Categoria: Análises

  • Mini Análise | Children of Silentown

    É preciso ser dito também que a ambientação em pixel art da exploração no mapa-mundi e em alguns outros locais abertos já mostram sua idade. Entretanto, às vezes há sutis efeitos de partícula em névoa e outros elementos que enriquecem a cenografia, e podemos alternar a câmera em alguns momentos. Isso ocorre principalmente em Final Fantasy VI, quando montamos em chocobo, por exemplo, ou quando acompanhamos nossos heróis em um carrinho sob um trilho em primeira pessoa. E o melhor de tudo: temos a memorável cena da ópera com profundidade de câmera e outros elementos da técnica HD-2D.
    Falando em ópera… acredito que a melhor adição desta coletânea em termos audiovisuais esteja em sua trilha sonora. Além de termos à nossa disposição as peças originais, finalmente, depois de décadas de espera, recebemos uma versão orquestral e de rock in-game das lendárias composições de Nobuo Uematsu. O trabalho ficou muito bom e enriquece a imersão nesses jogos. Várias peças possuem arranjos inéditos, enquanto outros são baseados em versões presentes nos álbuns Distant Worlds. Confira abaixo um trecho de música in-game no primeiro Final Fantasy.

    Uma coletânea obrigatória para fãs de JRPGHá pontos específicos em que se possa preferir versões anteriores, mas de modo geral os Final Fantasy I~VI desta versão são superiores em vários aspectos, como tradução, música e até melhorias visuais (mesmo que um tanto modestas). No mais, apesar da simplicidade narrativa e de level design dos primeiros títulos de Final Fantasy Pixel Remaster e de seus cenários já mostrarem sua idade, esses Final Fantasy ainda merecem ser jogados por sua importância histórica e conceitual, e alguns deles (sobretudo Final Fantasy VI) permanecem entre os melhores jogos da série. A coletânea é recomendada para fãs da série que queiram redescobrir suas raízes e também está bem acessível para novatos que queiram começar cronologicamente a saga dos guerreiros da luz.

    Prós

    • Final Fantasy VI é um dos melhores da série até hoje, com excepcional design narrativos e alguns dos melhores personagens, músicas e sistemas em JRPG;
    • A gameplay de Final Fantasy V está entre as melhores de Final Fantasy, unindo o dinamismo do ATB com a flexibilidade e a variedade do Job System;
    • Há conceitos interessantes de mecânicas em Final Fantasy I e II e outros elementos de valor histórico que foram preservados nas versões dessa coletânea;
    • Melhorias diversas de qualidade de vida tornam a jogabilidade desses jogos mais acessível e prática do que nunca;
    • Bestiário, playlist de músicas originais e rearranjadas e galeria de imagens com um rico acervo de ilustrações clássicas da série;
    • Nova pixel art dos personagens une a nostalgia do estilo clássico com o carisma e a simplicidade das releituras posteriores em 2D;
    • Melhorias e adições visuais pontuais, mas bem-vindas, como em alguns efeitos de ambientação e em alternância de câmera;
    • Excelente trilha sonora orquestral e de rock que agrega muito para a experiência in-game, sobretudo para a imersão em momentos como a célebre cena da ópera em Final Fantasy VI;
    • Traduções revisadas e novos idiomas, incluindo uma excelente e divertida localização para o português brasileiro.

    Contras

    • Os Final Fantasy do I ao V têm enredos e level design um tanto simples e/ou excessivamente ingênuos que requerem paciência e condescendência histórica;
    • O rebalanceamento dos jogos tornou-os um tanto fáceis, e especialmente problemáticos são os dois primeiros, que são muito quebráveis e desequilibrados;
    • Não estão disponíveis os conteúdos extras das versões de GBA;
    • Enquanto grandes clássicos dos JRPGs, com várias versões ao longo das gerações, os jogos dessa coletânea mereciam um pouco mais de polimento em cenário;
    • As ilustrações de Yoshitaka Amano ainda não são suficientemente integradas ao game design desses clássicos de NES e SNES.

    Final Fantasy Pixel Remaster — Switch/PC/PS4 — Nota: 8.5Plataforma utilizada para análise: SwitchRevisão: Cristiane AmaranteAnálise produzida com cópia digital pela Square Enix

  • Review | Afterimage

    Desenvolvedora: Aurogon Shanghai
    Publicadora: Modus Games
    Data de lançamento: 25 de abril, 2023
    Preço: R$ 73,99
    Formato: Digital/Físico

    Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Modus Games.

