“Queremos ser o mais acessíveis possível”: Nintendo fala sobre preços, português brasileiro e o futuro da Nintendo no Brasil

Durante a gamescom latam 2026, o Coelho no Japão conversou com Bill van Zyll, vice-presidente da Nintendo para a América Latina, sobre alguns dos temas mais discutidos pela comunidade brasileira atualmente.

Na entrevista, Bill comentou a recente redução de preços dos jogos físicos e digitais, explicou os bastidores das decisões envolvendo localização em português brasileiro, falou sobre o crescimento da Nintendo no Brasil, o relacionamento com desenvolvedores nacionais e até mesmo sobre as mudanças recentes na liderança da Nintendo of America.

A seguir, confira a entrevista em formato ping pong, com ajustes mínimos apenas para clareza e fluidez da conversa, preservando ao máximo o conteúdo original das respostas.

Coelho no Japão: Bill, é muito bom te ver de novo, meu amigo. Faz um tempinho, né?

Bill van Zyll: Sim, sim. Temos uma cadência regular, mas já fazia um tempo desde o ano passado.

Coelho no Japão: E agora estamos na gamescom latam com uma loja linda. Vocês mudaram bastante o layout este ano.

Bill van Zyll: Nós sempre tentamos modificar e aprender com o ano anterior. Pegamos os aprendizados do ano passado e continuamos evoluindo, mantendo tudo fresco também.

Coelho no Japão: Você está animado com a gamescom latam? Parece ser a maior edição até agora.

Bill van Zyll: Sim, ela continua evoluindo. Esse é o terceiro ano e estamos felizes por fazer parte disso novamente.

Temos oportunidades de fotos, Mario e Luigi aqui para o público, muitos jogos para testar e também alguns jogos indies. Temos desenvolvedores brasileiros aqui, além de estúdios de outros países da América Latina e também jogos third-party. Temos EA FC, Just Dance… então existem muitos jogos para as pessoas experimentarem.

E claro, também estamos felizes em conversar com pessoas como você.

Outra coisa importante é que continuamos nos envolvendo com estúdios locais. Temos algumas pessoas do nosso time PDR aqui — o time de relações com desenvolvedores. Eles estão no centro de negócios tendo reuniões com estúdios locais. Então a Nintendo também está presente no business center conversando diretamente com desenvolvedores brasileiros e latino-americanos.

Coelho no Japão: Inclusive, um fato divertido: Mullet MadJack teve o trailer da versão de Nintendo Switch anunciado aqui, e eu apareço no trailer. Eles me convidaram e eu fiquei muito feliz com isso.

Bill van Zyll: Sim, um jogo brasileiro, certo? Isso é muito emocionante. Estamos felizes por dar essa exposição para eles e continuar fortalecendo parcerias com estúdios locais.

Coelho no Japão: E o outro jogo, Nicktoons, também tem um amigo meu trabalhando nele. Não é brasileiro, mas é latino-americano.

Bill van Zyll: Sim, estamos felizes de tê-los aqui e continuar desenvolvendo essas parcerias locais.

Coelho no Japão: Como sempre, muito obrigado por me receber nessas entrevistas. É sempre ótimo conversar com você.

Mas agora estamos começando 2026 com uma boa notícia. Finalmente tivemos redução de preços nos jogos. Durante muito tempo as pessoas perguntavam: “Bill, os preços estão muito altos”. Por que a Nintendo conseguiu reduzir esses preços agora?

Bill van Zyll: A resposta é a mesma de sempre: estamos constantemente procurando maneiras de trazer nossos produtos ao Brasil da forma mais acessível possível.

Existem muitos fatores envolvidos nisso. Estamos vivendo tempos muito interessantes globalmente. Você olha as notícias e vê tudo acontecendo ao mesmo tempo. O câmbio sempre foi um fator importante, mas também existem custos de chips, custos de componentes, combustível, logística…

Agora mesmo, por exemplo, a situação no Oriente Médio impacta o preço do petróleo, o que afeta diretamente os custos de transporte e envio. O efeito em cadeia disso é enorme.

