Resident Evil Requiem, o nono jogo principal da franquia, é talvez o primeiro grande jogo da indústria a chegar ao mesmo tempo pro Nintendo Switch 2 e demais plataformas de nova geração, e por isso, a expectativa é imensa. A aventura compartilhada entre Grace e Leon, representando respectivamente o lado survival horror e ação da franquia, chamou a atenção e hoje podemos dizer que ela deu MUITO certo. Não só isso, o jogo entregou um port impressionante no Nintendo Switch 2, embora tenha alguns problemas sim que temos que pontuar.
E por fim, qual o tema central DE VERDADE desse jogo? Por quê chamar Requiem? Essa proposta é bem interessante, mas mesmo ela também pode irritar alguns jogadores, então, se quer saber se esse jogo é ou não pra você, confira nossa análise para Resident Evil Requiem.
Contexto
Requiem é o “Resident Evil 9”, mas seguindo a tendência de não colocar mais o número, talvez por acreditarem que isso atrapalha a introdução de novos jogadores que não jogaram os anteriores.
Dito isso, apesar de você pode jogar Requiem como seu primeiro Resident Evil, ele é, vamos assim dizer, mais aproveitado por quem jogou a quadrilogia inicial, já que o jogo tem diversos retornos à sua origem em gameplay e história, e essas referências são melhores aproveitadas pelos fãs. Quem começar por esse vai entender a história do começo ao fim e aproveitar a gameplay, só não vai pegar as referências e talvez queira pesquisar algum termo de organização ou nome, esse tipo de coisa.
O jogo é realmente uma pizza meio-a-meio. Temos 2 protagonistas, a nova personagem Grace, e o veterano Leon, e os 2 começam com sua própria jornada, que claro, uma hora acaba se cruzando.
Grace está sendo perseguida e descobre que tem algo nela que os vilões querem, um segredo que sua mãe conhecia mas não pôde explicar à ela. Nossa missão é sobreviver, pois Grace é, entre aspas “apenas uma analista do FBI” então ela tem um treinamento mínimo, mas é novata e não é soldada ou policial; e claro, entender esse mistério em torno da pessoa dela, qual o papel da Grace nesse universo tão rico de Resident Evil.
Leon também já começa com um problema, ele está com um tipo estranho de infecção degenerativa, que pode estar ligado às suas aventuras passadas, e pessoas sobreviventes da catástrofe de Raccon City, como ele, estão morrendo (não se sabe se pela infecção ou não). Nosso objetivo com ele é entender essa infecção, e claro, buscar uma solução antes que seja tarde.
Como Funciona
A diferença entre os 2 também reflete na gameplay:
–Grace é uma jovem novata, ela traz o clássico survival horror, onde temos que evitar combate, ela não tem ataques corpo a corpo (no máximo um empurrão), a munição, cura, enfim, recursos com ela são escassos, e o jogo recomenda a câmera em primeira pessoa até pra aumentar o terror (e realmente aumenta), dito isso, a câmera em terceira pessoa também é boa pra auxiliar no stealth (avançar escondida).
–Leon é um combatente experiente, ele tem um machado para aparar ataques inimigos, matar zumbis desprevenidos infinitamente, e pode fazer execuções com golpes corpo a corpo, que estão BEM brutais. Com ele, munição e armas especiais são muito mais frequentes, então, a parte dele é “tiro, porrada e bomba”. EMBORA, um aviso, ele NÃO É esse “rambo” todo que os trailers fazem parecer. O Leon fica em vantagem mais pelos recursos mesmo, a munição é muito mais presente, ele tem armas melhores, ele tem o machado, então, fisicamente, a única diferença é que ele consegue finalizar no corpo a corpo inimigos atordoados, mas vocês ainda precisa atordoar eles.
O level design, as fases com a Grace, remetem bem aos primeiros jogos: um labirinto onde você precisa explorar cada canto, em busca de uma chave, de um alicate pra abrir uma gaveta travada; você tem inimigos perseguidores e um “vai e vem” muito presente.
Já as partes do Leon são mais lineares e contam com batalhas de chefe ou hordas de inimigos.
O protagonismo dos 2 é real, do começo ao fim da jornada você vai alternar entre eles e entre esses 2 tipos de gameplay. Porém, a duração desses trechos alterna muito, com o Leon principalmente, alguns trechos dele são muito curtos, e existe um trecho longuíssimo, o maior do jogo; já a Grace tem um tempo mais constante. Então, se prepara pra jogar bastante com os 2.
E antes de finalizar a parte descritiva, sobre a história, ela também tem esse teor de regresso, você tem uma infecção ligada ao incidente de Raccon City dos primeiros jogos, a mãe da Grace, era uma jornalista que buscava descobrir a verdade sobre o incidente, então, é, se prepara aí fã, porque a história do jogo vai mexer nesse vespeiro aí haha
O Que Achamos?
