Tag: Analise

  • Análise: Splatoon Raiders é inesperado formato necessário para a franquia

    Análise: Splatoon Raiders é inesperado formato necessário para a franquia

    Splatoon Raiders foi anunciado como um spin-off, e recebeu uma precificação mais baixa, dando sinais de que seria algo mais simplório. Acontece que ele tem se tornado, na verdade, uma das maiores surpresas do ano.
    O novo jogo, lançado exclusivamente para o Nintendo Switch 2, traz uma abordagem que os próprios criadores chamam de “ultimate multitasker”, algo como “o faz-tudo definitivo”, e nisso, coloca o jogador nas mais insanas situações que a franquia já proporcionou (e olha que estamos falando de uma franquia de tiro competitivo).

    Embora a parte de jogabilidade esteja sendo aclamada, existem outros elementos do jogo que também mostram uma clara diferença entre Raiders e os jogos numerados, como ambientação e trilha sonora.
    No geral, o jogo se mostrou realmente uma experiência diferente das demais da franquia.

    Jogabilidade e Progressão

    Em geral, Splatoon Raiders funciona como os demais da franquia: um jogo de tiro em terceira pessoa, onde nosso personagem usa tinta para atacar, e pode mergulhar nessa tinta para ampliar velocidade e mobilidade (por exemplo, subindo em paredes).
    A grande novidade desse jogo à essa jogabilidade, é a adição dos “gadgets”, habilidades equipáveis, e divididas em 3 classes: força, velocidade/mobilidade, e estratégia. Os gadgets possuem diversas melhorias equipáveis, e cada melhoria possui diversos níveis, de forma que, 2 jogadores com o mesmo gadget podem ter usos diferentes.
    Além deles, existe uma série de outros “elementos” para se equipar, como relíquias que dão habilidades única, como: pulo duplo, queimar um adversário ao encostar na forma submersa na tinta, recuperar HP ao coletar itens, etc. Outra opção vem do trio musical Deep Cut, que também atua como um ataque especial, feito pra se usar uma vez por fase, e cada um deles também é um ataque diferente. Por fim, mesmo as armas do jogo, que já são bem diferentes entre si, acabam recebendo atributos distintos aleatórios.
    Ou seja, são diversos elementos que somados, transformam completamente a jogabilidade básica, e distinguem um jogador do outro. É um jogo sobre montar as chamadas “builds”.

    Para isso, a progressão do jogo também precisa se alinhar aos chamados “jogos de loot”, onde missões difíceis recompensam o jogador com recursos mais valiosos, além de trazer recompensas aleatórias, o que motiva o jogador a jogar o máximo possível, pois sempre é possível adquirir uma arma melhor (ou de mesmo nível, mas sendo uma arma diferente), uma melhoria para os gadgets que seja, ou mais potente, ou mais gaste menos espaço, etc.
    Além de coletar recursos, outro elemento para se rejogar as mesmas fases é a criação de variantes delas. As fases possuem um literal número que indica o nível de dificuldade, e posteriormente, a mesma fase nível 6(por exemplo), ganha uma variante nível 20, e ainda mais adiante, uma outra variação nível 55.
    Outro fator que incentiva o jogador a revisitar fases é o multiplayer. Ao progredir pela história com amigos, o jogo adapta a dificuldade para cada um, então, um jogador nível 30 que esteja acompanhando um outro jogador nível 20, as fases de nível mais baixo serão adaptadas para quem está com o nível maior. O mesmo acontece com quem joga com aleatórios. Existe uma função de pedir ajuda, e por consequência, de atender esses pedidos de ajuda. Pedir ajuda é limitado por tempo, então, recomenda-se que se guarde o recurso para as fases mais difíceis, ou de chefe. Já atender pedidos, traz diariamente uma recompensa extra, então, todo jogador quer ao menos uma vez por dia ajudar alguém, e com isso, os pedidos de ajuda (limitados por tempo) rapidamente encontram jogadores.
    Por fim, os tipos de gadgets (força, velocidade, e estratégia) evoluem separadamente, assim como os personagens do Deep Cut que proporcionam os ataques especiais; então, é bom rejogar para evoluir builds diferentes também.

    Até mesmo a base do jogador, uma espécie de navio, evolui com o tempo. Não somente ele em si a sua estrutura, mas lá temos outras “lojas” para adquirir melhorias de personagem e armas/gadgets.

    Certamente, o que tem aclamado Splatoon Raiders é esse ciclo de gameplay, que proporciona constante evolução, mas principalmente, a presença de missões que realmente exigem essa melhoria, e que quando é feita, o jogador a percebe imediatamente.
    Isso porque, os criadores não estavam brincando quando mencionaram o conceito de “ultimate multitasker”. Splatoon Raiders possui algumas das fases mais caóticas da história da Nintendo! E esse é outro elemento que tem contribuído para sua aclamação. São fases realmente difíceis, com uma quantidade inimaginável de inimigos, e que justificam a exclusividade do título para o Nintendo Switch 2, até porque, mesmo no ápice, o jogo não apresenta nenhuma queda em sua constante taxa de 60 quadros por segundo.

    O jogo ainda traz 3 níveis de dificuldade, permitindo que quem esteja com dificuldade, desça de nível, ou mesmo jogadores competitivos experientes tenham um desafio à altura.

    E o resto… é resto

    O grande problema do jogo, é que os outros elementos dele, se compartam, aí sim, como um título spin-off simplório.

    A história se encaixa perfeitamente na proposta de jogabilidade, mas é normal ver jogadores que terminaram o jogo e sequer entenderam a história, por exemplo. O jogo até tenta dar importância à ela, adicionando cenas excelentes, e coletáveis que explicam melhor o enredo; mas honestamente, não é convincente, e boa parte dos jogadores não consegue se importar com os diálogos do jogo.

    A direção de arte foi muito prejudicada por uma troca repentina de proposta: o jogo se passaria em ilhas de temática “resort”, e decidiram trocar para uma ideia de “ilhas de uma terra inexplorada”.
    O resultado é que a ambientação ficou muito simples, e com poucas diferenças entre uma fase e outra. Nesse sentido, é uma pena, pois a trilogia numerada sempre trouxe ambientes pós-apocalípticos maravilhosos; mas, ao mudar de temática, o time não conseguiu impressionar da mesma forma.

    Isso não afetou somente à direção de arte, mas também o level design. Poucas fases conseguem ser memoráveis em termos da fase em si, do ambiente. Somente no final do jogo aparecem fases com propostas únicas.
    Nesse sentido, o que salva o jogo são fases específicas desbloqueadas ao seguir bússolas. Essas fases escolhem um gadget obrigatório, ou uma mecânica específica, e constroem todo seu level design em cima delas, ensinando as possibilidades e criando situações únicas. É essencial que o jogador as joguem para se ter um senso de variedade em termos de cenário.

    A música já consegue cumprir melhor seu papel e agradar bastante. Mas, mesmo ela falha em ser marcante como a trilogia numerada.

    O jogo também investe em algumas atividades secundárias, como minigames retrôs em arcade, e um minigame onde usamos nossa base para tentar coletar caixas no mar. Nesse sentido, até que o jogo conseguiu ter êxito, uma vez que são atividades totalmente extras, ou seja, não precisa ter, mas quiseram adicionar para dar aquele “respiro” entre as fases, e realmente ficou bom.

    Conclusão

    Em geral, Splatoon Raiders tem merecido sua aclamação. O jogo tem um planejamento absurdo em termos de gameplay e progressão, e entra numa zona de caos e dificuldade que poucos títulos (principalmente modernos) da Nintendo entram, criando um jogo realmente único, enquanto ainda consegue entregar recursos que permitem jogadores novatos.

    Demais elementos do jogo não brilham tanto assim, ficando na esfera do apenas “competente”. Porém, a sensação final é de extrema satisfação, já que num Looter-shooter, ter um ótimo sistema de loot, e um ótimo sistema de shooter, compensam os demais aspectos mais rasos do jogo.

    Com uma campanha de mais de, pelo menos, 10 horas, mas conteúdo suficiente para se passar de 30, Splatoon Raiders acabou se tornando mais que um jogo isolado diferente. Ele se tornou uma nova fórmula para a franquia que PRECISA ser recorrente a cada novo hardware, e esse jogo em específico, pelo valor reduzido, se tornou um dos melhores custo-benefício da empresa.

