Num período onde tanto se fala sobre preços altos e conteúdos cada vez mais cortados por DLCs, Pocket Bravery traz uma experiência retrô de fighting games com tudo que pedimos: personagens secretos desbloqueados in-game, online liso com rollback netcode, suporte da desenvolvedora, modo história e diversos outros conteúdos singleplayer e um sistema de combate profundo e competitivo pra que cada personagem renda ao jogador um longo tempo de masterização. Tudo isso por um preço acessível de 60 reais.
Embora nem tudo sejam flores, e vamos falar dos espinhos também, o primeiro jogo 100% brasileiro a concorrer ao The Game Awards se encaixa bem demais no Nintendo Switch, já que aqui, temos um Pocket Game num Pocket Console.
Contexto
Pocket Bravery é, como o nome diz, um jogo baseado em personagens chibi, como os jogos da SNK pra Neo Geo Pocket, porém, assim como os jogos da SNK, traz um sistema de combate extremamente profundo, com técnicas avançadas, recursos limitados que exigem estratégia para gastar e vastas possibilidades de combo pra cada personagem.
Diversas outras características dos jogos clássicos estão presentes aqui, como personagens pra desbloquear jogando e um modo arcade desafiador (embora tenham opções de dificuldade, mas, o modo normal não parece o fácil como diversos outros jogos de luta atuais).
Entretanto, Pocket Bravery não usa o retrô como desculpa para ser limitado, e, sabendo que está sendo lançado em 2025 no Nintendo Switch, ele também acompanha modernidades desafiadoras de se implementar para um time pequeno, mas que com bravura eles incluíram no jogo (bravura, bravery, ah-ah, pegaram? rs). Estamos falando de um modo online com o rollback netcode que é o melhor netcode atual para partidas mais fluídas, além de um satisfatório conteúdo singleplayer para os que não querem se aventurar online (entenda como “levar uma surra” haha) ou simplesmente ter algo fora do online pra dar uma variada.
Então, é essa junção do retrô com o moderno que deu destaque pra ele não só o Brasil, mas no mundo todo.
Porém, além disso, existem coisas que o Pocket Bravery quer fazer bem pra se destacar no mercado. A primeira delas é caprichar no pixel art em termos de movimentação. Os golpes do jogo são simplesmente impressionantes em termos de fluência e isso não veio à toa, o Pocket Bravery chegou até a bater um recorde de jogo com mais quadros desenhados por personagem (algo do tipo, e principalmente nos ataques finais, deu pra ver que eles foram muito ambiciosos na animação.
Além disso, o outro ponto forte é o enredo, não só pelo seu modo história, mas a construção do universo em si, pois a sua história envolve relacionar pessoas de países diferentes, cada qual trabalhando pra uma organização, ou com um tipo de enredo próprio, e nisso, existe uma grande construção de sociedade, já pensando no futuro mesmo, pois todo personagem novo de DLCs ou dos futuros jogos tem uma base para aparecer na franquia, além do estúdio Statera já estar trabalhando em spin-offs totalmente diferentes mas que se passam no mesmo universo, como o Arashi Gaiden, que sai em breve pro Switch também. Então, se você gosta de lore, de conhecer um universo, relacionar quem é amigo de quem e que trabalhou com quem e ficou rival eterno de quem… você vai encontrar isso aqui.
E por último, o Pocket Bravery tem uma identidade marcante pra nós, brasileiros, por ser um jogo nacional. Mais do que ficar feliz por um jogo daqui, o jogo traz uma ÓTIMA dublagem PT-BR, onde aqueles golpes com nome como “shoryuken”, agora estão em pt-br.
Além de vermos representações BRs no jogo que tornam ele simplesmente diferente, como os personagens focados em jiu-jitsu, e mesmo a trilha sonora tendo ritmos BRs, sendo um destaque o tema do vilão Hector que é um rock funk carioca eletrônico, e que ficou muito bom, porque… tema de vilão é meio que sempre um padrão, e aí, de repente… uma coisa nova!
Altos e Baixos
Agora, falando dos pontos altos e baixos, começando pela parte boa:
-Dificilmente você não encontra um personagem pra você. O elenco não é gigante, são 13 personagens no jogo base, 4 por DLC num preço super amigável de 27 reais (27 pelos 4, não por cada um) e no futuro teremos ainda uma segunda temporada com mais 4, totalizando 21. Mas mesmo dentre os 13, já são personagens bem diferentes e que cobrem diversos estilos de gameplay. Mesmo o protagonista Nuno, ele consegue se manter um bom “básico” como é todo protagonista, mas se distanciar do Ryu, Terry e outros, por exemplo, ele não tem um projétil, um hadouken.
