Análise: Final Fantasy VII Remake Intergrade é incrível, mas linear demais

Final Fantasy VII Remake Intergrade marca, enfim, o retorno de um Final Fantasy de primeiro escalão aos consoles Nintendo. Depois de anos recebendo relançamentos, spin-offs e adaptações curiosas (como Final Fantasy XV Pocket), faltava à plataforma um título moderno, ambicioso e representativo do peso que a franquia tem dentro da Square Enix. E é justamente isso que o Switch 2 recebe logo no início de sua vida: a confirmação de que toda a trilogia de Final Fantasy VII chegará ao console, começando com Remake no dia 22 de janeiro.

Esse primeiro capítulo já se coloca, sem exageros, entre os melhores jogos disponíveis no Switch 2. Ainda assim, decisões claras de design, principalmente ligadas à progressão e estrutura, impedem que o jogo alcance todo o brilho que poderia ter.

O que é Final Fantasy VII Remake Intergrade

Explicar Final Fantasy VII Remake Intergrade exige voltar um pouco no tempo. O Final Fantasy VII original foi lançado em 1997 para o PlayStation 1 como um RPG de turnos que se tornaria um dos jogos mais influentes da história. Em 2020, a Square Enix lançou o remake do jogo para PlayStation 4, reimaginando completamente sua jogabilidade e estrutura, transformando-o em um RPG de ação com elementos estratégicos herdados do sistema clássico.

O detalhe fundamental é que essa recriação foi dividida em três partes. O jogo analisado aqui corresponde apenas à primeira delas. A segunda parte, Final Fantasy VII Rebirth, foi lançada em 2024, já está disponível no PC e tem chegada confirmada ao Switch 2. A terceira parte ainda não foi apresentada oficialmente, mas também está garantida para o console da Nintendo.

O “Intergrade” no nome representa a inclusão da DLC Episode Intermission, uma história paralela curta protagonizada por Yuffie, que acontece durante os eventos do jogo base. Esse conteúdo adicional já vem incluso, sem custo extra.

Vale destacar que essa trilogia não é apenas um remake tradicional. A narrativa se permite desvios importantes em relação ao jogo original, o que levou muitos fãs a interpretarem o projeto como uma espécie de linha do tempo alternativa. Isso garante que até quem conhece profundamente o Final Fantasy VII de 1997 encontre surpresas e mistérios novos ao longo da jornada.

Como funciona o jogo

A maior mudança em relação ao Final Fantasy VII original está no combate. O sistema de turnos deu lugar a um combate de ação em tempo real, mas que mantém elementos estratégicos clássicos da série. Ataques básicos preenchem uma barra chamada ATB e, ao gastar essa barra, o jogador pode pausar a ação para escolher magias, habilidades especiais ou itens, como em um RPG de turnos.

Também é possível mapear algumas dessas ações para uso em tempo real, mas o jogo nunca se comporta como um hack’n slash puro. A movimentação, defesa e esquiva não são tão responsivas quanto em jogos como Bayonetta, e isso é proposital. Final Fantasy VII Remake não quer que o jogador vença apenas pela habilidade com o controle, mas sim pelo equilíbrio entre ação e estratégia, preservando a identidade da franquia.

O combate é, sem dúvida, o aspecto mais “RPG” do jogo. Cada personagem possui múltiplos equipamentos, armas com árvores próprias de melhorias e habilidades exclusivas que precisam ser aprendidas antes de serem usadas com outros equipamentos. As clássicas matérias retornam, oferecendo magias elementais, efeitos de status, melhorias passivas e invocações, expandindo bastante as possibilidades de build.

Por outro lado, o elenco jogável é reduzido. A party nunca passa de três personagens e, na prática, o jogo trabalha quase sempre com apenas quatro protagonistas principais. Além disso, esses personagens raramente estão todos juntos. O grupo se divide com frequência, criando capítulos focados em duplas ou até em Cloud sozinho. Isso reforça a ideia de que o jogo está mais interessado em contar sua história do que em oferecer liberdade total de formação de grupo.

