Categoria: Análises

  • Análise: The Mageseeker: Uma História League of Legends (Switch) combina jogos consagrados do gênero com o universo de Runeterra

    A história de um jogo pode ser tanto recheada de elementos e personagens profundos como também simples, porém bem-trabalhada. Em League of Legends, tudo aquilo que podemos chamar de lore, ou seja, a mitologia que envolve o universo e seus personagens, ganhou muito destaque nos últimos anos.

    Se antes havia apenas uma página contando a origem de um personagem, agora temos contos, eventos, relacionamentos e falas específicas contra certos adversários ou aliados. Atualmente, a história é uma parte vívida do game, e a cada personagem novo, uma camada de profundidade é adicionada.

    The Mageseeker: Uma História League of Legends traz como protagonista o implacável Sylas de Dregbourne, um homem cuja liberdade lhe foi tomada ainda jovem e que, com o passar dos anos, foi alimentando um ódio devastador pelos Caçadores de Magos de Demacia. Boa leitura!

    A vingança nunca é plena

    Criado em um dos bairros mais pobres de Demacia, Sylas de Dregbourne se tornou o símbolo do lado mais sombrio da Grande Cidade. Quando criança, sua habilidade de identificar magia chamou a atenção de importantes caçadores de magos, que depois o aprisionaram por ter se virado contra eles.

    Após muitos anos acorrentado em Demacia, Sylas adquiriu grande rancor e ódio pelos Caçadores de Magos, e jurou se vingar com a premissa de recuperar o tempo que ficou preso. No entanto, apenas uma pessoa em toda Demacia o entendia: seu nome é Lux Stemmaguarda, membro de uma das mais importantes famílias do reino.

    O país de Demacia não tolera magia, já que no passado a prática quase trouxe fim à região de  Runeterra. Com isso, todos os magos, quando identificados, são presos ou, bem, você sabe… eliminados. Lux viveu como maga em segredo por anos, até que Sylas a usou para fugir da prisão, roubando seus poderes e incendiando Demacia, revelando para todos a verdadeira face de Lux.
    Durante a rebelião, o rei Jarvan III é assassinado, oportunidade perfeita para culpar Sylas pelo acontecimento. Então, os Caçadores de Magos começaram a espalhar boatos de que tudo não passou de um plano sórdido do mago regicida.
    Ao ser caçado por antigos colegas, agora captores, Sylas se encontra em uma problemática situação: tudo e todos estão contra ele. Sem ajuda e fraco, o mago petricita foge de Demacia acompanhado apenas de seu ódio e sede de vingança.

    Tudo que ele faz é magia

    The Mageseeker é um jogo de ação hack’n slash pertencente ao universo de League of Legends. No controle do mago Sylas, nossa missão é guiar o abjugado em sua jornada de vingança contra os Caçadores de Magos e especialmente a Grande Cidade de Demacia, e assim como em League of Legends, usar suas habilidades mágicas combinadas com sequências de combos corpo-a-corpo.

    A jogabilidade de Sylas é totalmente inspirada em seu kit de habilidades de League of Legends, com avanços, combos com as correntes feitas de petricita e a cereja do bolo: roubar a magia dos inimigos para usá-la contra eles. Suas correntes também concedem mobilidade ao longo das fases, permitindo que o protagonista possa alcançar locais escondidos e explorar o cenário.

    Enquanto jogava, percebi uma similaridade gritante com a franquia Darksiders, especialmente Genesis, em virtude dos elementos espalhados pelos cenários, como baús e checkpoints. Ainda, há um segundo jogo, que para mim é a grande inspiração: God of War. É praticamente impossível não notar a referência do clássico combo de Kratos.
    Durante sua jornada, Sylas também encontrará aliados para se juntar ao seu grupo, chamados de “Os Foragidos”. Essas pessoas são magos que em algum momento também fugiram para longe da influência dos Caçadores. Por conta dos eventos da história do Abjugado, Os Foragidos se identificam com a causa e querem lutar para fazer a diferença.