    Revisão: Davi Dumont

    Sempre se calçando na simplicidade, jogos de plataforma 2D são figuras cativas na indústria de jogos eletrônicos já há muito tempo. É fácil fechar os olhos e listar um penca de bons títulos que são capazes de nos divertir horas a fio. Tenho certeza que você consegue imaginar alguns.

    Dentro desse gênero, os Metroidvanias – em muito devido aos esforços de estúdios indies – possuem papel importante na manutenção desse tipo de jogo. A Aurogon Shangai, fundada em 2007, que conta em seu portfólio com uma franquia de RPGs chamada GuJian, resolveu se aventurar no desenvolvimento de um Metroidvania. O resultado foi o competente Afterimage, que chegou ao Nintendo Switch – e demais plataformas – no último dia 25 de abril.

    Salve Engardin da corrupção

    Logo no início nos é apresentado um pequeno lampejo da história de Afterimage. De forma resumida, um grande mal pairou pelo mundo de Engardin. Uma terra fantástica que, em seus momentos de glória, abrigava de forma harmoniosa seres humanos e criaturas mágicas, sob a proteção da Deusa.

    Um paraíso onde a vida conflui pelo rio, garantindo à esses seres um eterno despertar. Um grande cataclisma, no entanto, interrompeu esse equilíbrio. A Deusa abandonou suas criaturas e a vida começou a definhar e a se corromper.

    Não havia mais despertar e as almas se perderam. Porém, de forma misteriosa, uma jovem maga chamada Renee, sem muitas lembranças sobre o seu passado, conseguiu recomeçar o ciclo e despertar de seu sono.

    Ela se vê ligada à uma tagarela criatura mágica chamada Ifree, que detalha a missão para a maga sem memórias. Juntas elas começam uma grande aventura: resgatar a mentora de Renee, recuperar as suas memórias perdidas e salvar Engardin da corrupção recuperando o seu equilíbrio.

    Maior do que o devido

    Uma das coisas que mais gosto em Metroidvanias é a simplicidade da narrativa. Alguns títulos não precisam nem de tantos diálogos para contar uma boa história. É algo que fica escondido nas entrelinhas e permite ao jogador formar sua própria opinião sobre aquilo que ele está experimentando.

    Apesar da cena inicial de Afterimage nos indicar que teríamos algo nesse caminho, por conta do corte fragmentado e misterioso, a equipe da Aurogon Shangai, de forma desnecessária, tenta fazer da história de Renee e Ifree algo grandioso. E esse é o pior problema desse jogo.

    A presença de Ifree, por exemplo, é algo ligado essencialmente à narrativa. O personagem – que é apresentado inicialmente como um alívio cômico (e não é em nenhum momento engraçado) – não possui relevância alguma no que se refere às mecânicas do título. Ao longo de nossa aventura, encontramos muitos outros personagens, cada qual com seu próprio dilema dentro daquele mundo. Mas, as histórias de Alice, Karsa, Ripe e Martin e tantos outros, são pouco desenvolvidas.

    As missões secundárias, que surgem como fruto do contato com esses NPCs, muitas das vezes se resumem a conseguir ingredientes para montar receitas mágicas. Em suma, os diálogos são bobinhos e a construção de personagens não nos faz importar com a história contada.

    Visual impecável

    Uma coisa tem que ser dita: Afterimage é muito bonito. O visual do jogo – desenhado a mão e concebido em cima da Unreal Engine – está impecável. A mesma coisa pode ser falada de sua trilha sonora, apresentando composições originais orquestradas belíssimas em suas mais de vinte áreas disponíveis para serem exploradas. Os cenários são muito variados (florestas, cidades, castelos, laboratórios, minas etc) e cada qual apresenta uma riqueza ímpar nos detalhes.

    A diversidade de inimigos também é algo digno de nota, evitando aquela sensação chata de repetição. O mapa é gigantesco e explorar cada cantinho das áreas é algo divertido e gratificante. Trata-se de um jogo que passa fácil de 30h de duração e que usa muito bem as mecânicas de backtrack comum nos Metroidvanias.

