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  • Análise: Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage É o Jogo de Luta Mais Honesto Já Feito.

    Análise: Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage É o Jogo de Luta Mais Honesto Já Feito.

    Virtua Fighter 5 está completando 20 anos, e de lá pra cá, o jogo teve diversas novas versões, sendo quase que outro hoje em dia, e principalmente considerando essa nova versão “World Stage”, um sub-título que dá nome ao novo modo singleplayer do jogo.
    Após mais de 20 horas de jogo, a única conclusão possível é que: esse é o jogo de luta mais honesto já feito. Mas em que sentido?

    World Stage: Gigantesco, mas Difícil.

    Jogos de luta, geralmente, possuem um foco competitivo (e esse não é diferente), mas já faz algum tempo que franquias como Mortal Kombat, e mesmo Smash Brós tem apontado pra necessidade de se criar conteúdo singleplayer offline pra que mais pessoas aproveitem o game, mesmo que eles não se tornem competidores após terminarem esse conteúdo. 

    Mas o Virtua Fighter 5 World Stage não assinou esse contrato.

    O modo é basicamente um “simulador de  partidas ranqueadas”, usando, inclusive, CPUs baseadas em jogadores reais: seus nicks, personagens e skins preferidas. Toda a estrutura é feita pra fazer você se sentir jogando online, quando não está.
    Sendo assim, não existe enredo algum, apenas rankings, de nível 1 até o 46, com adversários separados por “cabines”, como se fossem estádios [a imagem acima], e o ciclo é: vence x inimigos, sobe uns 5 a 10 níveis, enfrenta e vence um chefe, libera a próxima cabine com inimigos mais difíceis.
    Cada cabine conta com mais de 100 opções de CPUs em média (desses baseados em jogadores reais) então nunca se sabe o que vem pela frente, e a cada cabine, dá pra notar uma dificuldade realmente progressiva, do muito fácil até o muito difícil. São 7 cabines até chegar no torneio final, onde temos que vencer 4 lutas seguidas. Mesmo após o fim, ainda vale a pena voltar e limpar as cabines com as opções de adversários restantes, porque existem dezenas de missões que liberam itens de customização de personagens, então, é coisa pra mais de 30, 40 horas fácil.

    O lado ruim é com certeza a demora pra subir de nível e por consequência, de cabine. Foram necessárias 401 vitórias, contra 124 derrotas pra se terminar o modo! Fora algumas dezenas de partidas interrompidas por desistência no fim do jogo, onde alguns NPCs eram extremamente fortes e aí você pode trocar o adversário, já que tem mais de 100 opções.
    Ou seja, mais de 500 lutas pra terminar o modo, então, dessas mais de 20 horas, 90% foram nesse modo, ou no treino, aprendendo mais sobre o combate do jogo pra se preparar pra uma nova cabine com adversários mais fortes.
    E detalhe, o final é um torneio de nível altíssimo, onde você precisa vencer 4 seguidas; e não tem facilitador, ou você vence na raça, ou não zera o modo. Diferente da tendência atual, onde o jogo quer que você o termine, te dá ferramentas, às vezes facilitadores, esse modo não, só tem normal ou difícil, e ou você derrota ele e mostra que dominou o jogo, ou ele não te entrega os créditos.

    E agora sim voltamos ao tema “o jogo de luta mais honesto que existe”. Esse lado ruim faz parecer que o modo é uma grande enrolação (e de fato, o sistema de nível poderia sim ser um pouco mais rápido). Mas diferente de outros jogos de luta, que incluem campanhas curtas de 5 horas e ao final te dizem “parabéns, você terminou o jogo”, Virtua Fighter 5 World Stage só te entrega esses créditos, essa “faixa preta”, quando você REALMENTE dominou o jogo! Isso porque ser bom num jogo de luta, não é só sobre aprender a controlar seu personagem, mas igualmente (ou até mais) sobre saber lidar contra todos os outros personagens. E é por isso que esse modo é tão extenso: ao fim dele, você já entende como lidar com cada adversário na sua versão mais difícil, e só assim vai conseguir superar a última cabine e torneio final. 