    Cada foragido concede ao mago petricita dois aprimoramentos, sendo um deles um combo que permite a execução de um ataque elemental, e o outro, uma espécie de habilidade passiva que aumenta o dano elemental de Sylas. Os recrutas também são encontrados durante a jornada e entram para grupos de magos, incrementando os bônus concedidos e aprimorando o acampamento, garantindo acesso a locais antes bloqueados.

    Uma história de amor, de aventura e de magia

    League of Legends faz parte da minha vida há mais de 10 anos e sou consumidor das histórias criadas para agregar conteúdo e que, com o tempo, se tornaram peça fundamental na construção dos personagens.

    Como curiosidade, antes de ser lançado, Sylas gerou uma grande mudança na estrutura de League of Legends, já que sua habilidade Ultimate, Usurpar, é justamente roubar temporariamente a Ultimate de qualquer outro personagem. Em virtude dessa mecânica, 97 campeões (como são chamados os personagens nesse universo) passaram por mudanças em suas habilidades Ultimate para que o nosso amigo de Dregbourne pudesse existir.

    Adicionalmente, os personagens presentes no game possuem uma forte relação entre si, e foi muito satisfatório poder ver esses campeões em um jogo diferente, até porque confesso que Demacia é e sempre será a minha região favorita de League of Legends. Dessa forma, quem aprecia a história terá em mãos um prato cheio.
    Por outro lado, aquele que não está totalmente familiarizado, ou está tendo seu primeiro contato com o universo de League of Legends, não será afetado. A trajetória de Sylas foi muito bem estruturada e bem contada.
    A arte do jogo em pixel art é magistral. Cada efeito visual presente nos cenários é exibido no tempo certo, embora eu tenha notado algumas quedas de frame no Switch quando há muitos desses elementos presentes.
    Na parte sonora, o tom de vingança é constantemente notado através de melodias compostas com notas menores, criando uma atmosfera mais melancólica e passando a sensação de sofrimento para o jogador. Não há como não se sensibilizar com Sylas.

    Um passeio no tapete mágico

    Embora haja muita história para contar ao longo de The Mageseeker, a linearidade e a velocidade na qual ela é contada surpreende: tudo acontece muito rápido e não há demora intencional. As missões secundárias ajudam a ocupar o espaço, mas não preenchem, já que são opcionais e podem nunca ser cumpridas pelo jogador.

    Outro ponto que chama a atenção é a repetição do combate: sempre temos que roubar uma habilidade de algum inimigo para poder vencer o elemento contrário, nos moldes de pedra, papel e tesoura. Há poucas opções de combos, sendo que o jogo claramente pede por mais. As correntes de Sylas possuem infinitas possibilidades, e quando somamos magia elemental, um mundo de opções se abre.

    Como fã de dublagem, me decepcionei com as poucas participações do incrível dublador Felipe Grinnan (intérprete brasileiro do Sylas) e dos demais personagens. As caixas de texto são muito simples e raramente temos diálogos importantes. A abertura do game, para quem conhece, é narrada por uma das campeãs de League of Legends, e deixaremos para você, leitor, descobrir quem é.

    Que tal um truque de mágica?

    The Mageseeker: Uma História League of Legends é uma ótima adição ao rol de jogos que fazem parte da história do LoL. Através de uma interessante mecânica de combate graças ao protagonista, é uma excelente opção àqueles que curtem o gênero.

    Contudo, acredito que os desenvolvedores da Riot Forge poderiam ter trazido a tão famosa dublagem do jogo, além de um cuidado extra com o Nintendo Switch, que é diferente das demais plataformas.

    Prós

    • Gráficos em pixel art incríveis e ótimas animações;
    • O sistema de combate combina estratégia e destreza na medida certa;
    • Tanto fãs como novatos irão aproveitar o game sem nenhuma restrição;
    • Diversos personagens da série aparecem para acrescentar ao enredo.