    A exploração, no entanto, pode ser problemática, pois o mapa só é aberto conforme exploramos as áreas e atualizado nos pontos de salvamento, nas “Árvores de Confluências”. Como existem muitas áreas escondidas, por mais que haja um percentual do que foi explorado em cada área e a possibilidade de colocar marcadores, itens importantes podem acabar ficando para trás, caso seja um jogador mais desatento.

    Apesar de serem de gêneros diferentes, gosto muito da solução presente em Resident Evil, onde uma área que ainda guarda segredos se mantém vermelha no mapa indicando haver algo ali para ser encontrado. Outra coisa que atrapalha um pouco a exploração é a demora do jogo em liberar o Fast Travel, através de uma habilidade chamada de “Flor de Confluência”.

    Em relação a performance, presenciei alguns pequenos problemas no Switch. Afterimage possui uma jogabilidade bastante ágil, assim como Ori e Aeterna Noctis, por exemplo. E por conta da movimentação rápida na tela, em alguns momentos, há um certo “drop de framerate”, apresentando até mesmo uma tela chata de carregamento, com o logo do jogo, que trava a jogatina e pode atrapalhar o combate e o avançar por certas áreas.

    O carregamento inicial também é bem irritante. É importante mencionar que isso não é algo constante e na maior parte do tempo o framerate é estável e a movimentação da personagem é bem suave. Outro problema bobo é o marcador de progresso que continua computando o tempo quando colocamos o Switch em hibernação com ele aberto. Nada que um patch não possa resolver.

    Mecânicas de RPG

    As mecânicas de RPG comuns aos Metroidvanias dão as caras aqui. Cada inimigo abatido nos concede experiência. E quando subimos de nível recebemos “Pontos de Remanescência” que liberam diversas melhorias (HP, MP, ataque, defesa, etc) numa vasta árvore de habilidade chamada de “Talento”.

    Aqui podemos aprimorar também os atributos de ataque de nossas armas, liberando golpes mais poderosos para as sete variações existentes. Há a possibilidade de equiparmos duas armas principais e uma arma secundária de efeito mágico, que consome MP. E todas podem ser aprimoradas usando bálsamos que encontramos explorando os cenários.

    Essa variedade torna a experiência com o jogo única, na medida que cada jogador pode ter uma afinidade mais acurada com determinadas armas. Eu, por exemplo, me adaptei melhor aos desafios usando um montante e um chicote. Mas, nada impede outros jogadores de terem mais afinidade com uma espada e uma foice. Isso vai depender do gosto de cada um.

    No que se refere a parte defensiva, podemos equipar elmos, armaduras, botas, vestimentas e anéis que melhoram todos os nossos atributos (inclusive os de ataque). Dessa forma, montar um bom setup é a chave para conseguir passar daquele chefão apelão que está atrapalhando o seu progresso no jogo.

    Outros elementos comuns aos Metroidvanias são as habilidades adquiridas após derrotar um chefão. Tais habilidades – como pulo duplo, dash e deslizar em paredes – recebem o nome de “Remanescência”. Como de praxe em jogos do gênero, é gratificante voltar para uma área antes inacessível depois de conseguir novos poderes.

    Há também a possibilidade de conseguir um poder extra ao usar as chamadas “Sementes Divinas” que possibilitam habilitar novas habilidades para Renee, tal qual os amuletos em Hollow Knight. Afterimage conta ainda com baús espalhados pelos cenários e mercadores que nos dão acesso a itens diversos e receitas mágicas que nos concedem buffs que ajudam a ultrapassar os desafios que aparecem pelo caminho.

    Um prato cheio

    O ponto fraco do jogo é a forma como ele conta a sua história e o plot super previsível nos momentos finais. Todo o restante, porém, é muito competente e demonstra um zelo da equipe de desenvolvimento com o produto que criaram. É um jogo viciante e com um desafio bastante moderado. A dificuldade está longe da vista em Blasphemous, por exemplo.

    O visual é lindo e as melodias seguem o mesmo caminho. Os controles respondem super bem e em nenhum momento bateu aquela sensação de que as falhas são resultado de algum problema com eles. Seja para quem gosta do subgênero ou para aqueles que querem se divertir de forma descomplicada, Afterimage é um prato cheio.

    Prós

    • Lindo visual desenhado à mão;
    • Melodias originais orquestradas;
    • Controles responsivos;
    • Mecânicas viciantes de bactrack.

    Contras:

    • História bobinha e diálogos pouco inspirados;
    • Pequenos engasgos durante o gameplay.