    Avaliação Técnica

    • Direção de Gameplay – 3/3
    • Direção Multi-Arte (história, trilha e visuais) – 2/3
    • Desempenho e/ou funcionalidades – 2/2
    • Conteúdo e/ou Fator Replay – 2/2
  • Análise: Gurei tem uma ideia incrível e uma ideia ruim

    Análise: Gurei tem uma ideia incrível e uma ideia ruim

    O jogo de ação, estilo Boss Rush 2D, Gurei, será lançado para o Switch no dia 23 de julho. Fruto de uma parceria entre o estúdio brasileiro Lobo Sagaz Studio e a publicadora estrangeira Astrolabe Games, o jogo une elementos de jogos clássicos e modernos, buscando uma fórmula única no mercado de games em 2026.

    A ideia é enfrentar uma seleção de chefes desafiadores numa ordem escolhida pelo jogador, e absorver um de seus poderes ao conseguir a vitória.
    Em geral, Gurei é mecanicamente tão bom quanto parece, mas ele tem uma ideia que o torna único, e uma ideia que pode afastar um jogador que estava 100% interessado até então.

    Como Funciona

    A ideia é simples: nossa protagonista, Rei, precisa derrotar um grupo de entidades místicas da natureza chamados de Kami, visando adquirir seus poderes e se tornar um espírito humano poderoso.
    Para isso, exploramos uma área aberta pequena, sem inimigos, apenas portas para os encontros com os chefes.

    Em termos de jogabilidade, o início do jogo não traz muitos botões: pular, desviar, atacar e se movimentar. É pra ser um confronto “na raça” mesmo.
    Porém, assim que o jogador derrota o primeiro chefe, alguma nova mecânica aparece, embora boa parte delas ainda seja, ou passiva (não precisa ativar manualmente) ou misturado aos botões já existentes; então, no geral, é um jogo de poucos botões, mas que exige um bom uso deles.

    Os poderes adquiridos dos chefes são muito variados em funções, desde novos ataques, habilidades ou poderes de resistência. O ideal é que o jogador, antes de buscar realmente terminar o jogo, experimente um de cada.
    Da mesma forma, os chefes são muito variados. Alguns exigem um confronto cara-a-cara, usando desvios no momento certo; já outros são mais fujões e o jogador precisa correr atrás dele. Honestamente nenhuma batalha é ruim, algumas só demoram um pouco mais pra ficarem boas.

    Ideia Boa e Ideia Ruim

    Fora dessa descrição básica, o jogo acrescenta 2 outras regras, uma que o torna ainda mais interessante, e outra que acaba sendo mais divisiva.

    A ordem dos chefes pode ser escolhida pelo jogador, visando quais poderes ele quer primeiro. Entretanto, a cada chefe derrotado, o próximo fica mais forte; seja por ter mais vida, mas principalmente por adicionar mais padrões de ataque. Isso faz com que o mesmo chefe sendo o primeiro, e o quinto (por exemplo) se tornem experiências completamente diferentes, e nisso, a experimentação, o replay, sobe consideravelmente, assim como o fator estratégia, pois agora o jogador precisa calcular a ordem dos chefes não só baseado nos poderes que vai adquirir, mas também com base em quais deles o jogador acha mais difícil, e tentar antecipar esses mais problemáticos para o estilo dele.

    Até aí, o jogo possui apenas ideias boas. Eis que então surge a questão “como fazer o jogador experimentar ordens diferentes?” e a solução acaba sendo uma não muito agradável para muitos: vidas limitadas.
    Cada chefe derrotado é uma tentativa a mais que o jogador tem, porém, como os chefes são limitados, não são muitas. Some isso ao fato dos 3 últimos chefes estarem numa dificuldade realmente muito alta, e o resultado é que a verdadeira dificuldade do jogo acaba não sendo os chefes em si, mas a sua progressão, que vai exigir que o jogador memorize padrões avançados que ele pode demorar pra ver de novo, já chefe X em dificuldade y, exige que se repita uma série de combates anteriores.
    Não existe também nenhum sistema “roguelite” que te permita ficar mais forte entre as tentativas. Nesse sentido, Gurei é um saudoso jogo retrô, como os da época do Super Nintendo, onde o jogador tem uma porçãozinha de vidas, e se não conseguir cumprir o desafio nelas, bom… “tente de novo”.

    Outros Aspectos

    Visualmente falando, Gurei é lindíssimo. O estilo preto e branco, mas que ocasionalmente coloca cores para representar os poderes dos chefes, caiu muito bem, e contribuiu para dar ainda mais identidade ao jogo. O character design dos personagens é simplesmente impecável.
    A parte sonora também está boa. É uma música típica/folclórica oriental e são bons temas que servem ao propósito de empolgar as batalhas. É uma aspecto que não tem tanto destaque, até porque o jogador costuma estar prestando muita atenção nas batalhas, mas ficou boa a trilha.

    Além das batalhas, existem diversos espíritos que são personagens secundários, e eles são liberados conforme avançamos. Além disso, os Kamis derrotados acompanham Rei, e vão dando palpites aqui e ali. Esse é o principal elemento de história do jogo, e alguns desses personagens secundários trazem alguma atividade simples, quase um minijogo, que é bom pra dar uma variada entre as tentativas.

    Conclusão

    Gurei é uma mistura muito boa de boss rush 2D, com a velha mecânica de roubar poderes de chefes vencidos, mas com com o acréscimo de subir o nível desses chefes a cada Kami derrotado.
    Sua arte também é linda e dão ainda mais identidade ao jogo, que rapidamente se destaca e mostra que é único.

    Entretanto, com receio de imitar soluções, ou de ser muito curto, Gurei acaba exigindo uma paciência extra do jogador na questão da progressão, com frustrantes telas de “fim de jogo”, que até cumprem o papel de estender o tempo total de 2 horas pra mais do que 6 (embora nesse jogo o tempo total é realmente difícil de estimar, dependendo muito da habilidade e experiência do jogador com esse tipo de jogo) mas que podem repelir mais jogadores do que ele precisava, se tivesse encontrado uma solução melhor.

    Avaliação Técnica:

    .Direção de Gameplay: 2,5/3

    .Direção Multi-Arte: 2,5/3

    .Desempenho e/ou Funcionalidades: 1,5/2

    .Conteúdo e/ou Fator Replay: 1,5/2

  • Estamos Jogando: D-Topia traz sociedade governada por IA em jogo com escolhas e puzzle

    Estamos Jogando: D-Topia traz sociedade governada por IA em jogo com escolhas e puzzle

    A Annapurna Interactive é uma publicadora gosta de jogos com uma forte veia artística, independente da jogabilidade ser muito presente (como em Sayonara Wild Hearts) ou pouquíssimo presente (como em Mixtape). Fato é, ela se tornou uma das maiores do mercado, não foi à toa.

    Seu novo jogo é D-Topia, um instigante jogo onde as IAs tomam conta de toda a administração de vários distritos, e aparentemente, com isso, a felicidade plena foi alcançada. Proposta que automaticamente coloca uma pulga na orelha do jogador.
    Além disso, o jogo ainda traz uma série de puzzles simples envolvendo lógica e matemática. Então, é um jogo que tenta ser ao menos competente nos 2 campos (história e gameplay) e de certa forma consegue.

    Mediador

    No jogo, acabamos de chegar em D-Topia para trabalhar como Mediador. D-Topia é o distrito D do projeto Utopia, que dá às IAs/robôs o controle dessas cidades, determinando quando acordar, o que fazer, e até sugerindo com que se relacionar. Um futuro que parece um episódio de Black Mirror, mas ao mesmo tempo, em 2026 não parece ser tão impossível assim.

    Nossa função é resolver problemas, tanto mecanicamente, consertando máquinas; mas também do lado humano, ajudando pessoas que vivem nessa cidade com seus problemas e dilemas.
    Essas 2 funções geram 2 gameplays diferentes:

    • Em termos de mecânica, temos puzzles que envolvem lógica e matemática. São puzzles de apresentação simples, lembrando Picross ou os famosos puzzles de revistas. Não é do tipo Zelda, onde o personagem em si precisa interagir com o cenário, ou coisa do tipo.
    • Já em termos de relações humanas, aí sim temos “puzzles morais”. Humanos não são simples, e resolver problemas deles (incluindo causado por eles) vai exigir não só observação e raciocínio, mas principalmente opinião e moralidade. Dessa forma, o jogador ao fim do caso vai tomar decisões baseados em sua vontade, não existe uma escolha correta.

