
Scott Pilgrim EX é, enfim, um novo jogo para a franquia multimídia Scott Pilgrim, que anteriormente, em 2010, teve um primeiro jogo -sim, demorou só 16 anos pra um segundo-. Apesar de seu enredo e universo serem melhor aproveitados pelos que conhecem o material fonte, seja em filme, quadrinhos ou mesmo o primeiro jogo; Ex é um jogo fácil de apenas abrir e se divertir, mesmo que esse seja seu primeiro contato com a série. E talvez, em alguns sentidos, seja até melhor entrar cego nessa jornada.
E de cara, vale destacar que seu grande trunfo é o multiplayer, o que acaba dando à versão Switch 2 uma certa vantagem, já que nele, o jogo possui o Gameshare, te permitindo chamar outros 3 amigos com o console pra jogar, mesmo que eles não tenham uma cópia; no caso de reunir pessoas físicas na sua casa ser um problema. O multiplayer já era um elemento forte nos jogos anteriores da sua desenvolvedora, a Tribute Games, de Tartarugas Ninja Shredder’s Revenge, e Marvel Cosmic Invasion, mas em Scott Pilgrim, o formato do jogo fez com que ele superasse os jogos anteriores nesse quesito.
Novo Formato…Mas Nem Tanto…
Apesar de ser um jogo sem conexão com River City Girls, a sua estrutura é praticamente a mesma:
- Temos um mapa conectado, dividido em salas, e nisso, vamos passar diversas vezes pelos mesmos locais, numa estrutura semelhante à um Zelda ou Resident Evil clássico (alguns podem até chamar de metroidvania, mas o que libera novas áreas são objetos, e não poderes).
- Os jogos anteriores já tinham um sistema de level, mas aqui, temos também lojinhas que nos permitem comprar itens, não apenas de cura, mas também insígnias para efeitos diversos in-game, e equipáveis para aumentar um atributo, tornando esse beat’em up mais RPG do que qualquer jogo da Tribute Games.
- Embora River City Girls 2 possa recrutar inimigos derrotados, em Scott Pilgrim Ex temos uma seleção de personagens para invocação, que podemos chamar quantas vezes quisermos, desde que haja uma quantidade suficiente da nossa barra de ataques especiais.
E é aqui que o multiplayer acaba brilhando, pois, as compras de insígnias e itens equipáveis, são compartilhados, um compra, todos podem equipar, e isso rapidamente possibilita muitos leques de combinações para um personagem e ainda mais se juntando aos demais. Por exemplo, um personagem pode criar uma build focada em regeneração de vida e resistência, com roupas que aumentam vida, e uma insígnia que aumenta recuperação da barra de especial, e uma invocação de cura. Isso já é legal por si só, mas esse nosso personagem na mesma tela com um amigo que decidiu criar outra combinação totalmente diferente, faz a gameplay cooperativa ganhar um novo sentido.
Além do formato, o jogo em si tem seus méritos: a física é simplesmente deliciosa, a dificuldade é mais leve em relação ao original (ao menos no modo normal), o visual é lindíssimo (um dos beat’em ups em pixel art mais bonitos de todos) e o texto é muito bem humorado (e aqui, claro, a localização em português do Brasil fez toda a diferença). A progressão não-linear pode confundir um pouco, mas leva apenas alguns minutos pra entender como tudo funciona. Um último fator que, torna o jogo muito divertido, mas no multiplayer é amplificado, é que o jogo tem inúmeras referências aos games, e são realmente MUITAS, é quase o tempo todo alguém do grupo dizendo “hey, isso aqui não é daquele jogo lá?”. Daí junta essa jogabilidade, humor, referências e mecânicas e pronto, temos um multiplayer essencial, principalmente no Switch 2 com o uso do Gameshare.
Pancadas Pontuais
Mas Scott Pilgrim Ex não é só alegria, mesmo no seu formato mais brilhante de multiplayer.
- Primeiramente, o jogo tem muitos inimigos na tela, principalmente em multiplayer. O que gera aqueles famosos momentos de “onde eu tô?”.
- Algumas batalhas contra chefes ficam devendo, principalmente em relação ao jogo original, que cria uma expectativa em relação ao combate contra os ex-namorados. E aqui você nem entende qual a temática, ele aparece, se vai e… não fica um marca.
- Um dos motivos é que o sistema de combate em si não traz muitas mecânicas pra se tornar algo único. Existe um bom leque de personagens jogáveis que tem suas diferenças sim, mas nada que mude todo o pensamento base (as builds desempenham um papel maior nisso, nesse sentido) o que é um grande retrocesso em relação ao Marvel Cosmic Invasion que traz uma variedade absurda de gameplay herói por herói.
- É um jogo muito curto, com 3 a 6 horas de duração. O fator replay existe, e o custo não é alto, mas a matemática definitivamente não está a favor do jogo. Principalmente porque o mapa não é grande, então, o jogador precisa revisitar as mesmas áreas muitas vezes, e as áreas novas apresentadas são um pequeno conjunto de alguns poucos minutos.
Conclusão
Scott Pilgrim EX tem seus altos e baixos. Em certos aspectos, ele tem a clássica diversão dos beat’em ups, com uma boa física e controles; por outro lado, ele tenta ir pra um caminho diferente, se inspirando em modelos de jogos não-lineares do estilo, como River City Girls. Em alguns momentos como no multiplayer, ele brilha, mas é preciso também admitir que em outros, ele parece “só mais um”.
No fim, jogar Scott Pilgrim Ex , principalmente em multiplayer, é uma experiência muito divertida, mas curiosamente, alguns fãs de beat’em up buscando algum tipo de evolução no gênero, não vão encontrar isso; assim como alguns fãs do universo, que vão achar esse jogo menos marcante que o arco dos ex-namorados. Quem juntar amigos pra sair batendo em tudo que se mexe, vai ganhar muita diversão, mas talvez quem parar pra analisar aspectos técnicos como narrativa e trilha sonora, vão achar o jogo abaixo do que deveria ser.