Então existem muitos fatores atuando ao mesmo tempo. Nós continuamos trabalhando com nosso time financeiro e buscando oportunidades. Também avaliamos constantemente como trazemos nossos produtos para o Brasil e, sempre que conseguimos repassar reduções de custo para os consumidores, fazemos isso.

Coelho no Japão: Então, se o dólar cair mais, existe a possibilidade de vermos mais reduções?

Bill van Zyll: O desafio é que o dólar não é o único fator. Existem muitas variáveis envolvidas hoje em dia. Mas certamente ele é um fator importante.

Coelho no Japão: Eu quero ter esperança para o futuro.

Bill van Zyll: Eu também. Quanto mais acessíveis pudermos ser, mais pessoas conseguiremos alcançar no Brasil. Essa é a nossa missão: colocar sorrisos nos rostos das pessoas. Queremos alcançar o máximo de consumidores possível aqui no Brasil.

Coelho no Japão: Tivemos também redução nos preços digitais. Isso é algo relativamente novo para a indústria. Durante muitos anos, físico e digital tinham praticamente o mesmo preço. Como surgiu essa decisão?

Bill van Zyll: Essa estratégia já existia no Japão e na Europa. Os Estados Unidos ainda não tinham implementado isso.

E novamente, isso volta ao ponto de querermos ser o mais acessíveis possível. Quando analisamos os custos envolvidos no produto físico — o chip, embalagem, transporte, logística, armazenamento — percebemos que o digital não possui muitos desses custos.

Então pensamos: “vamos repassar isso para o consumidor”.

Não é um aumento no físico, mas uma redução no digital. Nosso objetivo continua sendo disponibilizar tanto o físico quanto o digital. Existem vantagens e desvantagens para os dois formatos e queremos que o consumidor possa escolher.

Coelho no Japão: Então a Nintendo continua procurando maneiras de manter preços mais acessíveis?

Bill van Zyll: Sempre. Ao mesmo tempo, existem muitos custos envolvidos no desenvolvimento e publicação desses jogos e experiências. Mas nossa missão continua sendo colocar sorrisos nos rostos das pessoas e alcançar o maior número possível de consumidores.

Coelho no Japão: Tivemos mudanças recentes na liderança da Nintendo of America. O Doug Bowser saiu e agora temos Devon Pritchard e também Satoru Shibata. Para o público parece até que existem dois presidentes. Como funciona essa dinâmica?

Bill van Zyll: Eu entendo porque vocês veem essas mudanças e novos nomes e acabam ficando curiosos sobre como tudo funciona. Mas, honestamente, para mim e para o nosso time, em termos de direção e estratégia, não houve uma grande mudança.

O Doug Bowser esteve na Nintendo por cerca de 10 anos e foi extremamente impactante. Eu adoro esse cara. Ele teve uma carreira muito internacional. Trabalhou na Ásia, passou um tempo em Hong Kong, mas também viveu no México e na Venezuela anos atrás, quando ainda estava na Procter & Gamble.

Então, quando ele chegou à Nintendo, ele já tinha uma visão muito diferente sobre a América Latina. Isso era ótimo porque ele entendia profundamente o potencial da região e sempre foi um grande apoiador do Brasil. Mas ao mesmo tempo ele conhecia tão bem a região que sabia exatamente quais perguntas fazer e como nos desafiar internamente.

Eu costumo brincar sobre isso, mas foi absolutamente fantástico trabalhar com ele. Nós desenvolvemos juntos grande parte da estratégia da Nintendo para a América Latina.

Coelho no Japão: E como funciona agora?

Bill van Zyll: A Devon já liderava áreas muito importantes da Nintendo of America, como vendas, revenue, marketing, comunicação e serviços ao consumidor. Eu inclusive já reportava para ela antes mesmo da aposentadoria do Doug.

Então, quando ele saiu para uma aposentadoria muito merecida, ela assumiu a posição de presidente e COO da Nintendo of America. Foi uma transição extremamente suave e muito bem planejada.

Ela já esteve na América Latina várias vezes e também é uma grande apoiadora do mercado brasileiro.