    É muito comum em jogos de luta, você terminar a campanha, pensar “agora já estou entendendo o jogo, já faço uns combos, vou pro online” e quando chega lá…só derrota…E esse modo não, ele só termina quando você tá realmente pronto pra começar sua jornada competitiva online, sabendo lidar minimamente contra os 19 personagens do jogo. 

    Jogabilidade:

    Imagem em movimento, capturada direto do Switch 2

    O número de 19 personagens parece pouco, só que o Virtua Fighter é MUITO amplo em termos de golpes, o que é admirável, porque o jogo só tem 3 botões de ação: defesa, soco e chute. Ele não tem magia (no sentido sobrenatural mesmo), ou “barra de super”, nada disso… apenas “porradaria franca”, arte-marcial pura mesmo. Ainda assim, cada personagem, usando os um dos 3 botões, ou uma combinação dos 3, somado às todas as direções possíveis do analógico/direcional, dão pra cada personagem mais de 50 opções de golpes!

    E Virtua Fighter não é um jogo estilo Tekken, onde “levou um golpe, pode soltar o controle que vem chuva de combo”; nesse sentido, ele está mais próximo de um Street Fighter, com combos altos situacionais, mas em geral, você não emenda tantos golpes assim. Esses 50 golpes são realmente opções pro jogador criar seu estilo, além de surpreender com um golpe novo, uma tática nova. E é por isso que o modo World Stage precisa de tantas lutas, pra saber lidar com tantos personagens.

    Customização e skins:

    Outro ponto forte do jogo, sem dúvidas é a customização dos personagens, além das skins temáticas vendidas como DLC.
    Cada personagem tem, de base, 5 opções de visuais, e ao escolher um, podemos mudar desde a cor, roupa e até cabelo. São muitas opções, principalmente após os itens do World Stage.

    Sarah em seu visual padrão vs. o mesmo padrão customizado.

    Outros visuais únicos (inclusos na edição “30º Aniversário”) incluem: -Skins retrôs:

    -Colaboração com Yakuza:

    -E como esperado, trajes de banho:

    Também existe uma DLC de colaboração com Tekken:

    Desempenho no Switch 2:

    Em termos de desempenho, o jogo é satisfatório no que mais importa que é performance, com 60 quadros por segundo totalmente estáveis.
    Mas desagrada um pouco nos visuais….

    Por mais que se trate de um jogo de 20 anos, esta não é a primeira, nem a segunda revisão e nova versão do título; e o Switch 2 certamente poderia entregar visuais melhores.
    A definição nos cenários tem pontos altos e baixos, algumas expressões faciais estão datadas e principalmente o modo portátil está numa resolução abaixo do que poderia.

    Nada disso atrapalha as partidas, mas nesse quesito, infelizmente, o jogo fica devendo.

    Considerações Finais e Conclusão:

    Fora do já comentado, o jogo entrega o básico:
    -Modo Arcade com 5 dificuldades.
    -Online dividido entre Partidas Ranqueada e Criação de Sala. Também existem Torneios no fim de semana. O netcode pro online é o rollback, e o jogo suporta crossplay, então, partidas entre jogadores próximos, ou com boa conexão são extremamente fluídas; mas uma má conexão faz personagens “voltarem no tempo”.
    -Modo Treino muito completo, desde um tutorial pra cada personagem, com golpes e dicas sobre o quê um personagem tem de especial.

    Resumindo e reforçando, Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage é o jogo de luta mais honesto que existe. Ele é competitivo e mesmo que você não queira jogar online, se você quer conteúdo offline e singleplayer, você até terá, mas será através de uma jornada tão árdua quanto suas primeiras 20 horas num modo online, embora o modo World Stage seja melhor pra começar por ter uma dificuldade progressiva real.

    Virtua Fighter 5 R.E.V.O. World Stage tem a oferecer: lutas, mais lutas, um modo arcade básico, mais lutas, um modo bom de personalização de personagens, lutas, mais lutas e mais lutas.
    Se você busca um jogo de luta, mesmo que não seja pra competir, mas pra dominar um amplo sistema de combate, que até começa simples por ter poucos botões, mas se torna extremamente rico conforme melhora, esse jogo é pra você. Se você busca enredo, cinemáticas, minigames durante a campanha pra descontrair, etc… esse não é um jogo pra você.