Durante a gamescom latam 2026, o Coelho News conversou com Gary Jensen, diretor de arte de Aether & Iron, RPG tático que vem chamando atenção pelo visual estilizado, ambientação inspirada em Nova York dos anos 1930 e combate baseado em veículos flutuantes. Em um bate-papo descontraído comigo, Gary comentou como a identidade visual do jogo surgiu, as inspirações da equipe, o peso da narrativa no desenvolvimento e até a possibilidade de versões para consoles Nintendo no futuro.
Confira a entrevista completa aqui no portal em tradução livre. Pequenos ajustes foram feitos para adaptação textual, clareza e fluidez da conversa.

Rafa: Primeiro de tudo, queria dizer que mesmo sem ter terminado o jogo ainda, já é impressionante como Aether & Iron possui uma identidade visual muito forte. A mistura de ideias funciona muito bem!
Gary Jensen: Muito obrigado. Acho que isso aconteceu porque, no começo do desenvolvimento, a equipe queria apenas fazer um jogo de combate tático. Mas, conforme o projeto evoluiu, a narrativa acabou crescendo muito mais do que imaginávamos.
O Tyler, nosso diretor narrativo, está no projeto desde o início e passou muito tempo pesquisando referências da Nova York dos anos 1930. Muitos personagens são inspirados diretamente nesse período histórico. Aos poucos, esse universo começou a ganhar vida própria e acabou roubando a cena.
O combate veio naturalmente depois disso, quase como consequência desse mundo que foi criado.
Rafa: Dá para perceber bastante isso jogando. E falando do combate, uma das coisas mais diferentes do jogo é justamente transformar carros em personagens dentro das batalhas táticas. Como surgiu essa ideia?
Gary Jensen: Tivemos várias inspirações durante o desenvolvimento. Jogos como Into the Breach ajudaram bastante nesse conceito inicial de combate com veículos.
No começo existiam muitas ideias malucas circulando pela equipe. Pensamos em vários elementos diferentes interagindo no cenário. Mas, no fim, percebemos que o grid simples com carros se movimentando era a solução mais elegante e equilibrada para casar com a narrativa.
Em projetos indie isso é muito comum: você testa dezenas de ideias até encontrar aquela que realmente funciona.
Rafa: Enquanto eu jogava, tive muito a sensação de estar participando de um RPG de mesa em miniatura. Quase como rolar dados em uma campanha.
Gary Jensen: Isso é muito legal de ouvir porque era exatamente uma das sensações que queríamos transmitir. Apesar de ser um RPG tático por turnos, queríamos que ele tivesse uma energia mais dinâmica, quase de ação.
Não queríamos aquela sensação clássica de “parar, esperar sua vez e atacar”. Tentamos fazer algo mais cinematográfico e estilizado sem perder a estratégia.
Rafa: O jogo também aposta muito em ilustrações e numa apresentação que parece uma graphic novel interativa. Essa linguagem visual foi uma decisão criativa desde o começo?
Gary Jensen: Sim, bastante. Queríamos que tudo tivesse personalidade. A equipe de arte teve liberdade para brincar muito dentro desse universo criado pela narrativa.
A ideia nunca foi fazer algo hiper-realista. Queríamos um visual marcante, estilizado e que as pessoas reconhecessem imediatamente quando olhassem para uma imagem do jogo.

Rafa: No Coelho News nós falamos bastante com jogadores de Nintendo, que costumam gostar muito dessas experiências diferentes e estilosas. Você acha que Aether & Iron conversa com esse público? Existe interesse em levar o jogo para consoles Nintendo, como Switch ou Switch 2?
Gary Jensen: Interesse existe, com certeza.
No momento, nosso foco principal é a versão de Steam, porque acabamos de lançar o jogo por lá. Mas nós pensamos em consoles, sim.
Eu sei que muita gente quer jogar no Switch. Você não foi o primeiro a comentar isso aqui no evento (risos). Então, apesar de eu não poder anunciar nada agora, posso dizer que isso está no nosso radar.
Rafa: Inclusive, jogando no Steam Deck, senti que alguns elementos da interface ficam um pouco pequenos na tela portátil. Esse tipo de feedback influencia futuras decisões pensando em outras plataformas?
Gary Jensen: Sim, definitivamente.
Nós vimos muitos comentários de jogadores de Steam Deck falando sobre isso. Honestamente, eu nem imaginava que existiam tantos usuários de Steam Deck até o lançamento (risos).
Queremos que o jogo seja uma experiência boa para todo mundo, então estamos analisando possíveis ajustes e discutindo melhorias relacionadas à interface e legibilidade.
Rafa: Muito legal escutar isso de você Gary , muito obrigado pelo seu tempo, foi um prazer ter esta conversa!
Gary Jensen: Muito obrigado! Digo o mesmo.


Aether & Iron já está disponível na steam, acesse sua página para mais detalhes e wish list
Mesmo sem anunciar oficialmente versões para consoles Nintendo, Gary Jensen deixou claro durante a conversa que o interesse do público de Switch já chegou até a equipe. E honestamente, faz sentido. Aether & Iron chama atenção justamente por fugir do padrão: mistura combate tático com uma apresentação estilizada, aposta pesado em narrativa e cria um universo que tem personalidade própria do começo ao fim
Além disso, depois de testar o jogo e ouvir mais sobre o processo de desenvolvimento, fica difícil não imaginar como essa experiência poderia funcionar muito bem em algo portátil como o Switch 2.
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