A única mudança estrutural foi que, como o cargo dela era muito amplo, ele acabou sendo dividido em outras posições. Hoje temos um VP de revenue e um VP de marketing separados. Nossa operação na América Latina continua funcionando de forma híbrida entre essas áreas.

Coelho no Japão: E o Shibata?

Bill van Zyll: Tony Shibata tem uma experiência gigantesca. Ele liderou a Nintendo da Austrália muitos anos atrás e depois ficou cerca de 20 anos comandando a Nintendo da Europa.

Quando o Sr. Iwata faleceu, isso causou uma grande reorganização interna na empresa. Nesse período, o Shibata retornou ao Japão por um tempo.

Depois, analisando oportunidades e maneiras de aproveitar toda a experiência dele, ele acabou vindo para a Nintendo of America. Hoje ele atua como CEO, mas também mantém responsabilidades importantes dentro da Nintendo Co. Ltd., no Japão.

Ele também demonstra muito interesse pela América Latina. E eu sinceramente vejo tudo isso como algo muito positivo para nós, porque cada vez mais pessoas dentro da Nintendo estão olhando para a América Latina e para o Brasil com atenção.

Coelho no Japão: Os fãs estão preocupados porque vimos alguns jogos recentes sem português brasileiro. Tivemos Pokémon Pokopia, Tomodachi Life, Splatoon Raiders e Rhythm Heaven Fever sem localização. Devemos nos preocupar?

Bill van Zyll: Quero começar destacando que Yoshi and the Mysterious Book terá português brasileiro. Estamos muito animados com isso, especialmente considerando o novo filme em que Yoshi terá bastante destaque.

E também temos um anúncio enorme: Pokémon Ondas e Pokémon Ventos terão português brasileiro. Isso é gigantesco. Imagine o desafio de localizar todos os nomes dos Pokémon e manter o sentimento correto em cada idioma.

Isso é um passo enorme e sabemos o quanto os fãs estavam esperando por isso. Então eu quero deixar claro: definitivamente existem mais coisas vindo.

Coelho no Japão: Então o compromisso continua?

Bill van Zyll: Sim, o compromisso continua. Inclusive temos uma pessoa brasileira dedicada ao português brasileiro dentro da equipe de localização.

Mas essa decisão é feita jogo por jogo. Existem títulos first-party, third-party e também projetos second-party. Muitas vezes esses jogos second-party são desenvolvidos por estúdios externos que talvez não tenham recursos suficientes para determinadas localizações.

Outro fator importante é quando uma franquia começou sem português brasileiro. Quando isso acontece, muitas vezes as continuações também acabam não recebendo localização, porque isso poderia gerar confusão ou exigiria revisitar os jogos anteriores.

Esses são alguns dos fatores internos que analisamos. E vários dos jogos que você mencionou se encaixam nessas situações.

Coelho no Japão: Faz muito sentido ouvir isso explicado dessa forma. Nós como fãs continuaremos pedindo localização em português.

Bill van Zyll: E por favor, continuem pedindo. Às vezes isso é frustrante até para mim, porque eu quero exatamente a mesma coisa. Eu quero consumidores felizes.

Pode ter certeza: seja sobre preços ou português brasileiro, nós estamos olhando para isso constantemente. Existe muito foco na América Latina e muito foco no Brasil neste momento.

Coelho no Japão: Outra preocupação dos fãs é sobre o aumento global nos preços dos videogames. Devemos nos preocupar com aumentos para o Switch 2 no Brasil?

Bill van Zyll: Existem muitos fatores mudando agora globalmente. Custos de componentes, combustível, logística… tudo isso impacta. Então precisamos continuar avaliando constantemente esse cenário.

Não temos nenhuma notícia específica agora, mas é algo que continuamos monitorando.

Ao mesmo tempo, queremos continuar sendo o mais acessíveis possível, especialmente no Brasil, que enxergamos como uma enorme oportunidade.

Coelho no Japão: E como está a operação da Nintendo no Brasil atualmente?