    Contras

    • As atividades secundárias são pouco interessantes;
    • A queda de frames impacta na experiência do jogo;
    • Ainda que tenha um bom sistema de combate, há muita repetição;
    • Embora haja localização para o português, a ausência da dublagem característica faz falta.

    The Mageseeker: Uma História de League of Legends — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch

    Revisão: Davi SousaAnálise feita com cópia digital cedida pela Riot Forge

  • Analise – Flame Keeper

    Flame Keeper é um rogue-lite dinâmico e de ação em que você precisa restaurar a Chama Eterna, roubada por criaturas sombrias. Lute contra diversos monstros em vários biomas e use habilidades de combate escaldantes.
    Desenvolvido pela Kaitki Cave e distribuído pela Untold Tales, o game conta com um lançamento um pouco fora do comum; atualmente, ele está com acesso antecipado na Steam e por isso pode sofrer alterações.

    Orbis, Ignis e Vulpis

    Em Flame Keeper, controlamos Ignis, o protetor de Orbis que está sendo ameaçado por forças das trevas. Nossa missão é restaurar a chama eterna e, para isso, temos que usar nosso treinamento nas artes do combate e contar com a ajuda dos Vulpis, os habitantes dessa terra.

    A maior parte dessas informações foram tiradas da página do jogo, pois Flame Keeper não conta muita coisa por enquanto. Embora tenham várias cutscenes ao longo dos mundos, elas não contam muito mais do que a derrota do chefe daquele mundo.
    É uma história bem comum e até padrão para rokguelike/lite, só faltou um pouco de personalidade e carisma para cativar o jogador. Jogos desse gênero costumam ter menos história, mas ao menos preparam o terreno para longas horas de exploração de cavernas. Contudo, deixar o jogador no escuro (bem como os Vulpis, hehe) não foi uma boa escolha.

    Combatendo a escuridão

    Para proteger o mundo de Orbis, Ignis precisa acender as fogueiras ligadas à chama eterna e, para isso, deve encontrar 3 lanternas em cada andar das dungeons das fases e por fim defender a chama eterna daquela localidade ou enfrentar um chefe. É um level design bem padrão de rogue-lite, embora tenha uma boa quebra de padrão com o modo tower defense e lutas de chefe. Os níveis normais, porém, também têm um leve diferencial por conta da mecânica da fogueira, já que para acendê-las precisamos explorar o mapa, retornar ao ponto inicial e usar a nossa energia para alimentar a chama, fazendo necessário um bom gerenciamento de recursos e técnicas de combate mais afiadas, afinal queremos menos dano recebido e mais luz para a fogueira.

    O combate de Flame Keeper, por outro lado, é algo que precisa ser lapidado. Temos dois botões de ataque, leve e pesado: um pode ser usado à vontade e o outro custa energia, porém a energia também é utilizada para pular e realizar investidas. Isso acaba fazendo com que o jogador dependa apenas dos golpes leves, já que os pesados custam muita energia, e fique sem defesa por não poder pular ou correr para longe. Geralmente, isso é contornável no gênero, melhorando suas habilidades ou aumentando seu status com a repetição que o estilo do jogo promove, porém, em Flame Keeper, além da necessidade de farmar materiais para isso, é necessário passar de área para conseguir tais melhorias, como a energia que só é aumentada após derrotar um chefe.
    A curva de dificuldade é até boa, mas senti que essa mecânica da energia é um pouco limitante demais, já que os inimigos vão ficando mais fortes e inteligentes enquanto Ignis vai ficando pra trás, e levando em conta que a vida dele tem mais de uma função, isso cria uma desvantagem bem grande para o jogador.

    Considerando isso, gastei mais de 10 horas jogando, consegui comprar tudo que era possível de melhorar e ainda sim não consegui terminar as fases que estão disponíveis no momento — e mesmo se tivesse conseguido, parte do jogo ainda não está disponível na versão atual.