    É bem interessante como o jogo realmente traduz em gameplay os conceitos de ciência humana e ciência exata, pois no nosso serviço “de exatas” temos uma solução objetiva e contas pra fazer; já na parte humana, realmente como numa área de ciência humana, não existe uma resposta única, e a relação entre pessoas importa.

    Pacífico

    Em geral, D-Topia não é um jogo que busca “explodir mentes”, e sim trazer discussões interessantes, com personagens interessantes.
    Os diálogos do jogo são muito valiosos, e isso inclui não só os da “missão principal”, mas os banais de NPCs espalhados por D-Topia.

    Em termos de gameplay, o jogo segue a mesma linha. Apesar da dificuldade progressiva, ainda são puzzles simples, de mover caixas com números. São bons puzzles e o jogo te permite fazer “hora extra” no trabalho, para resolver mais deles, o que é ótimo pra quem gostou da brincadeira.

    Desde sua arte até sua ambientação, você se sente realmente vivendo num local que atingiu a perfeição, a felicidade plena. A questão do jogo é justamente questionar o quanto isso é possível quando se coloca um ser tão complexo quanto os humanos pra viverem lá.

  • Análise: Star Fox refaz Star Fox 64 com maestria, mas deixa diversas lacunas como jogo de 2026

    Análise: Star Fox refaz Star Fox 64 com maestria, mas deixa diversas lacunas como jogo de 2026

    Star Fox é o surpreendente retorno da franquia através de um remake do jogo Star Fox 64, considerado até hoje o ápice da série. Mesmo após se envolver em polêmicas do tipo “será que era necessário um remake?”, já que ele possui uma super remasterização para o 3DS, e o próprio jogo original está disponível no aplicativo de Nintendo64 para assinantes do Nintendo Switch Online + Pacote de Expansão; esse remake exclusivo para Nintendo Switch 2 se mostrou muito competente e atrativo, principalmente pela repaginada nos visuais, tanto em termos de modernização de gráficos, como uma releitura mais animalesca e realista daquele universo.

    Após terminar este remake, fica claro que o projeto valeu a pena, e que este agora é a melhor entrada possível para conhecer a franquia.
    Porém, esta afirmação não isenta o jogo de ter seus erros e nem faz com que Star Fox seja o jogo ideal para a franquia em 2026. A boa notícia é que a base é sólida, mas o sentimento de desejar uma expansão dessa base é inevitável.

    O Jogo

    Star Fox é uma franquia que já assumiu diversos papéis, sendo o denominador comum, um jogo sci-fi com animais pilotando naves e outros veículos de combate. Tradicionalmente, e neste jogo novo em específico, se trata de um Shooter On-Rails; um tipo de jogo de tiro onde nosso personagem segue uma rota fixa. A ideia desse tipo de jogo é inspirada nos jogos de arcade, onde mais do que passar por uma fase, é preciso dominá-la, descobrindo seus segredos e formas de se aumentar seu desempenho nelas. Em Star Fox (2026) isso se traduz numa pontuação final para cada fase que possibilita a obtenção de uma medalha; e em alguns desafios específicos para o modo desafio.

    Na base, não tem segredo, controlamos Fox e sua nave Arwing, e nosso objetivo é chegar ao fim das fases (algumas tem outros tipos de objetivo também) e no caminho, temos também que salvar nossos companheiros de equipe: Falco, Slippy e Peppy. Teoricamente, não existe nenhum motivo para se salvar os amigos, a conclusão da fase chega da mesma maneira; mas é interessante que, se eles tiverem que se retirar, não dão dicas importantes e não participam das cenas (fora que é uma questão de ter coração, vai).

    Por fim, o jogo traz uma progressão única: temos no total 16 fases, mas o jogador não passa por todas elas. Em vez disso, existem rotas diversas, que geram muitas possibilidades em termos de qual ordem de fases o jogador passou até o final. A maioria das fases possui um objetivo secreto pra se liberar uma alternativa extra de planeta, e a cada vez que o jogador se arrisca ao jogar a campanha, uma rota diferente pode ser experienciada.

    Outros Modos

    O remake trouxe alguns novos modos extras:

    .Desafio

    Aqui cada uma das 16 fases ganha 6 desafios no modo normal, e após concluir, 6 no modo experiente. Esses desafios não podem ser todos concluídos de primeira, uma vez que eles exploram as rotas alternativas de cada fase. Além disso, são bem exigentes, principalmente as do modo experiente, então, ele aumenta bastante o fator replay.

    .Batalha

    Focando no online, mas ainda com a possibilidade de se jogar com uma CPU, o modo batalha traz 4 jogadores contra outros 4, representando o time Star Fox contra o time Star Wolf.
    Existem 3 mapas cada um com suas regras:

    • Corneria: Uma área específica precisa ser dominada por um dos times.
    • Fichina: Meteoros quebrados soltam pontos e é preciso coletar a maioria deles.
    • Setor Y: Robôs carregam cargas que precisamos levar pro nosso lado.

    Outros

    O jogo também tem um modo em primeira pessoa, pelo modo mouse; um modo cooperativo onde um controla a Arwing e o outro a mira, também pelo modo mouse; e um sistema de avatar virtual para GameChat, usando a câmera do Switch 2.

    Sem dúvidas, adicionaram coisas boas à já aclamada campanha original. Mas foi o suficiente?

    Acertos e Erros

    Em termos de campanha, o jogo foi quase perfeito.
    Os visuais, a física, controles, trilha orquestrada, a dublagem em diversos idiomas como o português do Brasil; simplesmente tudo impecável, é a versão dos sonhos de qualquer fã.
    Existem alguns problemas pontuais que deixam a experiência “quase perfeita”:

    • A área de dano dos chefes não está tão evidente quanto o original. O que faz com que o jogador dependa de tentativa e erro, principalmente se um dos companheiros, que daria a dica, se retirar.
    • A batalha pré-chefe final, em Venom 2, é desnecessariamente difícil, principalmente dependendo da rota que você fez. Passar é difícil, não deixar nenhum dos companheiros ser abatido para a medalha é extremamente exigente. Não tem motivo pra essa batalha ser mais difícil que a batalha final e ela destoa da dificuldade do resto do jogo.
    • O ganho de medalhas também acabam sendo exigentes em algumas fases.

    Já em termos de extras, todos eles foram muito bem-vindos e fica a torcida para permanecerem em futuros jogos.
    O modo desafio aumenta o replay, e permite jogar as fases individualmente. E os desafios são válidos.
    O modo batalha permite que o tempo de jogo total seja o que o jogador quiser. Os objetivos são bons, a conexão é estável e partidas são encontradas rapidamente.

    Mas os 2 modos trazem 2 erros nítidos:

    -Modo Desafio é totalmente desconectado da campanha. O que quer dizer que se você faz os desafios, mas na campanha, isso não é computado. Isso gera uma repetitividade desnecessária, talvez por medo do modo ser completado antes do que o desejado.
    -Modo Batalha é muito divertido, mas acaba sendo sem propósito demais. A falta de um sistema de ranking é inexplicável por parte do estúdio que fez o ótimo Knockout City. Acaba que o único motivo pra se jogar, em termos de objetivo, é conseguir emblemas para o card, e isso levanta o questionamento sobre quanto tempo o jogo ainda terá jogadores ativos.

    Existe ainda a velha polêmica sobre sua duração. A campanha de Star Fox pode ser concluída em seu final verdadeiro com uma hora, ou pouco mais do que isso; e em menos de 5 horas o jogador já terá visto todas as fases e finais do jogo. Existe, claro, muito mais a se fazer pra se estender esse tempo, mas não deixa de ser apenas repetir as mesmas 16 fases em busca de melhores desempenhos ou missões. É um tipo de replay que agrada a muitos, mas não vai agradar à outros.

