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  • Estamos Jogando: “to a T” é mais curioso do que bom

    Estamos Jogando: “to a T” é mais curioso do que bom

    O jogo “to a T” é difícil de entender até colocar as mãos. Numa histórica parceria entre a gigante publicadora indie Annapurna, o criador de Katamari Damacy Keita Takahashi, e a AbleGamers que é uma empresa focada em acessibilidade, “to a T” traz um carismático personagem, com um pedaço de humor japonês e uma temática original.
    Mas foi o suficiente?

    Sobre O Jogo

    O protagonista é um avatar customizável e que por padrão, se chama apenas “jovem”. Ele tem uma condição única que é permanecer pra sempre no formato de T, ou seja, braços esticados para o lado.
    A ideia é bem simples: acompanhar o rapaz que acabou de fazer 13 anos em sua rotina. Mais do que um “simulador de vida”, o jogo se parece um “slice of life”, um gênero comum aos animes, e que retratam rotinas em vez de tramas complexas.
    Isso porque, é óbvio que vai existir uma influência japonesa vindo do criador de um dos jogos mais nipônicos já feitos, que é o Katamari Damacy. Mas não apenas isso, o jogo em vários momentos se parece com esse tipo de anime, o que inclui uma música tema que é repetida conforme avançamos.

    O jogo vai trazer ainda alguns poderes que o protagonista acaba adquirindo por aproveitar seu formato, numa ideia de “você é único de um jeito bom”. O jogo não fica o tempo todo falando da condição do jovem como algo ruim, mas ela também não é ignorada pelos seus colegas de escola, e é claro, alguns momentos de gameplay são sobre coisas rotineiras que ganham uma dificuldade extra pela condição peculiar.
    É uma mistura interessante entre “gameplay maluca de jogo japonês”, e “jogo de conscientização ocidental”.

    Dito isso, “to a T” entrega uma experiência OK, mas apenas OK, olhando para seu gameplay. O que segura o jogador é o carisma do protagonista e os momentos engraçados típicos do Japão. A exploração é rasa, e os momentos de gameplay não são muito interessantes, poderiam ser mais desenvolvidos.

    Rodando no Switch 2

    E aí, falando de performance, vem a segundam á notícia: o jogo não roda bem.
    A fluidez deixa muito a desejar, com mini-travamentos o tempo todo, e os visuais não são nada demais, o que torna a falta de fluidez ainda pior.

    É uma situação que lembra muito alguns casos com o primeiro Nintendo Switch, onde uma versão só poderia ser recomendada se for a única opção da pessoa, ou, caso ela priorize MUITO o portátil e lide bem com problemas técnicos.
    Mas após um ano com tantas ótimas versões em jogos complexos pro Switch 2, ver um “slice of life” cartoon deixar a desejar fica feio.

    Conclusão Inicial

    Certamente, “to a T” vai valer a pena quando direcionado à pessoa certa, afinal, o que ele tem de bom é raro, mesmo num mercado com tantos jogos. Seu carisma é indiscutível e se de fato o jogo fosse um anime, seria bom de assistir.
    Entretanto, o trabalho simplório na gameplay nicha o jogo para essas poucas pessoas.

    É um jogo OK, que se mostra mais uma curiosidade a ser sanada, que um bom jogo a ser jogado.

  • Estamos Jogando: Wanderstop é mais que jogo relaxante, é sobre importância de relaxar.

    Estamos Jogando: Wanderstop é mais que jogo relaxante, é sobre importância de relaxar.

    Wanderstop é um caso curioso dentro dos chamados “cozy-games”, os jogos relaxantes e em muitos casos, como este, apelidado de “jogo de fazendinha”. Apoiado no nome de seu criador, Davey Wreden, que ganhou fama com o genial The Stanley Parable, Wanderstop foi concebido como uma pausa nos jogos mentalmente complexos, pra criar um jogo relaxante; mas é claro que ao fim, ele se tornaria mais complexo do que isso.

