
A Capcom convidou a imprensa brasileira para um preview exclusivo de Resident Evil Requiem, próximo capítulo da icônica franquia de terror, e tivemos a oportunidade de jogar cerca de três horas do game antes do lançamento. A experiência deixou claro que este não é apenas mais um Resident Evil, mas um título que busca equilibrar legado, renovação e respeito às diferentes gerações da série.
Antes de contar minha experiência, vale destacar um ponto importante: Resident Evil Requiem também chega ao Nintendo Switch 2, algo que reforça a parceria da Capcom com a Nintendo e amplia o alcance do jogo para diferentes públicos. Para fãs da plataforma, essa é uma excelente notícia.
Uma experiência pensada para contrastes
Durante o preview, o jogo se mostrou dividido em experiências bem distintas, mas complementares. Mesmo sem entrar em detalhes específicos da estrutura narrativa, fica claro que Resident Evil Requiem aposta em ritmos diferentes de gameplay, alternando momentos mais tensos com trechos que flertam com a ação – algo que a franquia vem refinando ao longo dos últimos anos.
Em determinados momentos, a sensação remete bastante ao que vimos em Resident Evil 4 Remake, principalmente no ritmo e na forma como o jogador se movimenta pelos cenários. Ao mesmo tempo, o clima geral puxa para um terror mais clássico, lembrando o tom de Resident Evil 2 Remake, com infectados que se comportam de forma mais ameaçadora e imprevisível.
Esse equilíbrio funciona melhor na prática do que pode parecer no papel. O jogo constantemente faz o jogador se sentir vulnerável, mesmo quando oferece ferramentas para lidar com os perigos à frente.
Peso, tempo e consequência

Um dos pontos mais interessantes que eu percebi logo nas primeiras horas é como Resident Evil Requiem trabalha a sensação de experiência e físico dos personagens. Aqui, tudo parece mais calculado. As ações exigem mais atenção, o posicionamento importa e cada encontro vem com uma sensação real de risco.
Ainda existe espaço para momentos mais intensos e com ação, mas eles são apresentados de forma mais contida. O jogo passa a impressão de que algo de ruim pode acontecer a qualquer momento, o que contribui bastante para a imersão e para a tensão constante.
Essa abordagem ajuda a diferenciar Requiem de outros capítulos mais focados em ação, reforçando a identidade de survival horror que muitos fãs sentiam falta. (se você não gostou de Resident Evil 6, não precisa se preocupar haha)
O retorno ao terror como prioridade

Em outros trechos do preview, Resident Evil Requiem abraça completamente o terror. A sensação é de estar sempre em desvantagem: o ambiente é opressor, os recursos são limitados e a ameaça nunca parece totalmente controlável.
Esses momentos representam o “puro suco” do survival horror. A tensão não vem apenas dos inimigos, mas da ambientação, do design sonoro e da incerteza do que pode acontecer a seguir. É um tipo de experiência que exige calma, atenção e, principalmente, nervos no lugar.
Mesmo sem se aprofundar em sistemas ou mecânicas específicas, dá para afirmar que o jogo sabe como provocar desconforto e manter o jogador constantemente alerta — algo essencial para a proposta da franquia.
Novas ideias, mesma identidade

Resident Evil Requiem também apresenta novas ideias de jogabilidade, que renovam a forma como o jogador interage com o mundo e com os recursos disponíveis. Essas novidades não quebram a identidade da série, mas ajudam a modernizar a experiência e a criar situações inéditas durante a exploração.
A sensação geral é de evolução natural: o jogo respeita tudo o que a franquia construiu ao longo de quase três décadas, mas não tem medo de experimentar e ajustar suas fórmulas.
Novas formas de mutação do T-vírus
Durante um evento digital promovido pela Capcom, o diretor Koshi Nakanishi comentou um dos conceitos mais curiosos por trás dos infectados em Resident Evil Requiem. Segundo ele, alguns inimigos mantêm hábitos de quando ainda eram humanos.
“Por exemplo, se há um zelador no prédio, mesmo como zumbi ele continua a limpar as instalações de forma cuidadosa. Há vários zumbis como esse, que se agarram aos hábitos de suas vidas passadas. Observando suas ações meticulosamente, você consegue derrubá-los ou desviar deles, adicionando mais à gameplay”, explicou o diretor.

Essa ideia adiciona personalidade aos inimigos e contribui para o clima perturbador do jogo, fazendo com que cada encontro seja mais imprevisível.
Um jogo para novos jogadores e veteranos
No fim das contas, Resident Evil Requiem se mostra um título que funciona muito bem em duas frentes. Por um lado, ele é acessível o suficiente para novos jogadores, servindo como uma excelente porta de entrada para quem não acompanhou todos os capítulos anteriores. Por outro, é claramente um jogo pensado para fãs de longa data, repleto de escolhas que dialogam com a história e a identidade da série.




Sendo o nono jogo principal da franquia, Requiem chega em um momento simbólico: Resident Evil completa 30 anos em 2026. Desde o lançamento do primeiro título, em março de 1996 no Japão, a série passou por diversas transformações – e tudo indica que este novo capítulo entende muito bem esse legado.
Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas nas primeiras horas eu já posso dizer que, Resident Evil Requiem tem tudo para ser um dos capítulos mais interessantes e equilibrados da franquia. Um jogo que respeita o passado, olha para o futuro e sabe exatamente como provocar medo no jogador.
Agradecimento especial a Capcom Brasil pelo convite ao evento, foi incrível fazer parte deste momento!