    Parte técnica

    Flame Keeper roda muito bem no Nintendo Switch. Mesmo com níveis sendo gerados proceduralmente, o tempo de carregamento é bem leve. Os inimigos ressurgem com frequência, pois a energia que cai deles é necessária para prosseguir, e isso não afeta o desempenho do jogo. Flame Keeper sabe gerenciar muito bem os recursos do hardware, gerando inimigos num mapa que não parece ser tão grande, mas é vasto.

    Os gráficos são bem simples e apostam nos tons mais cinzas para dar um ar de escuridão, e isso funciona muito bem. Faltou apenas um pouco de variedade de inimigos, já que são quase todos os mesmos em todos os níveis, fora que poderiam ser um pouco mais trabalhados em seus designs.

    A trilha sonora não chama atenção, mas consegue dar o tom nas cutscenes, porém, fora delas parece que a trilha nem existe.

    VereditoFlame Keeper chama a atenção por ter um progresso um tanto diferente, porém, falta polimento e balanceamento em sua jogabilidade; conforme você avança, parece ficar mais para trás, criando uma dificuldade mais mecânica do que progressiva. Seu lançamento foi prematuro, já que claramente está incompleto. PrósGameplay interessante das fases;Animações bem feitas.ContrasCombate desbalanceadoDificuldade mecânica;Inacabado;Baixa variedade de inimigos;HUD nada intuitivo.4Inacabado{“@context”: “http://schema.org/”, “@type”: “Organization”, “name”: “Analise – Flame Keeper”,”image”: [ “https://universonintendo.com//srv/htdocs/wp-content/uploads/2023/04/ANALISE-Flame_Keeper-Keyart-2.png” ],”review”: { “@type”: “Review”, “reviewRating”: { “@type”: “Rating”, “worstRating”: “0”, “ratingValue”: “4”, “bestRating”: “10” }, “author”: { “@type”: “Person”, “name”: “Igor Rangel” } }}

  • Análise: Mega Man Battle Network Legacy Collection (Switch) segue o bom resgate histórico da franquia

    No longínquo ano de 2001, a série Mega Man Battle Network (abreviada para MMBN) surgiu em meio à febre de spin-offs do robô azul da Capcom, que buscaram surfar na onda do sucesso das sucessivas entradas principais da franquia desde o finzinho dos anos 1980. Seu primeiro título veio literalmente no dia da estreia do Game Boy Advance no Japão, com os lançamentos nos EUA separados por alguns meses.

    Devido à pandemia de COVID-19, o aniversário de 20 anos de MMBN passou em branco em relação a novidades mais significativas sobre os games, mas a paciência que a Capcom pediu aos fãs foi recompensada com Mega Man Battle Network Legacy Collection. Esse apanhado reúne todos os títulos numerados da série, incluindo ambas as versões a partir do terceiro, divididas em dois volumes que podem ser adquiridos separadamente, e um misto de alguns recursos novos e outros resgatados de um período onde a especulação tecnológica estava no pico, com a chegada do novo milênio.

    Em pleno 20XX, ano da cibertecnologia, você aí sem um NetNavi

    Analisar uma coletânea de jogos clássicos envolve muito mais um olhar sobre o conjunto do que sobre os games propriamente ditos; afinal, estamos falando de games lançados há muitos anos, até mesmo décadas. Suas qualidades e defeitos já são conhecidos do público, principalmente de quem acompanha a franquia em questão desde seus primórdios.

