Análise: Hot Wheels Infinite Rush é caixa de diversão

Hot Wheel Infinite Rush será lançado no dia 10 de Setembro, pela desenvolvedora especialista em jogos de corrida, a Milestone.
Após uma duologia de Hot Wheels Unleashed que trouxe corridas arcade para o universo dos carros de brinquedo, é hora dessas corridas se passarem em 4 ilhas abertas, onde o jogador escolhe onde ir e como progredir.

A ideia é boa, e teve diversos méritos em sua execução, apontando um provável futuro pra série, mas nesse futuro, precisam ainda corrigir alguns probleminhas que impedem o jogo de ir além.

Como Funciona

Hot Wheel Infinite Rush é um jogo que podemos chamar de Sandbox, a ideia do termo é imaginar que o jogo te coloca numa caixinha de areia e de lá o jogador se diverte como quer. É exatamente essa a ideia aqui, só que em vez de uma, são 4 caixas.
As 4 ilhas tem temáticas diferentes nos visuais, e de fato parecem 4 ambientes diferentes em vez de 4 “bairros” de um mundo aberto. A ambientação brilha aqui, muito por conta da estética de “mundo real, mas de brinquedo”, é quase uma paródia aos demais jogos de corrida sandbox.

O jogador precisa superar missões principais, sendo a maioria corridas, mas não todas, para ter direito à desafiar chefes e assim se tornar o Rush Master de cada uma das ilhas.
Entre essas missões principais, uma variedade de outras atividades estão marcadas no mapa, além do jogo ter 3 tipos de coletáveis:

  • Logos da marca em locais levemente difíceis de acessar, exigindo um planejamento mínimo sobre como chegar lá.
  • Engrenagens, onde a ideia é coletar um alto número de 300 por ilha.
  • Adesivos colados pelo mundo, em que precisamos tirar fotos para obter.

Outra atividade muito interessante é desafiar os Daredevils, corredores rivais que estão sempre andando pelo mapa, e ao encontrá-los, podemos desafiá-los para uma corrida, e vencendo, obter aquele veículo. Caso o jogador falhe, não existe um reinicio rápido, será necessário reencontrá-lo no trecho que ele costuma ficar, e isso dá uma adrenalina maior aos desafios.

Em termos de jogabilidade, Hot Wheel Infinite Rush é quase um RPG. O jogo traz 4 classes de carros:

  • Versátil: Que busca equilíbrio, sem algo especial, mas sem desvantagens.
  • Titan: Uma classe que tem quase nada de velocidade natural, mas possui um turbo quase que ilimitado, a ponto de correr o risco de sobrecarregar o carro, então, o jogador precisa administrar o uso quase que contínuo de turbo, sem ser exagerado.
  • Drifter: Ideal para drifts.
  • Speeder: Velozes e que ganham mais turbo quanto mais rápido formos, então é o melhor para atingir velocidades máximas em linhas retas.

É curioso que as classes não são uma escolha. O jogo alterna as missões entre essas 4, ou seja, será necessário aprender minimamente como jogar com pelo menos um carro dos 4.
Outro sistema “RPG” vem dos Módulos de Aprimoramento, que funcionam como os “amuletos” dos RPGs: temos uma série de aprimoramentos, e até 4 podem ser equipados em cada carro, sendo um para cada nível de proficiência que tivermos ao derrotarmos os chefes das ilhas. Isso permite criar variações dentro das classes, então, podemos ter um Drifter com 4 módulos que compensam as fraquezas, e outro carro também Drifter que impulsiona ainda mais as qualidades a classe.

O Melhor e o Pior

É interessante que Hot Wheel Infinite Rush levante a discussão sobre “qual a diferença entre dar liberdade, e deixar os jogadores largados num jogo?”.
É muito legal explorar livremente as 4 ilhas, realizar as missões que quiser, e sempre que cumprir desafios principais, ganhar novas missões. O formato aberto, mas ainda dividido em 4 ilhas funcionou bem.

Ao mesmo tempo, ao dar tanta liberdade, e priorizar esse ponto quase que como uma lei, o jogo peca por não amarrar essa série de conteúdos de modo interessante. Em geral, a progressão do jogo é um longo ciclo de “fazer missões e liberar novas”, sem novidades entre as repetições, ou uma história que ligue os pontos.
Isso torna o jogo cansativo para repetidas sessões, já que o roteiro de toda a campanha é dado desde o começo, e repetido do início até às mais de 20 horas do fim (falando apenas de objetivos principais).

O tempo em si é bom, mas se torna inflado ou se tornar um longo “repita o ciclo por tantas horas mais”. São 200 missões principais, 50 pra cada ilha, pra se tornar o Rush Master, isso fora as atividades secundárias. Um número que deveria ser muito menor, afinal, são 4 ilhas, e já tem diversas outras atividades secundárias para se alternar.

Rodando no Switch 2

A versão Switch 2 do jogo é com folga, satisfatória. A qualidade de imagem é um dos pontos que mais agrada. são boas texturas, o mapa continua cheio de detalhes e objetos que o jogador pode quebrar (lembrando, é uma cidade de brinquedo).

A performance é 85% estável, são alguns momentos que trazem leves quedas na taxa de quadros por segundo. A notícia ruim é que o jogo roda a somente 30 quadros por segundo, é a única versão do jogo assim nos consoles.
Fica a sensação de que poderia ser mais, pelo menos num modo performance. Até porque, outra boa notícia é que o jogo suporta corridas isoladas em multiplayer tela dividida para até 4 jogadores. E se o jogo consegue renderizar 4 telas em 30 quadros, será que uma em 60 seria tão difícil?

O maior problema da versão Nintendo, é o relativamente alto tempo de loadings. Eles não são tão longos assim, mas esse jogo é feito pra sair de uma atividade rápida pra ir pra outra, então, esse carregamento está sempre na sua tela.

Por fim, o modo portátil permanece no espectro do “satisfatório”. Ainda uma boa qualidade de imagem e experiência geral. E uma boa notícia é que a bateria apresenta boa duração com o game também, passando de 2 horas facilmente.

Conclusão

Em geral, Hot Wheel Infinite Rush é um completo sandbox arcade. A ideia é realmente largar o jogador em 4 mapas lotados de atividades, e deixá-lo sozinho com o jogo.
Isso gera prós e contras, e certamente, caso o título receba uma sequência, os 2 pontos de melhoria essenciais devem ser: desinflar a exigência de 200 missões principais, e conectar a progressão com novidades que tornem as últimas horas diferente das primeiras.

Em resumo, o formato de cidade de brinquedo é ótimo, a variedade de missões é ótima, o sistema de classes é ótimo, e mesmo a liberdade do jogo é boa. A série Infinite Rush merece ao menos mais um jogo. Entretanto, é preciso entregar mais do que um tempo livre brincando num parque sem regras por tanto tempo.

Avaliação Técnica

  • Direção de Gameplay – 2/3
  • Direção Multi-Arte (história, trilha e visuais) – 2/3
  • Desempenho e/ou funcionalidades – 1,5/2
  • Conteúdo e/ou Fator Replay – 2/2

Nota Técnica: 7,5/10

Tier da Experiência Geral e Recomendação: A

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