Narrativa forte, progressão extremamente linear

Toda a história de Final Fantasy VII Remake se passa em Midgar, que no jogo original funcionava quase como uma introdução. Aqui, esse trecho é expandido para um jogo de mais de 30 horas, com o objetivo de aprofundar o universo, os personagens e a cidade que serve de palco para o conflito entre o grupo Avalanche e a corporação Shinra, que explora a energia vital do planeta.

Essa escolha narrativa tem consequências diretas na estrutura do jogo. A progressão é extremamente linear. Em poucos capítulos o jogador tem acesso a áreas um pouco mais abertas, com vendedores e algumas missões secundárias e mesmo assim, essas áreas ficam disponíveis apenas naquele momento específico. Ao avançar na história, não é possível retornar a esses mapas.

Final Fantasy VII Remake não é um RPG focado em exploração. Minigames e momentos de descontração existem, mas surgem apenas quando a narrativa permite. A maior parte do tempo, o jogador avança por corredores altamente cinematográficos, com pouca ou nenhuma possibilidade de desvio.

Essa linearidade chega a incomodar. O jogo constantemente impede o jogador de voltar alguns metros para pegar um item ou explorar um caminho alternativo. NPCs interrompem o progresso para “corrigir” a rota do jogador, reforçando a sensação de que a experiência está sempre de mãos dadas, sem espaço para escolhas reais.

O conteúdo adicional: Episode Intermission

A DLC Episode Intermission segue a mesma estrutura do jogo base, mas em uma experiência mais compacta, com cerca de cinco horas. Aqui, o controle é focado em Yuffie, acompanhada por Sonon, um parceiro controlado pela IA, mas que pode receber comandos.

O grande diferencial está no sistema de sinergia, que permite ataques combinados e habilidades especiais em dupla. Yuffie também apresenta um conjunto de movimentos próprios bastante interessante, tornando a DLC um complemento sólido e relevante dentro do pacote.

O que funciona e o que pesa contra

Tecnicamente, Final Fantasy VII Remake é excelência pura. Visual, animações, trilha sonora reorquestrada, design de som e fotografia estão em altíssimo nível. É evidente o cuidado em respeitar e valorizar o jogo original.

O combate encontra um equilíbrio muito bem-sucedido entre tradição e modernidade, funcionando como uma marca da trilogia. A decisão de forçar o jogador a se adaptar aos personagens disponíveis em cada capítulo também estimula variedade estratégica.

As missões secundárias são poucas, mas muitas oferecem recompensas relevantes, tornando válido completá-las.

No Switch 2, o jogo impressiona principalmente no modo portátil, entregando uma qualidade visual próxima à do PlayStation 4 na palma da mão. Existem quedas de desempenho em algumas cenas e a ausência de um modo performance a 60 fps é sentida, mas o conjunto ainda é muito sólido.

Os principais problemas estão na progressão. A linearidade excessiva e o ritmo arrastado em alguns capítulos deixam a sensação de que o jogo poderia facilmente ser algumas horas mais curto. A expansão de Midgar, embora rica em contexto, nem sempre se justifica em termos de gameplay.

Vale a pena jogar Final Fantasy VII Remake Intergrade no Nintendo Switch 2 ?

Mesmo com problemas claros de linearidade e ritmo, Final Fantasy VII Remake Intergrade se sustenta pela excelência artística, pelo combate refinado e pela força de sua narrativa. O pacote completo, jogo base + DLC, oferece facilmente mais de 40 horas de conteúdo e constrói uma base sólida para o restante da trilogia.

A falta de liberdade impede que este primeiro capítulo alcance a perfeição, mas o próprio Rebirth já indica um caminho mais aberto, o que aumenta ainda mais a expectativa para sua chegada ao Switch 2.

Final Fantasy finalmente retorna aos consoles Nintendo com seus jogos principais, e isso, por si só, já é um marco histórico.

Nota técnica final: 9/10
Tier de recomendação: S – Sublime
Avaliação do preço cheio (R$230): Inadequado

Pré-indicado ao Coelho Awards 2026 nas categorias Melhor RPG e Melhor Jogo Third-Party.

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Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

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