    Conclusão

    Entre acertos e erros, Star Fox está de volta, e de um jeito muito bom. Com visuais e trilha sonora incríveis, o jogo de 64 retorna como os fãs sonhavam.
    Dito isso, a lógica de progressão de Star Fox 64 envelheceu mal. A Nintendo decidiu recriar o jogo de forma 90% fiel, e o trabalho ficou 90% perfeito. Mas é necessário avaliar o jogo como um produto disponibilizado em 2026, e em 2026, fica nítido que essa base da franquia precisa evoluir, mais do que nítido, o jogo escancara essa necessidade.

    É impossível jogar este remake sem desejar que, em uma nova parceria entre Nintendo e o Velan Studios, uma sequência seja feita, no mesmo molde, mas com liberdade pra evoluir e expandir o que esse remake fez de bom.
    Talvez esse tenha sido o objetivo do remake: criar uma nova base pra franquia, com um novo estúdio; e se for, o acerto foi em cheio. Agora, resta esperar não o jogo que melhor interpreta o jogo mais aclamado da franquia, mas sim, um jogo que o supere.

    • Direção de Gameplay: 2,5/3
    • Direção Multi-Arte: 3/3
    • Desempenho e/ou Funcionalidades: 2/2
    • Conteúdo e/ou Fator Replay: 1/2
  • Estamos Jogando: “to a T” é mais curioso do que bom

    Estamos Jogando: “to a T” é mais curioso do que bom

    O jogo “to a T” é difícil de entender até colocar as mãos. Numa histórica parceria entre a gigante publicadora indie Annapurna, o criador de Katamari Damacy Keita Takahashi, e a AbleGamers que é uma empresa focada em acessibilidade, “to a T” traz um carismático personagem, com um pedaço de humor japonês e uma temática original.
    Mas foi o suficiente?

    Sobre O Jogo

    O protagonista é um avatar customizável e que por padrão, se chama apenas “jovem”. Ele tem uma condição única que é permanecer pra sempre no formato de T, ou seja, braços esticados para o lado.
    A ideia é bem simples: acompanhar o rapaz que acabou de fazer 13 anos em sua rotina. Mais do que um “simulador de vida”, o jogo se parece um “slice of life”, um gênero comum aos animes, e que retratam rotinas em vez de tramas complexas.
    Isso porque, é óbvio que vai existir uma influência japonesa vindo do criador de um dos jogos mais nipônicos já feitos, que é o Katamari Damacy. Mas não apenas isso, o jogo em vários momentos se parece com esse tipo de anime, o que inclui uma música tema que é repetida conforme avançamos.

    O jogo vai trazer ainda alguns poderes que o protagonista acaba adquirindo por aproveitar seu formato, numa ideia de “você é único de um jeito bom”. O jogo não fica o tempo todo falando da condição do jovem como algo ruim, mas ela também não é ignorada pelos seus colegas de escola, e é claro, alguns momentos de gameplay são sobre coisas rotineiras que ganham uma dificuldade extra pela condição peculiar.
    É uma mistura interessante entre “gameplay maluca de jogo japonês”, e “jogo de conscientização ocidental”.

    Dito isso, “to a T” entrega uma experiência OK, mas apenas OK, olhando para seu gameplay. O que segura o jogador é o carisma do protagonista e os momentos engraçados típicos do Japão. A exploração é rasa, e os momentos de gameplay não são muito interessantes, poderiam ser mais desenvolvidos.

    Rodando no Switch 2

    E aí, falando de performance, vem a segundam á notícia: o jogo não roda bem.
    A fluidez deixa muito a desejar, com mini-travamentos o tempo todo, e os visuais não são nada demais, o que torna a falta de fluidez ainda pior.

    É uma situação que lembra muito alguns casos com o primeiro Nintendo Switch, onde uma versão só poderia ser recomendada se for a única opção da pessoa, ou, caso ela priorize MUITO o portátil e lide bem com problemas técnicos.
    Mas após um ano com tantas ótimas versões em jogos complexos pro Switch 2, ver um “slice of life” cartoon deixar a desejar fica feio.

    Conclusão Inicial

    Certamente, “to a T” vai valer a pena quando direcionado à pessoa certa, afinal, o que ele tem de bom é raro, mesmo num mercado com tantos jogos. Seu carisma é indiscutível e se de fato o jogo fosse um anime, seria bom de assistir.
    Entretanto, o trabalho simplório na gameplay nicha o jogo para essas poucas pessoas.

    É um jogo OK, que se mostra mais uma curiosidade a ser sanada, que um bom jogo a ser jogado.

  • Estamos Jogando: Dark Scrolls é ótima e barata adição pro Nintendo Switch (1)

    Estamos Jogando: Dark Scrolls é ótima e barata adição pro Nintendo Switch (1)

    A Devolver Digital ainda não abandonou o primeiro Nintendo Switch, e segue lançando bons títulos à preços honestíssimos. Dark Scrolls é o mais novo deles.

    Como habitual da publicadora, o jogo transborda personalidade e diversão, embora, tenha seus vacilos também.

    O Jogo

    Dark Scrolls é uma mistura de jogo de “Shmup”, os “jogos de navinha”, mas com um personagem à pé num jogo de plataforma.
    A tela anda sozinha (por isso o Dark >scrolls<no nome), e diversos inimigos vem e vão e cabe à nós sobreviver à confusão e dilacerar o máximo possível deles, não apenas por sobrevivência, mas também pra conseguir mais dinheiro e comprar melhorias em cada tentativa, ou melhorias permanentes, porque ele tem uma pitada de jogo de roguelite na progressão também.

    Inicialmente, temos 3 personagens jogáveis, cada qual joga diferente nos quesitos:
    -Tipo de tiro/ataque. Um deles atira pra frente em alta potência, mas curta distância; outro tem ataque forte, mas é um “Simon Belmont-like” arremessando machados.
    -Pulo duplo. Ao pular no ar, cada um dos 3 reage de uma forma. Um deles dá um impulso, mas sem poder direcionar durante o trajeto; outro tem um pulo comum mas seguido de uma “bundada” estilo Mario.
    -Status, como velocidade.
    Então, é bom ver que não se tratam de apenas skins pra mesma jogabilidade.

    Progressão

    O jogo apresenta uma progressão roguelite, mas ele em si, não necessariamente é um. Melhorias permanentes existem, e algumas decisões do jogador influenciam na ordem das fases a serem exploradas. Ainda assim, a sensação é mais de um jogo “arcade modernizado” por essas mecânicas dos jogos rogues.

    Inimigos derrotados se tornam corações que recuperam um pouco da vida, o design das fases ainda é mais ou menos o mesmo. A liberdade de builds é menor, etc. Existem vários motivos que demonstram esse espírito “jogo retrô” acima do “jogo roguelike”.

    Conclusão Inicial

    Honestamente, Dark Scrolls é mais um jogo muito honesto da Devolver.
    O “feeling” dele é um pouco de plataforma, um pouco de bullet hell, ele lembrou até um pouco de Ghosts’n Goblins também, porque fica o tempo todo saindo inimigo zumbi de debaixo da terra… é a famosa “mistureba” que deu bom.
    Entretanto, é bom alinhar a expectativa. O game não é um roguelike, é muito mais “crú” nesse sentido, então, decepções podem ocorrer.

    No geral, é um jogo bem feito, que atende muito bem esse público de jogos “retrô-moderno”. Além disso, é importante pontuar que a Devolver acertou muito bem na precificação, porque esse jogo custa só R$37,50. Então, não é “top 3 melhores jogos do mês”, mas quem curtiu a ideia, e gosta do “selo Devolver”, pode ir sem medo.

  • Análise: É Incrível Ter Final Fantasy VII Rebirth No Switch 2

    Análise: É Incrível Ter Final Fantasy VII Rebirth No Switch 2

    A ideia de refazer Final Fantasy 7 em 3 partes foi divisiva, mas tem gerado ótimos resultados individuais.
    Começando pelo Remake (ou “parte 1”) no Switch 2, lançado em janeiro de 2026; agora é a vez da parte 2 mostrar uma grande evolução do projeto, ao adaptar justamente o período em que o jogo original deixa Midgar e sua linearidade.