    Nota Final:

    8,5

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  • Análise – Final Fantasy: Pixel Remaster

    A remasterização dos seis jogos da saga Final Fantasy finalmente chegou ao Switch. Depois de ter sido primeiramente disponibilizada em dispositivos mobile e PC, o inevitável aconteceu, e agora podemos jogar no híbrido da Nintendo. Lembrando que remasters não são reimaginações como as versões 3D que ocorreram anos atrás, e sim uma atualização gráfica com algumas melhorias aqui e ali.

    Uma série renomada

    Personagem na cidade

    Final Fantasy já é uma série conhecida por muita gente, mas ainda assim vale a pena dar uma passada geral pela franquia. Trata-se de uma coletânea de jogos de RPG com batalhas por turno, as quais receberam evoluções nítidas ao longo dos games. Assim como as mecânicas em si, que inicialmente eram mais engessadas, e foram criando algo mais dinâmico com o passar dos anos. Os primeiros FF, por exemplo, sequer ofereciam o sistema de Active Time Battle, ou de Jobs. A simplicidade reinava.

    Através da remasterização dos seis títulos, é possível notar que todos possuem galeria de artes, bestiário para ver monstros eliminados, e uma trilha sonora orquestrada, sendo a clássica também uma opção aqui. De forma geral, também podemos configurar o quanto de dinheiro e experiência receberemos em batalhas, o que acelera bastante as coisas se for parar pra pensar. É quase um ajuste de dificuldade dos games.

    Cena de batalha

    Os jogos em si possuem configurações disponíveis distintas, que vão mudando conforme os títulos. A partir do segundo game, por exemplo, já podemos configurar a quantidade de experiência recebida no sistema de Jobs, enquanto que no quarto título existe a velocidade da batalha, e assim por diante.

    O maior problema de acelerar as batalhas é que isso fica atrelado ao auto battle, então o jogo fica rápido e automatizado, tirando todo o controle das mãos do jogador. Deveria existir opções mais detalhadas nesse sentido.

    Mapa da cidade

    Fora as modificações dos jogos em si, também existe uma forma de andar agora na diagonal, além de mapas que podem ser consultados a qualquer momento. Há fontes também para a tipografia no estilo clássico e atualizado, sendo esse segundo um pouco “estreito”, na minha opinião. Para melhorar a legibilidade, a Square podia ter dado mais opções de tipografia.

    Por fim, há os sistemas de salvamento, como o salvamento automático que grava o progresso a cada tela que atravessamos no game. Também o salvamento rápido, que permite salvarmos a qualquer momento para retomar o progresso a partir daquele ponto, caso algo dê errado. Obviamente, também existe o salvamento padrão nos mapas.

    Diferentes gerações de jogos em um só pacote

    Esse certamente é um pacote indispensável para os fãs da franquia Final Fantasy, ou para aqueles que nunca tiveram a chance de jogar qualquer título dela. Apesar de ser uma coletânea de seis jogos, eles também podem ser adquiridos separadamente, caso você prefira assim. De forma geral, esta é uma maneira bastante modernizada de se jogar os seis FF, sem contar os vários recursos de qualidade de vida já mencionados acima. Nos dias de hoje, todos eles se fazem obrigatórios para RPGs de turno. O pacote Pixel Remaster só peca nas batalhas automatizadas, que são a única forma de acelerar as coisas. Se quiser algo mais ágil, assim como eu, vai ter que abrir mão de ter o controle dos personagens.

    Jogo fornecido para análise pela Square Enix.

    Final Fantasy: Pixel RemasterVereditoPrósTrilha sonora orquestradaOpção de escolher fonte pixelizadaOpção de correr em todos os FFOpções de modificação de quantia recebida de XP, Gil e JobsAuto battle com aceleraçãoContrasAuto battle é a única forma de acelerar as batalhas9{“@context”: “http://schema.org/”, “@type”: “Organization”, “name”: “Final Fantasy: Pixel Remaster”,”image”: [ “https://universonintendo.com//srv/htdocs/wp-content/uploads/2023/05/review-final-fantasy-pixel-remaster-switch-capa.jpg” ],”review”: { “@type”: “Review”, “reviewRating”: { “@type”: “Rating”, “worstRating”: “0”, “ratingValue”: “9”, “bestRating”: “10” }, “author”: { “@type”: “Person”, “name”: “Jason Ming Hong” } }}