Análise: Split Fiction eleva o coop em tela dividida a outro nível

Uma coleção de experiências únicas em um só jogo

Split Fiction é, sem exagero, um dos melhores jogos cooperativos já criados. E “um dos melhores” aqui não é força de expressão: ele disputa de igual para igual o trono de melhor experiência a dois. Desenvolvido pela Hazelight — estúdio que já conquistou o prêmio de Jogo do Ano com It Takes Two —, o game chega ao Nintendo Switch 2 com a missão de mostrar até onde pode ir a criatividade no coop em tela dividida. E, já adiantamos: fãs de jogos cooperativos têm aqui um título obrigatório.

Confira essa análise aqui no site ou assista em vídeo para mais detalhes:

Uma história dividida entre fantasia e ficção científica

O nome Split Fiction já entrega a proposta central, tanto em enredo quanto em gameplay. O termo “split” remete à jogabilidade em tela dividida (split-screen), enquanto “fiction” se conecta à trama: duas escritoras, com personalidades opostas, sofrem um acidente em uma misteriosa máquina capaz de absorver histórias e são transportadas para dentro desses mundos literários.

A primeira protagonista é apaixonada por fantasia medieval, enquanto a segunda é fascinada por ficção científica. Essa diferença não é apenas cosmética: o jogo alterna constantemente entre cenários, temáticas e mecânicas inspiradas nessas duas vertentes narrativas. O contraste é visual, mecânico e até de tom, e isso mantém o jogador sempre estimulado.

Como é tradição na Hazelight, Split Fiction só pode ser jogado em modo cooperativo para duas pessoas. Nada de experiência solo ou para mais de dois jogadores — o game foi pensado do início ao fim para a parceria. Pode parecer restritivo, mas o estúdio e a EA incluíram várias ferramentas para garantir que ninguém fique de fora:

  • Online robusto e estável, sem complicações para conectar.
  • Crossplay completo: no Switch 2 você joga com amigos no PC, Xbox ou PlayStation.
  • Passe de Amigo: quem tem o jogo pode convidar um amigo para jogá-lo inteiro, sem que ele precise comprar.
  • GameShare local: permite compartilhar a tela com um Nintendo Switch original, desde que seja presencialmente.

Com tantas opções, o maior desafio é escolher quem vai ser seu parceiro de aventura.

Como funciona o gameplay

A grande sacada de Split Fiction é a alternância entre capítulos temáticos. Cada capítulo é praticamente um jogo próprio, com mecânicas exclusivas e ambientações completamente diferentes. Ao final, a sensação é de ter experimentado uma coletânea de oito jogos cooperativos dentro de um só pacote.

A progressão é simples e bem amarrada: você entra no capítulo, enfrenta desafios, encontra fases secundárias e assiste a cutscenes que avançam a história. Depois, tudo recomeça com uma nova mecânica, nova estética e novas ideias. É uma sequência constante de novidades.

Essas fases secundárias merecem destaque. Elas não são obrigatórias, mas oferecem algumas das experiências mais criativas e memoráveis do jogo, com direito a homenagens a clássicos de diferentes gêneros. Encontrá-las é uma recompensa por si só.

A complementaridade entre as protagonistas é outro ponto forte. Suas ações raramente são iguais — quase sempre elas realizam tarefas diferentes que se cruzam, exigindo sincronia e comunicação. Isso reforça a proposta do “jogar junto” e torna impossível a experiência solo.

Em termos de gênero, Split Fiction é um híbrido ousado: há puzzles inteligentes, trechos de plataforma, momentos de combate e desafios que variam de capítulo para capítulo. Essa variedade garante que o jogo nunca se torne repetitivo.

Desempenho e limitações

Apesar de toda a criatividade, há problemas técnicos na versão de Switch 2. O visual é bom para o console, mas a performance deixa a desejar. O jogo tenta manter 30 fps estáveis, mas oscila, e atingir 60 fps é praticamente impossível. Não chega ao ponto de comprometer a experiência, mas não é o título ideal para mostrar o poder do novo hardware.

Outro ponto que pode dividir opiniões é o formato linear. Não há mundo aberto, exploração profunda ou colecionáveis abundantes — o foco está no fluxo contínuo de gameplay. As fases secundárias são a exceção, mas mesmo elas seguem objetivos claros e fechados.

O que o jogo acerta em cheio

Se por um lado a performance não impressiona, por outro, Split Fiction acerta em praticamente todo o resto.
A dificuldade é bem calibrada: chefes e desafios têm peso, mas sem frustração exagerada. Checkpoints generosos evitam repetição desnecessária, e o sistema de reviver o parceiro mantém a ação fluida.

As fases secundárias, além de divertidas, mostram o quanto o estúdio queria explorar ideias que não cabiam nos capítulos principais. É onde encontramos alguns dos confrontos mais criativos.

A narrativa, mesmo com foco no gameplay, não é rasa. Há desenvolvimento de personagens, momentos sensíveis e uma boa cadência entre ação e história. É um jogo que quer contar algo, não apenas oferecer mecânicas.

Tecnicamente, os controles respondem bem, a trilha sonora acompanha os momentos de tensão e emoção, e a direção de arte acerta ao transitar entre mundos tão diferentes sem perder coerência visual. As dublagens e atuações também dão vida à dupla de protagonistas.

E, sem spoilers, vale dizer: o jogo não se limita a “copiar ideias conhecidas”. Ele reserva surpresas mecânicas que desafiam o jogador a pensar “como isso é possível?”. Hazelight mais uma vez prova que não tem medo de experimentar.

Conclusão: um novo patamar para o coop

Split Fiction é criativo, divertido e ambicioso. É o tipo de jogo que não se contenta em repetir fórmulas: ele quer elevar o nível do que entendemos por gameplay cooperativo. Do início ao fim, a experiência é um convite para sorrir, se surpreender e criar memórias a dois.

Ao mesmo tempo, ele coloca pressão sobre os próprios criadores — como a Hazelight vai superar isso? Se videogames são uma cozinha, aqui eles usaram todos os ingredientes para servir um banquete de variedade e diversão. E, o mais impressionante: tudo foi bem temperado e bem servido.

Seja você fã de fantasia, ficção científica ou simplesmente de boas ideias, Split Fiction é uma recomendação certeira no Switch 2. Não é perfeito, mas é marcante, e isso o coloca entre os grandes desta geração.

Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

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