    O jogo foi aclamado em seu lançamento, em 2024, e agora chega no Switch 2 após muitos até duvidarem da capacidade do console em rodar o jogo.
    Naturalmente, Rebirth é um jogo -consideravelmente pesado- da nova geração (não tão nova à esta altura), enquanto Remake é um jogo da geração anterior, feito para hardwares mais fracos que o Switch 2. O desafio aumentou, mas basicamente, a recompensa também.

    Enredo

    Na primeira parte, o jogo anterior, o grupo Avalanche se forma para combater a ameaça da mega-corporação, Shinra. Após descobrirem que um ex-soldado de elite da empresa, chamado Sephiroth, é uma ameaça ainda maior, Rebirth começa com o grupo disposto à encontrá-lo e detê-lo. As motivações do, agora vilão, são retratadas logo no começo do jogo.
    O grupo descobre que um misterioso grupo de pessoas encapuzadas está marchando rumo à algo que os levam à pistas, assim, o quinteto, ainda conhecido como Avalanche, parte para onde quer que os encapuçados os levem.

    A narrativa do jogo é relativamente linear, com alguns momentos de interação entre o protagonista Cloud e seus companheiros, que lhes fazem perguntas e, dependendo da resposta, aumentam seu nível de vínculo, o que posteriormente trará uma consequência, embora nenhum tipo de “final alternativo”.
    O jogo possui um mundo conectado, mas cada região será explorada por vez, formando mapas abertos. Então, no fim, o jogador ainda persegue ícones no mapa para avançar a história, e esses mapas abertos são para exploração.

    Exploração

    É difícil classificar Final Fantasy VII Rebirth como “mundo aberto” ou não. Em tese, todas os mapas estão fazendo sentido, e boa parte deles tem uma ligação direta, à pé.
    Porém, a ideia não é sair andando por onde quiser. Novamente, a narrativa é linear e vai te colocando em mapas abertos, além de liberar ferramentas de viagem rápida. No fim, o jogo nunca chega a ficar tão aberto quanto um Xenoblade Chonicles X, por exemplo, então, é importante não esperar por esse nível de liberdade.

    A física dos personagens melhorou na exploração. Cloud e seu grupo agora podem atravessar mais facilmente alguns trechos, tornando as rotas menos roteirizadas que o jogo anterior. A inclusão dos Chocobos também ajudam muito, possibilitando mais velocidade e algumas mecânicas únicas para quando estamos montados na criatura.

    Alguns capítulos são mais próximos do jogo anterior, sendo mapas fechados, onde seguimos, basicamente, em linha reta. Alguns puzzles estão presentes, mas honestamente, nenhum deles é muito chamativo.
    O mais interessante é que, alguns desses mapas são desenhados com outros personagens, fora cloud, em mente. Neles, temos alguma mecânica única de movimentação ou exploração baseada naquele personagem protagonista.

    Em geral, a exploração das áreas abertas é curiosa, pois na maioria dos casos, existem 2 rotas, uma leva ao ponto que avança a história, e outro, para o mapa aberto em si. Isso facilita para os que querem avançar mais rapidamente em algum trecho do jogo.
    No restante, todo tipo de missão de reconhecimento nos aguarda, desde as clássicas torres de rádio, até curiosos templos de invocação, que nos ajuda a enfraquecer criaturas para vencê-las mais facilmente no simulador de batalha. Esse simulador também apresenta tutoriais muito interessantes, além de um pesquisador de matérias (orbes equipáveis que nos concede habilidades ativas ou passivas, como magia de fogo/gelo, ou “mais vida”). No geral, o ideal é o jogador explorar bastante, pois existem muitas recompensas além de subir de nível.

    Combate

    O combate do jogo segue o modelo “híbrido” entre turno e ação. Basicamente, é um combate em tempo real, com defesa e esquiva, mas com a opção de “parar o tempo” para escolhermos qual habilidade ou mgia usar.

    Em Rebirth, vemos uma evolução da DLC da parte 1, pois o combate é mais coletivo, usando a chamada sinergia, que dá certas habilidades/golpes de dupla. Para isso, é preciso usar individualmente os personagens e gastar barras com habilidades individuais. o que promove a alternância de personagens.

    Todas essas habilidades de sinergia e outras melhorias podem ser adquiridas numa árvore de habilidades, que evolui ganhando mais opções conforme o nível de grupo sobe, reforçando a ideia de coletividade nesse jogo.

    Gráficos

    Naturalmente, um jogo tão exigente quanto Final Fantasy VII Rebirth demandaria alguns sacrifícios visuais no Nintendo Switch 2. O resultado trouxe alguns pontos problemáticos, com problemas de carregamento, loadings demorados, pop-ins, entre outras coisas.
    No portátil, o que chama a atenção negativamente é a resolução, que em alguns momentos é extremamente baixa. É o primeiro jogo do Switch 2 que passa aquela ideia, que havia no Nintendo Switch (1), de “é preciso tolerar problemas gráficos pra se divertir com o jogo”.

    Ainda assim, é inegável o esforço da equipe que cuidou desta versão. Primeiro porque, a performance em batalha é muito estável, e é uma batalha de 3 heróis contra diversos inimigos. E alguns dos cenários, especialmente mais desérticos, estão realmente lindos no console.
    As cidades também tem alguns contras, mas em geral, mesmo as mais exigentes como Gold Saucer rodam tranquilamente.

    Conclusão

    A conclusão é que é incrível ter um jogo como Final Fantasy VII Rebirth no Nintendo Switch 2; ainda mais com a confirmação da parte 3.
    Apesar de diversos pontos de atenção, estamos falando de um jogo já feito para a atual geração, um jogo moderno, e que chegou pro Switch 2 no primeiro ano do console.

    O jogo ainda tem espaços pra melhorias na parte 3 em diversas áreas como física, puzzles, uma seleção mais cuidadosa de atividades extras pra entrar no jogo final, e claro, otimização no Switch 2.
    Mesmo assim, após 42 horas extremamente focadas na história, o veredito não poderia ser outro além de considerar este, um dos melhores jogos desse primeiro ano do console.

    Avaliação Técnica:

    .Direção de Gameplay: 2,5/3

    .Direção Multi-Arte: 3/3

    .Desempenho e/ou Funcionalidades: 1/2

    .Conteúdo e/ou Fator Replay: 2/2

  • Análise: Yoshi and the Mysterious Book Muda As Regras da Série, e dos Plataformas.

    Análise: Yoshi and the Mysterious Book Muda As Regras da Série, e dos Plataformas.

    Yoshi and the Mysterious Book foi lançado, e de repente, todos se surpreenderam com o jogo. O segredo desse mistério do que fez todo mundo se empolgar mais do que os trailers mostrados, é que o título simplesmente muda as regras de como funciona um jogo do Yoshi, e talvez, vá até além e mostre uma nova forma de se fazer jogos de plataforma 2D.

    Embora seu escopo não mostre um jogo particularmente ambicioso, sua nova fórmula e a criatividade usada nela, fazem desse novo jogo um marco para a franquia e para os jogos de plataforma 2D da Nintendo, mesmo a empresa já possuindo alguns dos melhores títulos desse estilo de todos os tempos.

    Sinopse

    Bowser Jr. encontra um livro misterioso (que dá nome ao jogo), mas no processo de levá-lo embora, numa confusão, acaba indo parar dentro dele.
    O livro acaba sendo encontrado pelos Yoshis, que descobrem que ele fala! Mais do que isso, ele pode teleportar os Yoshis pra dentro de suas páginas, e ele pede para que o grupo assim o faça para ajudá-lo a pesquisar as criaturas lá registradas.
    Ou seja, o foco não é o cenário/fase, e sim a criatura. E claro, essa sinopse é apenas a “desculpa” para o jogo começar e introduzir a sua nova fórmula de gameplay.

    Nova Proposta

    As descobertas ficam guardadas no livro misterioso.

    Até então, os últimos jogos do Yoshi, Mario Wonder, Sonic Superstars, etc, tinham o objetivo de começar a fase numa ponta, e chegar até a outra; o desafio era percorrer o caminho. Existem ainda os collect-a-thons, como Mario Odyssey, e em 2D o jogo Promenade, onde o objetivo é conseguir coletáveis o suficiente para progredir.
    Yoshi and the Mysterious Book é mais próximo desse tipo de jogo, mas aqui, não são itens escondidos que avançam o jogo, e sim “descobertas”. Dá pra chamar o jogo de “Discover-a-thon”, se me permitem a brincadeira.