Bill van Zyll: Ainda vemos muitas oportunidades.

Existe o público nintendista, que acompanha tudo de perto e está sempre ansioso pelo próximo jogo. Nós valorizamos muito isso.

Mas também existem muitos jogadores que ainda não tiveram contato consistente com a Nintendo.

Além disso, vemos um enorme potencial no Nintendo Switch 2 com jogos third-party. Temos EA Sports FC, jogos da Capcom, Cyberpunk, Borderlands e vários outros chegando simultaneamente com as demais plataformas.

Nosso time que trabalha com desenvolvedores locais também atua diretamente com publishers third-party para trazer esses jogos ao Switch 2 no lançamento. Isso é extremamente importante para nós.

Coelho no Japão: Então o Brasil continua sendo importante para a Nintendo?

Bill van Zyll: Com certeza. O Brasil é enorme. Muitas pessoas conhecem Mario por causa dos filmes — e o Brasil foi um mercado enorme para eles — mas ainda não tiveram contato direto com os jogos.

Nosso objetivo é conectar essas pessoas à experiência Nintendo. Dar oportunidade para elas jogarem, conhecerem os jogos e eventualmente comprarem um console.

Estamos aqui para ficar. Estamos no Brasil desde 2000 e continuamos construindo.

Coelho no Japão: Eu espero poder ajudar com isso porque é um sonho meu desde criança. Eu sempre fui apaixonado por esses mundos da Nintendo. Eu venho do interior e meus amigos gostavam de videogame, mas eles não eram tão nerds quanto eu.

Então é muito especial ver cada vez mais pessoas gostando de Nintendo também. E eu fico feliz de poder compartilhar isso.

Agora até estamos na Samsung TV também, com aquele serviço de canais deles. Então é muito legal porque mais pessoas têm a oportunidade de ouvir sobre Nintendo tanto pelos fãs quanto pela própria Nintendo.

Bill van Zyll: Isso é ótimo ouvir. Obrigado por compartilhar isso. Nós deveríamos jantar de novo qualquer dia desses.

Seria ótimo fazer um brainstorming juntos. Eu realmente gostaria de ouvir mais dos seus pensamentos.

Como você disse, você vem do interior, então tem uma perspectiva diferente. Eu gostaria muito de ouvir mais sugestões e ideias suas.

Coelho no Japão: Muitos desenvolvedores brasileiros querem produzir para Nintendo Switch, mas ainda enfrentam dificuldades com os devkits. Quando isso deve melhorar?

Bill van Zyll: Conversei sobre isso com o time do PDR. Existem várias restrições e certificações envolvidas nesse processo.

Eles estão trabalhando nisso e lembro de ouvir que talvez não esteja tão longe assim, mas preciso confirmar antes de dar qualquer data oficial.

Coelho no Japão: E sobre acessórios oficiais do Switch 2 no Brasil? Dock, carregador…

Bill van Zyll: Vou verificar isso também, mas muitos desses acessórios devem chegar através da Deal4B, que trabalha com os reparos oficiais da Nintendo no Brasil. Precisamos apenas confirmar os detalhes.

Coelho no Japão: Bill, foi incrível conversar com você mais uma vez. Muito obrigado por compartilhar todos esses detalhes.

Bill van Zyll: É sempre ótimo te ver. Nós somos do mesmo time. Queremos ver a Nintendo crescendo no Brasil e queremos consumidores felizes. Obrigado por ajudar a espalhar isso também.

Mesmo em meio aos desafios envolvendo preços, localização e expansão da marca no Brasil, a conversa com Bill van Zyll deixa clara a intenção da Nintendo de continuar fortalecendo sua presença no país. Entre reduções recentes de preços, mais jogos chegando em português brasileiro e um olhar cada vez mais atento para desenvolvedores locais e para a comunidade latino-americana, o cenário apontado pela empresa parece caminhar em uma direção positiva para os fãs brasileiros nos próximos anos.

Nota: esta transcrição passou por tradução e edição para melhorar a clareza, fluidez e organização da leitura, com ajustes mínimos preservando o sentido original das falas.

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