Dois pilares do RPG japonês renascem em forma moderna e vibrante
A Square Enix segue expandindo a herança lendária da trilogia Erdrick com Dragon Quest I & II HD-2D Remake, lançado para Nintendo Switch e Switch 2. Depois do sucesso impressionante do remake de Dragon Quest III, que reintroduziu o público à origem da franquia, a missão agora era revitalizar dois títulos muito mais simples e limitados — e ainda assim, torná-los relevantes e divertidos em 2025. O resultado é um pacote visualmente deslumbrante, mecanicamente atualizado e cheio de respeito pela história dos RPGs japoneses. Mas também há tropeços, especialmente no primeiro jogo, que evidenciam os desafios de modernizar algo tão arcaico sem descaracterizar sua essência.
Esta é a versão em texto da nossa análise! Se quiser assistir o conteúdo em vídeo, a análise também está disponível no canal do Coelho no Japão, no YouTube.
Um retorno à origem da lenda

O remake traz juntos Dragon Quest I e II, vendidos como uma única experiência — e há um motivo narrativo para isso. Após os eventos do herói lendário Erdrick em Dragon Quest III, o primeiro jogo acompanha seus descendentes enfrentando o retorno do mal em uma nova era. Já o segundo título se passa algumas gerações depois, com os heróis de três reinos se unindo para combater uma nova ameaça. Assim, os dois jogos completam a trilogia que define a base da mitologia da série.
Diferente do remake do 3, que já era um RPG robusto, os dois primeiros eram experiências mais curtas, com mapas pequenos, narrativas simples e sistemas rudimentares. A missão da Square Enix e da Artdink foi, portanto, monumental: transformar essas aventuras embrionárias em algo que se sustente como JRPGs modernos — e o trabalho de reimaginação aqui é realmente impressionante.
Visual HD-2D em sua melhor forma

O estilo artístico HD-2D, que mistura personagens em pixel art com cenários tridimensionais e iluminação dinâmica, atinge um novo patamar em Dragon Quest I & II. O remake é visualmente o mais bonito dessa linha até agora, com animações refinadas, texturas ricas e composições de luz que fazem cada vila e caverna parecer viva. No Switch 2, a diferença é ainda mais notável: o jogo oferece modos de desempenho e de qualidade gráfica, ambos muito bem otimizados — 60 fps estáveis no modo performance e um visual cinematográfico no modo gráfico.
A trilha sonora orquestrada, outro destaque da trilogia HD-2D, retorna com força total, elevando o senso de grandiosidade. É quase paradoxal ver jogos originalmente do Famicom soarem tão épicos. No entanto, a ausência de legendas em português é um ponto que realmente pesa, especialmente considerando o tom arcaico e formal do inglês usado, cheio de expressões em segunda pessoa e construções antiquadas.
Modernizações e acessibilidade

Um dos méritos mais claros deste pacote é a quantidade de opções que permitem ajustar a experiência. Há configurações de câmera, velocidade de texto, tempo de animação em batalha e até filtros para mostrar baús, objetivos e ataques efetivos. Além disso, o jogo oferece três níveis de dificuldade, que modificam a quantidade de experiência e ouro recebidos — sendo o modo fácil o mais acessível, com até uma opção de invencibilidade para quem quer apenas acompanhar a história.
Essas adições tornam a experiência flexível e personalizável, algo essencial para trazer novos jogadores a uma série tão antiga. Ainda assim, as dificuldades em si não são equilibradas: mudanças simples nos menus, como ativar indicadores visuais, têm impacto muito maior do que alterar a dificuldade formal do jogo. Esse descompasso enfraquece o propósito da escolha, embora a liberdade de ajustar tudo a qualquer momento compense parcialmente.
Dragon Quest I: de relíquia a RPG completo

O primeiro Dragon Quest foi o que mais precisou de modernização e o resultado é uma transformação notável. O jogo original, com apenas um protagonista, um mapa simples e poucos chefes, ganha uma estrutura expandida, cenas inéditas (algumas dubladas), novos inimigos e até áreas extras. O combate, antes limitado a batalhas 1×1, agora coloca o herói contra grupos inteiros de inimigos, o que torna as lutas mais dinâmicas.
Outra adição importante são as habilidades “Sigils”, que funcionam como melhorias temporárias e ampliam o repertório tático do jogador. A duração média da aventura praticamente dobrou, indo para algo entre 15 e 20 horas — ainda curto, mas finalmente substancial.
Mesmo com todas as atualizações, o espírito original de “primeiro RPG de todos” foi preservado, com uma jornada simples e encantadora sobre a formação de um herói lendário.