    Cada fase é, na verdade, um palco voltado a um ser daquele livro; e a fase, inclusive, carrega o nome dele, em vez de “fase 1”.
    Nosso objetivo é descobrir mais sobre aquele ser, então, temos que buscar todo tipo de interação, seja pular, engolir ou, colocar nas costas do Yoshi; dentre muitas, muitas outras possibilidades. Após descobrir qual a principal interatividade daquele ser (entenda como, qual mecânica de gameplay ele utiliza), a ideia é percorrer uma fase, construída especificamente pra ele, e testar, quebrando a cabeça, até achar o máximo de interações possíveis.
    Uma hora, uma dessas descobertas vai se revelar uma “missão principal” que dá pra considerar como “término da fase” pois é perguntado se queremos sair dela (e o jogador pode optar por continuar, se quiser). Exemplo simples seria levar um ser do ponto A ao B, mas isso é um objetivo extremamente simples para entendimento, na prática, existem inúmeros objetivos principais, o jogador nunca sabe o que ele terá que fazer até explorar minimamente a fase.

    Na prática, pode parecer a mesma coisa que um collect-a-thon, mas o segredo aqui não é apenas explorar, e sim testar todo tipo de interatividade: pular, tentar engolir, dar um fruta, arremessar um ovo, jogar de um precipício, colocar um ser junto de outro pra ver se acontece uma nova interação e com isso um novo comportamento…
    O que a Good-Feel com a Nintendo fizeram aqui é pegar uma mecânica, representada num ser, e explorá-la ao máximo.

    Mais Inovações

    Não é só o conceito de “fase” que muda. Toda a estrutura do jogo tem um toque único. O que seriam os mundos do jogo, aqui são os “capítulos”, 2 páginas que formam uma imagem cheia das tais criaturas (que são as fases do jogo). Algumas criaturas só aparecem nos capítulos após a conclusão de uma fase, mas em boa parte dos capítulos, já existe de imediato, pelo menos mais de uma opção. E não tem certo ou errado, a progressão é aberta, o jogador escolhe qual criatura investigar primeiro.

    Mesmo para desbloquear outros capítulos, a métrica aqui não é chegar ao fim da última fase, e sim conseguir estrelas o suficiente (na imagem acima, 260)que conseguimos com as descobertas (algumas descobertas valem 1, outras 2 e algumas 3 estrelas, dependendo da raridade/dificuldade).
    Tendo estrelas o suficiente, o jogador pode até mesmo pular fases e até mesmo CAPÍTULOS inteiros. O que é bem interessante, mas acaba gerando o maior problema do jogo…

    Sem Compromisso Demais?

    Em Yoshi and the Mysterious Book, a maioria das coisas não são obrigatórias. Não só o jogo traz uma progressão aberta, onde cada jogador pode avançar com fases diferentes (ou, mesmo que joguem a mesma fase, fazem descobertas diferentes) como ele é muito pouco exigente para desbloquear novos capítulos.
    Com apenas 20 estrelas, o segundo capítulo já é liberado, e isso é possível com uma única fase! O sexto capítulo exige 218, e considerando que cada fase tem mais de 20 estrelas, isso dá menos de 10 fases.
    O jogo já não tem dano/vida, nem limite de tempo, sendo possível ficar o quanto quiser em cada fase, então, dava pra exigir mais do jogador que sente que está avançando rápido demais. Pra piorar, a Nintendo utilizou novamente do “final falso”, com uma batalha de chefe que leva aos créditos após o capítulo 6, dando a sensação de que o jogo terminou ali; mas nem a história terminou, como ainda existem novos capítulos depois daquele ponto. Como esses novos capítulos são, de certa forma, mais difíceis, talvez a Nintendo quis deixar as crianças satisfeitas com um final falso, ou, por conta da progressão aberta demais, ela precisava desse final falso para finalmente colocar uma barreira maior entre o capítulo 6 e os demais.

    O jogo é sim, curto, em termos de “possibilidade de término”. Pulando fases/capítulos, ou fazendo apenas o mínimo delas, em 8 horas se chega no final verdadeiro. O ponto é que Yoshi and the Mysterious Book não é sobre “chegar ao final” -nem da fase, nem do jogo- é sobre curiosidade, experimentação e quebra-cabeças sobre cada uma das mais de 50 criaturas/fases do jogo.
    Mesmo quem não buscar os literais 100%, fazendo todas as descobertas, mas apenas experimentar do jeito que sua curiosidade pedir, cada uma dessas criaturas, que nada mais são do que ferramentas de gameplay, certamente levará mais que o dobro disso.
    Os 100% também são fáceis de conseguir, já que é possível pagar por dicas, 20 por uma simples, e 100 por uma “completa”. Mesmo assim, novamente, são muitas descobertas por fase, e algumas envolvem sim um desafio motoro, ou seja, mais do que saber o que fazer, tem alguma dificuldade em conseguir fazer.
    Sendo assim, no fim o jogo entrega mais de 40 horas de conteúdo, espalhado em dezenas de fases, cada uma com uma mecânica diferente. Um verdadeiro show de criatividade.

    Outros Aspectos

    Em termos de direção de arte, o jogo é incrível. O estilo visual que simula uma aventura que se passa num livro ficou excelente. Olhando de perto (principalmente no portátil) dá pra ver que o jogo poderia ter uma qualidade de imagem final melhor, mas a parte artística não deixa esses pontos ruins terem algum destaque.

    A música é boa, e coloca alguns temas na cabeça. Mas no geral, não chega a ser nada incrível. Serve bem ao propósito, mas tirando alguns composições, não é nada demais. O Sound Design vai pro mesmo caminho, com alguns momentos de destaque, mas no geral, apenas cumpre seu papel.

    Em termos de performance, o jogo também é satisfatório, mas não perfeito. Algumas transições de tela tem travamentos, e loadings no jogo são maiores do que deveriam pra um jogo 2D de pequenas fases no Nintendo Switch 2. Aliás, esse jogo não aparenta ter algo muito pesado para o Switch original, apenas se preservando de possíveis problemas de desempenho, já que ele foi feito na Unreal Engine 5, um motor bem mais recente do que o console Switch 1.

    A história acaba sendo um ponto fraco. Por mais que aventuras casuais e familiares como essa, costumam ter essa direção narrativa de “apenas um gancho pro jogo acontecer”, até mesmo o saudoso Yoshi’s Island de Super Nintendo tem um enredo mais elaborado. Praticamente, apenas uma fase por capítulo traz algum diálogo entre Yoshi e a dupla Bowser Jr. e Kamek, e mesmo eles, não tem nada muito relevante, tanto que podem ser pulados.
    A narrativa desse jogo é possivelmente menor que este parágrafo sobre ela.

    Conclusão

    Sem dúvidas alguma, Yoshi and the Mysterious Book fecha com um saldo super positivo, deixando um sorriso no rosto de quem o jogou, e surpreende por elevar a importância da franquia no catálogo dos jogos de plataforma.

    A fórmula de game-design está perfeita. O modelo “Discover-a-thon” é valioso, único e se a criatividade da Good-Feel permitir uma sequência, basta replicar o modelo, corrigindo os poucos erros do jogo, que basicamente são sobre acreditar pouco no impacto do game, aumentando ambição, dando músicas, história e outros elementos técnicos mais elaborados e ambiciosos. Basicamente, subir o escopo do jogo.
    Além disso, é ótimo ter liberdade de progressão, mas a facilidade em progredir não pode ser tanta a ponto de permitir que jogadores mal joguem o próprio jogo. Mas isso ainda é um “problema opcional” que aqueles que se permitirem curtir o jogo sem pressa, não experienciarão.