    Lançado em março de 2025, o jogo chega pouco mais de um ano para o Switch (1) e Switch 2, o que é completamente justo, já que consoles da Nintendo se tornaram o lar dos tais “cozy-games”.
    E de fato, embora todos os principais nomes do gênero, hoje, estejam na Nintendo, como Pokémon Pokopia, Animal Crossing, Hello Kitty Island Aventure e Palia; Wanderstop é do tipo que não poderia faltar, porque o que ele traz, nenhum outro desses apresenta.

    Sobre o Jogo (Verdadeiramente)

    Após entrar pra história dos indie games, é claro que o Davey ficou exausto. A ideia de criar um cozy-game então surgiu, porém, criar um jogo relaxante não é necessariamente uma tarefa relaxante, e logo, Wanderstop se tornou uma quase reflexão jogável.

    Alta é uma lutadora de elite que acaba indo parar numa casa de chá, o que pra ela não faz o menor sentido, não só porque tomar chá não traz técnica em combate, como o ambiente dessa “casa de chá” é feito pra se relaxar, e não criar uma cadeia de produção como num Overcooked da vida.
    Por motivos de spoilers, é melhor o jogador descobrir por si só o motivo, mas Alta acaba ficando naquele lugar ajudando Boro a fazer os chás.

    Mecanicamente falando, em aspectos técnicos, Wanderstop é o que se espera de um cozy-game: você planta, colhe, faz chás, varre o espaço, etc.
    O jogo também é, claro, sobre servir clientes, o que inclui não apenas o processo de fazer o chá, mas ouvir suas histórias.

    Mas o real ponto do jogo é que ele é mais do que isso. Ao longo da jornada, Alta vai entendendo o que Davey quer que você entenda: a importância de relaxar e fazer um chá; e a gameplay é meramente a ferramenta para dar luz à esse conselho, a forma de colocar isso em prática. Pura arte.

    Geralmente, “jogos de fazendinha” são sobre personagens que tem o sonho de morar numa ilha, que herdaram a fazenda do seu avô, uma pessoa disposta a ajudar a reconstruir uma ilha. Wanderstop e sua protagonista Alta se diferem nisso: ela não quer começar essa jornada, ela não tem o sonho de cuidar de uma casa de chá… mas esse destino a encontrou por necessidade.

    Talvez o cozy-game mais próximo de Wanderstop seja, na verdade, Spiritfarer. Os dois querem entregar uma divertida gameplay, te colocar um lugar que se tornará seu lar enquanto a jornada durar; mas mais do que isso, eles querem passar uma mensagem, e a de Wanderstop é com certeza mais fácil de se identificar, principalmente quando se é um adulto.

    Rodando no Switch 2

    Wanderstop roda de modo “suficiente” no Switch 2. Ainda distante de outras versões, ainda com algumas texturas de baixa resolução, e muito abaixo do que o console pode oferecer. Mas não deixa de entregar uma versão perfeitamente jogável com nada além de pequenos incômodos.

    Infelizmente o estúdio responsável pelo jogo, a Ivy Road, foi fechado em março de 2026, então, provavelmente partiu da própria publicadora, Devolver Digital, trazer o jogo pro Switch 2, mas não com tanta dedicação, até porque, infelizmente o jogo não teve um grande alcance.

    Conclusão Inicial

    Wanderstop é certamente recomendável para o público dos cozy-games; mas não apenas eles. Jogadores interessados numa narrativa envolvente, com personagens bem escritos e uma mensagem importante, também não podem deixar o jogo passar.

    Talvez o que atrapalhe é que o jogo fica num meio termo perigoso: ele não é nem um jogo narrativo com pouca gameplay, nem um jogo super arcade com uma história de pano de fundo. Talvez, quem só queria um jogo de repetir tarefas durante 200 horas, não vai curtir uma jornada sucinta de 10 a 15 horas, com começo meio e fim; e talvez aqueles que se interessaram na parte narrativa também não vão gostar de controlar Alta enquanto ela faz chás e varre seu quintal.
    O que é uma pena, pois alguns jogos se expressam como arte através da gameplay, e outros através da narrativa;Wanderstop não só faz os 2, mas como um é o exato complemento do outro, e é por isso que não existe cozy-game como este aqui.