi ameaçado pelo Xbox 360. De resto, a Sony sempre liderou o setor que, recentemente, ela tem chamado de “consoles de alto desempenho”.


    Isso fez com que o Playstation seja a primeira opção das produtoras de jogos, ao menos em termos de console. Por consequência, o console Playstation se tornou a loja mais completa: tirando exclusivos das concorrentes, a maioria dos principais jogos pra console estão num console Playstation.

    Essa dominância de vendas, e esse trunfo de ser a principal plataforma para third-parties, eliminou a necessidade 1 de exclusivos: a maioria vai comprar um jogo no Playstation porque…. é lá que se vende jogo third, o público da Nintendo tá comprando jogo da Nintendo, e o público do Xbox é muito menor que o da Sony, que não tá mais preocupada se o novo Resident Evil Requiem vai vender na sua plataforma ou nas outras.

    Já o motivo 2, de ser um diferencial, foi enterrado por suas concorrentes: a Nintendo hoje, trabalha com um modelo híbrido de consoles, e portanto, quem quer jogar em alto desempenho, escolhe o tal “console de alto desempenho”.
    Quem bate de frente, no mesmo setor, é o Xbox, a quem a Sony sempre viu como seu nêmesis. Porém, o Xbox enxergou outra realidade: em vez de brigar com Sony e Nintendo, GANHE DINHEIRO com Sony e Nintendo. Na busca por mais exclusivos, a Microsoft acumulou tantos estúdios, além de publicadoras inteiras como Bethesda e Activision/Blizzard, que passou a ser mais fácil focar em vender jogos e serviços, do que o console em si. Essa “desistência” fez a dominância da Sony sobre seu antigo nêmesis disparar em níveis estratosféricos.

    Então, a realidade é que hoje, o Playstation não precisa se preocupar com os 2 motivos pelo qual é importante ter exclusivos, logo… por quê tê-los?


    Ainda existe um princípio de relacionar a marca Playstation à grandes jogos como God of War, Horizon e Spider-Man . É importante que esses jogos sejam de extrema qualidade, que concorram nas principais premiações, enfim, que tragam prestígio para a marca. Além do mais, esses jogos pertencem à estúdios que, estão consolidados, bem geridos, e com jogos que vendem bem. Não é a fonte principal de renda, mas está lá também.

    Porém, o ponto é justamente que: se seu jogo não vai trazer prestígio para a marca, não vai concorrer nas principais premiações, não vai pontuar bem no metacritic… A Sony não precisa mais de você.


    O Xbox ainda quer jogos menos prestigiados, porque eles dão algum dinheiro, mesmo que vendendo em outras plataformas, além de alimentar seu serviço Gamepass com alguma novidade própria. A Nintendo ainda quer jogos menos prestigiados, pois, diferente da Sony, a Nintendo tem um mercado auto-centrado: “console Nintendo para jogos Nintendo”. Então por mais queKirby Air Riders não tenha dado lá muito prestígio, e teve uma venda OK, eu, o cliente Nintendo, gostei daquele jogo, ele me manteve dentro do ecossistema das franquias Nintendo, eu fiquei mais satisfeito com meu console Switch 2 porque só com ele eu pude ter essa experiência.

    O caso da Sony, hoje, é muito mais próximo da Valve, que também tem uma loja, dessa vez para PCs, a Steam. A Steam também fez com que a Valve ganhesse -MUITO mais dinheiro- com venda de jogos terceiros, do que próprios. E por isso, a Valve hoje, ainda lança jogos, mas só quando quer, quase que como um hobby de um instrumentista de uma banda famosa aposentada, que lhe sustenta com royalties, mas ele ainda lança ali uns discos instrumentais pra se divertir.

    Brincadeiras à parte, o cenário na Sony não é bom para os estúdios “não consagrados”. A Bluepoint falhou no projeto de jogo-serviço de God of War, e algumas fontes reportaram que o estúdio teria apresentado 4 projetos à Sony, e após nenhum deles ter convencido, o estúdio foi fechado. Provavelmente esses 4 projetos não eram jogos ruins (ao menos não os 4), a Bluepoint é um estúdio competente. Mas se nenhum deles tinha potencial pra ser um grande jogo, com grandes vendas, e que trouxesse prestígio à marca… a Sony não quer mais fazer o seu jogo.


    O que acontecerá com a Haven se Fairgame$ não for MUITO bem? Provavelmente “rua”. E a Bend Studio, cujo último lançamento, Day’s Gone não foi lá tão bem recebido quanto a elite Playstation?

    Provavelmente só tem mais uma chance.


    E mesmo estúdios que estão seguros possuem um problema nessa situação “masterpiece ou rua”: A Sucker Punch, após o sucesso da franquia “Ghost of” talvez não tenha a oportunidade de retornar à Infamous nunca mais, quem dirá retornar à Sly Cooper.

    E o triste de tudo isso é:


    1- Até onde vai essa peneira? A Bungie estará segura se Marathon não fizer sucesso? Se Intergalactic não for prestigiado, a Naughty Dog será obrigada a tirar Nathan Drake da aposentadoria e fazer um novo Uncharted contra sua vontade?


    2- Quantas oportunidades serão perdidas? A Guerrilla hoje cuida de uma das principais franquias da Sony, Horizon, mas esse não foi o primeiro jogo deles, anteriormente, a empresa cuidava de Killzone, que não era lá muito bem recebido. Se fosse hoje, a Guerrilla teria sido fechada após Killzone: Shadow Fall ter tido avaliações mistas e vendas medianas, e Horizon nunca teria nascido. Quantas potenciais franquias nunca verão o mundo porque seu estúdio foi fechado após 1 ou 2 jogos?

    A Sony não parece se importar, diferente dos funcionários dos estúdios que ainda não foram fechados, mas que não sabem se tem uma masterpiece em suas mãos, e portanto, certamente temem protagonizarem a próxima manchete de um estúdio fechado.

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