    Pontuações:

    Avaliação Técnica:

    • Direção de Gameplay: Terrível / Ruim / Insatisfatório / OK / Satisfatório / Ótimo / Incrível (3/3).
    • Direção Multi-Arte: Terrível / Ruim / Insatisfatório / OK / Satisfatório / Ótimo / Incrível (2,5/3)
    • Desempenho e/ou Funcionalidades: Péssimo / Insatisfatório / OK / Satisfatório / Ótimo (1,5/2)
    • Conteúdo e/ou Fator Replay: Péssimo / Insatisfatório / OK / Satisfatório  / Ótimo  (1,5/2)

  • Estamos Jogando: Mina the Hollower Tem Tudo Pra Ser Top Indies de 2026

    Estamos Jogando: Mina the Hollower Tem Tudo Pra Ser Top Indies de 2026

    Mina The Hollower é a nova aposta do estúdio Yatch Club, e chega na próxima semana. Tivemos acesso às primeiras horas do jogo, e nessa prévia, dá pra entender porque o estúdio está colocando suas fichas nesse jogo.

    Ideal pros fãs dos Zeldas clássicos, aliás, não só de Zelda, mas dos jogos retrôs em si, Mina the Hollower parece simples, mas é simplesmente o maior jogo da Yatch Club, os criadores do lendário jogo Shovel Knight, que foi uma referência indie por muito tempo.
    Se trata de um jogo gigantesco, de mundo interconectado e com o polimento característico do estúdio.

    Gameplay

    No jogo, podemos escolher entre 3 armas iniciais: martelo, faca e uma mangual (aquela bola de espinhos numa corrente), além de termos uma arma secundária que é um item consumível (como num Castlevania) e até um sistema de level está presente.

    Mas o destaque fica pra mecânica que influencia principalmente a parte da exploração e plataforma, e é a habilidade de cavar e se locomover embaixo da terra. Isso é usado pra saltar mais longe, pegar objetos pesados e desviar de ataques inimigos, além de encontrar uns cantos mais escondidos. Dito isso, em vários momentos, é preciso usar essa habilidade com precisão, pois timing é algo relevante nesse jogo, tanto no momento de cavar, quanto no de sair, se não o pulo/desvio/etc pode sair errado e mais atrapalhar que ajudar.

    Extras

    Além disso, o jogo fez mais do que o dever de casa. No Switch 2 ele tem opção de 120fps, tem inúmeros filtros de imagem, e o mais legal é que o jogo tem vários modificadores, desde uns que aumentam ou dificultam o jogo, qualidade de vida, e até regras mais caóticas pros jogadores customizarem sua experiência, o que é bem útil principalmente pro fator replay, porque de repente você não quer mexer em nada pra ter a experiência “padrão”, mas, rejogando, aí sim liga um monte de coisa, faz experimentações e nisso, vira outro jogo.

    Nós jogamos a versão final, e se parecia bom, agora já dá pra cravar que esse aqui vai ser um dos indies de destaque do ano. Tá simplesmente tudo bem satisfatório no jogo, combate, puzzles, exploração, level design, trilha, cenários…tá tudo bem redondinho mesmo.

    E é um universo bem estruturado, com várias cidades, um plot interessante, em resumo, a Yatch Club “cozinhou” aqui.
    Ainda não jogamos o suficiente pra um veredito, aqui é apenas uma prévia, mas… provavelmente um tier S vem aí.

  • Análise: Tales of Arise É Bem Melhor Do Que Aparenta

    Análise: Tales of Arise É Bem Melhor Do Que Aparenta

    Tales of Arise é o mais recente capítulo da lendária série de Action J-RPG que, a esta altura, já soma 31 anos desde seu primeiro jogo em 1995. O jogo foi lançado, originalmente, em 2021 para a atual e antiga geração, e agora, em 2026, finalmente chega pra uma plataforma Nintendo pelo Switch 2; curiosamente, poucos meses após o penúltimo jogo da série, Tales of Berseria chegar ao Nintendo Switch.

    De Berseria para Arise, tivemos o maior tempo sem jogos da série, foram 5 anos de distância, e não foi à toa: este novo jogo foi feito pra ser o mais ambicioso da série, e expandir o alcance dela pra jogadores de J-RPGs de ação num geral.
    Hoje, é dia de conversarmos sobre quais foram essas mudanças e evoluções que o jogo apresentou, e como ele se saiu no Switch 2.

    E já adiantando um pouco sobre isso: boas notícias estão por vir, pois nenhum material promocional é capaz de transmitir as verdadeiras e principais qualidades deste título.

    História

    A história de Tales of Arise começa apresentando o contexto de 2 “raças” que habitam 2 planetas: Dahna (os Dahnianos) e Rehna (os Rehnanos). O povo de Rehna possui uma vantagem mágica, eles podem usar as chamadas Ars Astrais. Com esse poder e tecnologia superior, os Rehnanos dominaram Dahna e seu povo, 300 anos antes dos acontecimentos do jogo.
    Os Rehnanos dividiram Dahna em 5 reinos, e a cada 10 anos, os lordes de cada uma delas entram numa espécie de “concurso/torneio” para ver quem se torna o chefe geral dos 2 planetas. Porém, não é um torneio físico: vence quem conseguir absorver mais energia astral de seu reino, e isso significa, tirar a energia não só de Dehna, mas principalmente do seu povo, agora escravizado por Rehnanos.
    Resumindo e com os “pingos nos is”: O lorde de Rehnano que conseguir explorar mais os Dahnianos, vence.

    As coisas começam a mudar quando uma dupla improvável se une: nosso protagonista, Alphen, Dahniano, vive num reino onde o regime é literalmente uma escravidão. Ele perdeu a memória e está com uma máscara de ferro que não pode ser removida.
    Esse escravo Dahniano encontra uma misteriosa Rehnana chamada Shionne que estava em cativeiro, e possui uma maldição que faz com que quem encostar nela, seja eletrocutado.
    Ambos vão parar juntos na sede de uma resistência Dahniana. O escravo, luta pela liberdade, e a Rehnana exilada, por algum motivo, quer eliminar os 5 lordes. Mesmo sendo de origens rivais, o objetivo dos 2 é o mesmo e eles formam uma parceria, que já é o primeiro ponto interessante dessa história, afinal, não se trata de uma dupla que morre de amores um pelo outro, e por onde passam, a ideia de 2 rivais trabalhando juntos é estranho para todos daquele mundo.

    Entendendo o contexto de nação subjulgando outra, o segundo ponto de destaque vem do desenvolvimento dessa temática:
    Nosso objetivo e progressão do jogo é visitar cada um dos reinos e acabar com o lorde Rehnano de lá (objetivo da Rehnana) e libertando o povo (objetivo do Dehniano). Porém, é extremamente elogiável a forma criativa que os desenvolvedores escreveram esses 5 impérios: cada uma das regiões sofre um tipo de regime diferente. A inicial, como citado, é uma literal escravidão, do tipo dos tempos bíblicos mesmo; em outro reino, o lorde fez a própria população se voltar uns contra os outros na tentativa de receber alguma compensação.
    Nenhum dos 5 é igual. 
    Então, cada visita à um novo reino carrega um tipo de “curiosidade” sobre o passado e presente daquele reino.

    E isso leva ao terceiro ponto positivo da história: o grupo protagonista. Pouco a pouco, a dupla improvável vai crescendo, com novos integrantes que decidem se juntar à causa. Não são muitos, mas cada vem de um lugar, e por isso, traz uma visão, um contexto e uma motivação pessoal única. Todos são bem escritos e possui algo a ser moldado na jornada.

    A história do jogo ainda vai tratar de outros temas, voltados à lore de personagens e daquele universo, afinal, vale lembrar que a dupla é composta por um Dahniano sem memória e com uma máscara de ferro que não pode ser removida, e uma Rehnana que tem uma maldição desde que nasceu e que ninguém sabe o motivo de querer eliminar os 5 lordes. Os clássicos arcos de respostas e revelações dos RPGs japoneses.

    Por fim, essa versão do Switch 2 inclui a expansão “Beyond the Dawn” que se passa um ano depois e adiciona de 10 a 20 horas de jogo. Falar sobre a história dela acaba trazendo spoiler sobre o jogo base, então, fica apenas a menção sobre.