O principal ponto negativo, no entanto, é o grinding. O jogo exige que o jogador repita batalhas para subir de nível, e isso pode se tornar cansativo, já que poucas magias atingem múltiplos inimigos e a ausência de party reduz a variedade de estratégias. O resultado é um ritmo truncado nas horas finais, que talvez pudesse ser atenuado com uma curva de experiência melhor ajustada.
Dragon Quest II: o salto que completa a trilogia

Já Dragon Quest II parte de uma base mais ambiciosa e se beneficia ainda mais do tratamento HD-2D. Aqui, o jogador controla três personagens de diferentes reinos, o que traz variedade tática e narrativa. O remake amplia isso ainda mais, introduzindo uma grande área subaquática inédita, novos chefes e cenas mais cinematográficas — incluindo momentos intensos logo no início, quando um dos reinos é atacado.
Com o grupo agora expandido (chegando até a quatro personagens em certos trechos), as batalhas são mais complexas e estratégicas, com sinergias entre magias e habilidades. A adição de novas regiões e missões secundárias dá ao jogo uma sensação de jornada épica que o primeiro remake não consegue alcançar.
É o tipo de reimaginação que mostra o quanto a equipe da Artdink entendeu o material original e soube modernizá-lo sem trair sua identidade.
Onde o remake tropeça…

Apesar do cuidado visual e da densidade de conteúdo, há pontos que destoam. A ausência do português já mencionada é grave, mas o maior problema está no balanceamento: o grind exagerado no primeiro jogo e as dificuldades mal calibradas prejudicam o fluxo. Além disso, o combate ainda adota a perspectiva em primeira pessoa nos ataques — uma escolha que muitos fãs desaprovaram desde o remake do 3, e que poderia ter sido revista.
Esses detalhes não chegam a comprometer a qualidade geral, mas mostram que a Square ainda hesita entre preservar o clássico e modernizá-lo por completo.
Um presente para quem ama RPGs clássicos

No fim, Dragon Quest I & II HD-2D Remake cumpre a missão de revitalizar dois marcos históricos. O pacote entrega cerca de 40 a 50 horas de conteúdo, com gráficos lindos, trilha sonora majestosa e dezenas de opções de acessibilidade. É uma verdadeira carta de amor aos primórdios do gênero — e uma prova de que a nostalgia pode coexistir com a modernidade quando há cuidado e visão.
Para quem nunca jogou os originais, esta é a forma ideal de conhecer o início da saga Erdrick. Já os veteranos vão se surpreender com o quanto há de novo aqui. A primeira aventura ainda carrega limitações inescapáveis, mas o segundo jogo se destaca como um dos melhores remakes que a Square já produziu.
Vale a pena jogar DRAGON QUEST I & II HD-2D Remake ?

No fim das contas, DRAGON QUEST I & II HD-2D Remake é mais do que uma simples atualização visual — é uma carta de amor às origens do RPG japonês. Ele mantém o charme, o ritmo e até as limitações que definiram uma era, mas agora com o brilho e o cuidado que só o estilo HD-2D da Square Enix consegue entregar.
Mas, afinal, vale a pena comprar? Bom… se você tem curiosidade, aprecia o estilo clássico de RPG por turnos e quer entender onde tudo começou para o gênero, este remake é praticamente obrigatório. Por outro lado, quem busca uma experiência moderna, com sistemas complexos e ritmo acelerado, pode estranhar a estrutura mais simples e direta desses dois títulos.
No fim, é uma jornada que recompensa quem joga com o coração aberto — não apenas pelo desafio e pela nostalgia, mas por testemunhar o início de uma das franquias mais influentes da história dos videogames.
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Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.





























































