Começando pela versão Switch 2: provavelmente temos o melhor visual do console nos seus altos, e alguns probleminhas nos baixos (uma sombra meio bugada aqui, um cabelo que ficou com muito artefato ali…) mas em geral, ele é visualmente MUITO agradável.
A performance já deixa mais a desejar. O jogo roda a 60 quadros por segundo na maior parte do tempo, mas certos locais e eventos derrubam essa taxa, tanto no modo TV quanto portátil. Seria bom um modo 30fps cravado, mas não tem, e alguns trechos, honestamente, são meio bobos para cair essa taxa, então, deve rolar patch de melhoria no futuro.
Em geral, é uma experiência muito mais positiva que negativa, é uma versão muito mais elogiável do que criticável, mas se você é do tipo que quando cai o fps a sua pressão cai junto (kk) fica o aviso.
O elenco e dublagem também é algo incrível, principalmente em PT-BR, é qualidade altíssima de dublagem e até os zumbis estão bem dublados.
A dinâmica da dupla ficou muito boa, alguns duetos de Grace e Leon são quase que como “fase e depois final boss”, é muito legal legal você estar numa perspectiva de “socorro, tem um bicho invencível atrás de mim”, e aÍ troca pro Leon “OK BORA METER UM SOCÃO NESSE MESMO BICHO”. Mesmo nos trechos curtos, o “trecho Leon” ajuda a tirar a tensão, deixa a coisa mais dinâmica.
Mas o verdadeiro trunfo de ter 2 protagonistas com propostas opostas, é simplesmente… possibilitar o jogo ser o que ele quer. A Grace deixa o jogo de Terror ser MUITO terror, porque é uma analista, ela é uma pessoa “comum” e evita um personagem conhecido e experiente passar uma situação de “nossa, esse personagem tá com medo disso?”; e o Leon, é o principal protagonista em termos de ação, então, com ele acontece todo tipo de maluquice, e sim, o jogo vai ter suas cenas mirabolantes (nada nível socar uma pedra gigante igual o 5 kk) e chefes fortes, ou trechos de adrenalina, etc. Então, com os 2, o jogo ganha uma extensão na régua do que faz sentido ter no jogo, se for algo mais “humano” coloca no trecho da Grace, se for algo mais intenso, coloca no trecho do Leon.
A parte técnica e criativa está impecável. Cenários lindos, história envolvente, sons amedrontadores… a Capcom realmente tirou um tempo pra polir o jogo e realmente quis que o 9 fosse um Resident Evil especial.
Mas ela errou também?
Dentre as críticas que podemos fazer, estão o fato de que não tem muitos personagens “humanos do bem” no jogo. Os vilões são muito bons, tanto o doutor antagonista Victor Gideon, quanto os monstros, mas em termos de humanos…são muito poucos, no geral, a Grace tá sendo capturada e o Leon tá quebrando geral, então, a história acontece em locais muito fechados, alguns poucos personagens humanos aparecem em flashbacks…não é um jogo pra se jogar pelos personagens secundários ou a interação dos primários com eles.
Agora, a crítica mais polêmica é que…como mencionado, Requiem de certa forma tem esse nome e esse teor de resgate à quadrilogia, quase que como um tributo, uma homenagem. Só que…tem hora que essa homenagem passa do ponto. Mesmo quem não conhece a franquia sente que tem certos momentos mal introduzidos que parecem ser um fanservice descolado do que o jogo tava caminhando até então. É MUITO difícil desenvolver esse argumento numa análise sem spoilers kkkk mas o resumo é: esteja preparado pra fanservices bem e mal colocados… mas isso é opinativo, talvez você não se importe com isso, e talvez você se importe mais kkk
Ah e em termos de horas de gameplay, no reloginho do jogo aqui pra zerar ficou 14h. Mas tiveram alguns retornos no save, então… acho que em media a galera vai levar entre 10 e 16h na primeira run.
Conclusão
Resident Evil Requiem é um jogaço, certamente, o primeiro grande destaque do ano. Ele é incrível como survival horror, incrível como jogo de ação e a alternância entre os 2, torna ele ainda mais incrível.
É um jogo também corajoso por retomar a temática de infecção pelo incidente de Raccon City, e tinha que ser assim num jogo que quer trazer tantas proximidades com a quadrilogia inicial.
Os maiores problemas são simplesmente técnicos na versão Switch 2, e certos momentos que talvez a tentativa de ser um tributo tenha passado do ponto. Mas nada disso diminuiu a grandiosidade da experiência geral do jogo.
Resident Evil não tem um jogo numerado lançando pra Nintendo, simultaneamente com as outras plataformas, desde Resident Evil 4! E que bom que o retorno da franquia foi com um jogo tão bom.
Tier Da Experiência Pessoal e Nível de Recomendação:
S+ – Supremo
