    Gameplay – Combate

    Em combate, Arise se mostra um jogo mais familiar aos demais J-RPGs e um pouco menos Tales of tradicional, embora ainda com diversos elementos comuns da série.
    Se trata de um combate de ação mesclando ataques básicos e e especiais, as Ars, que consiste numa lista que o jogador escolhe qual usar nos botões Y,X e A, tanto em chão quanto no ar. As Ars custam BA (um tipo de mana). No começo temos somente 3 BAs e ao longo do jogo vamos expandindo esse número. A ideia é que o jogador escolha as Ars que mais o agrada e forme combos feitos manualmente, num sistema menos hack n’ slash, e até mais próximo de um jogo de luta.
    Mas essa é somente a base, ao longo do jogo, nosso grupo vai aumentando e cada vez mais mecânicas vão sendo acrescentadas, ou seja, mesmo após dezenas de horas de jogo, vez ou outra o jogo vai te chamar pra ensinar alguma coisa nova. A variedade de personagens e Ars ajudam nesse processo de expansão e variedade, já que cada personagem tem um estilo diferente, uma série de Ars para serem experimentadas, além de terem uma vantagem única, por exemplo, só uma personagem pode interromper magias inimigas que estão sendo carregadas, só um personagem pode quebrar escudos, etc. Isso torna o grupo de Tales of Arise ainda mais especial, primeiramente pela história e background, mas no combate também eles tem sua função única.

    O combate acaba se dividindo em 3 tipos: inimigos comuns, chefes principais e inimigos mais fortes.
    As batalhas comuns são o momento do jogador brilhar, desferindo combos devastadores e emendando mecânicas em cima de mecânicas. É muito satisfatório por parte do jogador, mas os inimigos em si acabam sendo chatos por raramente ameaçar, mesmo subindo a dificuldade, isso não melhorou. O segredo é que nesses inimigos, o desafio não é vencer somente, mas administrar uma barra chamaa PC, que usamos para curas, então, o verdadeiro desafio é atravessar os mapas que exploramos e derrotar todas as hordas sem esgotar o PC, porque sem ele, aí sim, cada combate pode ser fatal.
    Os chefes são o extremo oposto, é uma batalha única que exige todos seu PC, itens, e o que você tiver disponível. São bem desafiadoras e exige menos “chuva de golpes” e mais atenção para o momento certo de acertar golpes. Porém, eles tem o problema de não entrar no estado vulnerável que permite usar os combos que você tanto praticou, neles, o inteligente é usar Ars mais fortes que gastam mais BAs, pois não dá tempo de emendar diversos ataques.
    O que acaba sendo mais interessante são as criaturas mais fortes que o normal, praticamente sub-chefes, alguns opcionais, outros não. Eles possuem um ponto fraco que ao quebrar, aí sim o jogador pode desferir diversos ataques em seguida. Acabou sendo um meio termo mais interessante do que as inofensivas batalhas comuns, e as desafiadoras, mas quase sem combos, batalhas de chefe.

    No geral, acaba que o tema “administrar PC” predomina em todas elas, com PC suficiente, todo chefe é uma questão de tempo pra ser eliminado, e nenhuma horda fica intimidadora. Por isso, itens que recuperam esses PCs são levemente raros e caros, afinal, se for fácil de estocar, acaba a dificuldade do jogo.

    Exploração

    Na exploração, o jogo já se mostra mais próximo dos seus antecessores: temos vários mini-mapas, com exploração fechada, escondendo itens, cavernas e as tais criaturas mais fortes que o normal.
    Alguns mini-mapas tem um formato mais linha reta, outros são mais circulares e existem ainda alguns momentos que são praticamente dungeons, exigindo muita exploração, coleta de chaves pra abrir portas, e até leitura de itens pra entender onde ir.

    Nenhum mini-mapa é uma área gigantesca, como as de um Xenoblade, por exemplo. Em geral, uma linha reta entre as pontas leva 1 minuto ou menos, e explorar toda a área leva uns 10 minutos no máximo, o que é expandido por batalhas, claro.
    A progressão do jogo é em geral, linear, então, uma vez passado, você só volta nos mini-mapas anteriores pra cumprir uma side quest, desafiar uma criatura mais forte que estava muito acima do seu level quando você a viu pela primeira vez, e de vez em quando tem uma porta nova que se abre e a história te pede pra retornar lá.

    Música e Visuais

    O art-style de Tales of Arise é bem original. Se trata de um cel-shading (técnica que faz parecer que é um desenho), mas, principalmente nos cenários, tem um aspecto menos “anime” e mais “pintura”, o que se intensifica em cenários abertos quando vemos de longe. É extremamente bonito e tanto nas cidades quanto nas rotas entre elas, o jogo entrega locais muito detalhados e ricos visualmente falando.
    Os personagens também são muito bem desenhados, desde o grupo protagonista, os vilões principais, e até os monstros e NPCs.

    A música acompanha o bom tom gráfico e entrega temas orquestrados de primeira. Os temas de batalhas são bons, mas honestamente não extraordinários, além de sofrerem com o fator de ter um grupo grande contra inimigos diversos e todos eles falando ao mesmo tempo, o que muitas vezes não nos permite prestar atenção no tema musical em si. Já os temas das cidades e rotas são fenomenais e marcantes, sendo ponto forte da trilha.

    Em geral, essa parte multi-arte de história, trilha e visuais são bem fáceis de se gostar, tornando esse action-RPG, muito mais sobre pancadaria, e sim um ótimo pacote completo.

    Desempenho no Switch 2

    Tales of Arise está incrível no Switch 2. OK, é um jogo que saiu também para a geração passada (PS4/One), então, não seria um desafio técnico para a plataforma, mas mesmo assim, o que temos em mãos é extremamente satisfatório.

    Os cenários continuam lindos, e é curioso que no modo portátil, o jogo acaba intensificando seu fator “pintura”, já que perde alguns efeitos de iluminação. É bonito nos 2 modos, com o portátil entregando uma experiência visual mais básica porém satisfatória, enquanto na dock o jogo vai abusar de efeitos pra realmente impressionar.

    Mas nem tudo é perfeito. O jogo roda a 30 quadros por segundo por causa do combate, afinal, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Até existem cenas que sobem a taxa, e provavelmente na exploração daria pra ser 60 também, mas ficaria estranho explorar com alta fluidez e na troca pra batalha, o jogador sentir a queda de 60 pra 30.
    Além disso, o único grande problema é o frequente pop-in, aquele problema onde conforme o jogador vai andando, parte do cenário vai aparecendo. Isso acontece com frequência e tira o “10/10” que a versão poderia ter recebido.

    Conclusão

    Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition é uma jornada incrível, e muito melhor do que aparenta, já que seus principais pilares não podem ser vistos em trailers ou vídeos curtos de gameplay:
    -Sua história muito bem desenvolvida sob a temática de nações rivais inimigas, e seus personagens.
    -Seu combate que pode parecer um “smash button”, mas exige uma calma e precisão e até estratégia sobre as melhores Ars para se usarem nos melhores momentos.
    -Seus incríveis cenários e temas musicais.

    Além disso, é um jogo com conteúdo vasto, de 40 a 60 horas de campanha, fora extras que levam pra 80 ou mais, e a expansão Beyond the Dawn, garantindo mais 10 a 20 horas.
    O jogo está todo em português, com um preço de lançamento de R$285, um valor abaixo dos novos lançamentos, e no geral, se mostra um pacote simplesmente imperdível pra fãs de J-RPG ou games com narrativas bem trabalhadas em temas mais sérios.

    Em alguns pontos, fãs da série podem argumentar que o aumento no escopo, fez a série reduzir algumas de suas características, mas que o resultado final ficou excelente, isso ninguém vai contestar.

    Avaliação do Preço cheio (R$285):

    MUITO CARO /  Caro / Inadequado / Justo / Bom Preço / Ótima Precificação / Pechincha

    Avaliação Técnica:

    • Direção de Gameplay: Terrível / Ruim / Insatisfatório / OK / Satisfatório / Ótimo / Incrível (2,5/3).
    • Direção Multi-Arte: Terrível / Ruim / Insatisfatório / OK / Satisfatório /  Ótimo / Incrível (3/3)
    • Desempenho e/ou Funcionalidades: Péssimo / Insatisfatório / OK / Satisfatório / Ótimo (1,5/2)
    • Conteúdo e/ou Fator Replay: Péssimo / Insatisfatório / OK / Satisfatório  / Ótimo  (2/2)
    • Nota Técnica Final: 9/10
    • Tier List : S