-O modo história é MUITO legal em termos de direção. Ele mescla tutoriais, inimigos fora do elenco criados só pra história, e o enredo dele, mesmo tendo uma pitada de sobrenatural e anime shounen (afinal, as pessoas tem poderes, né?), é uma história mais pé no chão, são enredos individuais mais críveis, mais reais…se você tem achado que Mortal Kombat tem viajado além da conta ultimamente.. joga essa história aqui haha ela tem problemas mas eu falarei sobre quando chegar nos contras.
-E se você é do competitivo, saiba que o modo online é um dos melhores do console, ao menos nos nossos testes (brasileiro com brasileiro) foi uma qualidade de conexão online absurda, inclusive, as imagens que vocês estão vendo de fundo, são de partidas online.
-Tem muitos extras que fazem a diferença. É muito chato quando um jogo de luta tem modo arcade e só…o Pocket não apenas tem história, mas, por exemplo, tem um modo Rodoviária, que remete aos arcades piratas de Street fighter, e nesse modo, os personagens ganham ataques muito mais apelões, e é só uma brincadeira bem-vinda, sabem? Tem um modo meio Flappy Bird, bem simples mas agrega. Smash Brós faz muito isso, né? Modos de jogo simples só pra você ter o que brincar além do conteúdo principal.
-Além disso, as skins compradas IN-GAME mesmo, com dinheiro do jogo, são um show, elas fazem homenagens à outros jogos e séries famosas, então, só comprar as suas skins favoritas já é um processo divertido.
-E claro, o fator custo/benefício. Estamos falando de um jogo que no lançamento custa 60 reais, isso ajuda MUITO, até porque não é um jogo pra se jogar por 5 horinhas e largar. Mesmo somando a DLC de 27, é um conteúdo completo por menos de 90 reais.
Porém, agora, é hora de falar dos pontos negativos do jogo:
-A dificuldade da CPU é…estranha… não é que ela é média em inteligência, ela ataca menos e foge mais, porém, quando ataca, desfere combos devastadores. Isso é um problema no começo do jogo, quando ainda estamos aprendendo a jogar, e especialmente no modo sobrevivência que, mesmo no início, um erro pode te custar a derrota; e no modo história, que é o modo onde os iniciantes vão aprender a jogar e por isso, as primeiras batalhas acabaram ficando muito mais difícil que as últimas.
Com o tempo, tem vários comportamentos de CPU que você acaba aprendendo a lidar, então, ela não é tão inteligente.Não é um jogo tão difícil de entrar quanto um jogo retrô, na real, é só um aviso que quando você começar a jogar, vai ter um pouco de dificuldade, mas passa rápido.
-Por incrível que pareça, a forma de ganhar dinheiro no jogo é um problema, não por ser escasso, mas pelo contrário… é muito rápido pra ganhar dinheiro suficiente pra comprar tudo no jogo, personagens, cenário, skins, etc.
-Por fim, um defeito compreensível por ser um jogo indie com pouco orçamento, é que, a dublagem é TÃO BOA, que no modo história ela faz falta… você ter aquelas vozes vibrantes nas lutas e aí na história ficar só lendo texto…a gente entende, é caro, mas, é algo a se pontuar, nem que seja como desejo para futuros jogos do universo Bravery.
Agora, uma característica que é bom pontuar, seja por você gostar ou odiar, é que o Pocket tem muito mais técnicas ofensivas do que defensivas, a pressão no canto da tela desse jogo é alta e você não tem muitos recursos pra sair. Novamente, isso tá vindo depois dos prós e contras, porque não é nem um pró nem um contra, é uma característica opinativa que achamos bom pontuar.
Conclusão
Pocket Bravery é um ótimo jogo de luta, que sinceramente, casa demais com o Switch pela portabilidade, em termos do visual pocket casar com o tela pequena na palma da sua mão.
Sua mistura de retrô com moderno, a qualidade de animação e lore do universo e seus personagens, deixam o jogo muito carismático e atraente para qualquer fã de jogos de luta.
Por tudo que ele oferece, pela qualidade do que ele oferece e o preço que ele é oferecido, sem dúvidas esse é um jogo que todos os jogadores de fighting games no Switch devem dar uma olhada.






