    Portanto, vamos apenas passar pela trama de Mega Man Battle Network e seus principais conceitos de gameplay, para focar no que Legacy Collection tem a oferecer nos quesitos de preservação de conteúdo e benefícios em relação a versões anteriores dos produtos inclusos.
    MMBN se passa no futurístico ano de 20XX, em uma realidade alternativa ao universo da série principal de Mega Man. Neste cenário paralelo, a tecnologia e a internet avançaram ao ponto de praticamente todo tipo de eletrônico estar conectado à rede mundial de computadores.
    Para ajudar a lidar com a complexidade desse avançado sistema, foram criados programas denominados Network Navigators, mais conhecidos como NetNavis. Eles funcionam como avatares virtuais com múltiplas funções, da comunicação com outros Navis ao combate a vírus e cibersegurança de maneira geral, e ficam armazenados nos Personal Terminals (Terminais Pessoais), os PETs, dispositivos portáteis usados para a conexão com qualquer aparelho que possua um terminal de entrada.

    Acompanhamos as aventuras de Lan Hikari e seu Navi MegaMan.EXE, que combatem as muitas ameaças que surgem no caminho com a ajuda de aliados. O rol de personagens inclui versões cibernéticas de vários personagens clássicos da franquia Mega Man, como Roll, Proto Man, Guts Man, Skull Man e por aí vai.
    Eu jamais vou deixar de achar genial a ideia de reimaginar todos esses robôs para encaixá-los tão bem no conceito dos NetNavis, dando a eles um novo visual e um papel tão diferente do universo da série principal. É um detalhe que certamente ajudou a pavimentar o sucesso de MMBN, apelando de maneira criativa para a nostalgia dos fãs.

    Confiando no coração (ou melhor, CPU) dos chips

    Como não é só de uma boa ambientação e construção de personagens que vive um jogo (ou jogos), Battle Network figura um inovador sistema de batalha que combina dois gêneros muito populares à época: RPG e cartas colecionáveis.

    Os combates virtuais se baseiam na mecânica conhecida como Active Time Battle (ATB), comumente associada a Final Fantasy, mas que aqui assume um dinamismo maior. A arena de batalha está disposta em formato de grade 3×3; são 18 quadrados, com os 9 vermelhos à esquerda para o jogador e 9 azuis à direita para os inimigos.
    MegaMan.EXE se movimenta livremente dentro da sua zona, utilizando, além do tradicional Buster, uma vasta coleção de chips para montar uma pasta (baralho) de 30 “cartas” com diversas funções ofensivas e defensivas, como roubar para nós uma coluna da área inimiga e até mesmo invocar um dos muitos NetNavis que encontramos.
    Enquanto batalhamos, uma barra no topo da tela vai sendo carregada, e quando ela é preenchida, podemos enviar os chips ao MegaMan. Cada chip tem um nome e um código representado por uma letra do alfabeto, e as unidades de mesmo título ou letra podem ser carregadas juntas.

    Portanto, a estratégia está em montar uma pasta com chips que tenham sinergia entre si, pela repetição de itens com nome ou código iguais. As possibilidades parecem não ter fim, nos dando uma constante vontade de alterar o baralho para escolher as melhores combinações, até porque as batalhas nos rendem novos chips com muita frequência.
    É impressionante como o combate de Mega Man Battle Network permanece divertido até hoje. A quantidade de chips é espantosa desde o primeiro título da série, e as nuances estratégicas de batalha e montagem de baralho fazem com que os desafios se renovem ao longo de toda a gameplay. Entender os padrões de cada inimigo novo sempre que adentramos uma área inexplorada, por exemplo, mantém o interesse do jogador em chegar até o fim.
    A exploração e resolução de puzzles se tornam maçantes em alguns momentos, principalmente se você não souber aonde ir e se vir em uma sucessão de aparições inimigas indesejadas. É em pontos assim que eu acho que a coletânea poderia intervir e adicionar recursos de qualidade de vida, como uma função de acelerar o tempo ou até mesmo desabilitar as batalhas temporariamente.

    Um museu virtual com artigos dos dias atuais

    Por si só, incluir as seis entradas numeradas (dez, incluindo todas as versões do 4 ao 6) de Battle Network já é um ótimo trabalho de resgate e preservação, mas naturalmente era preciso ir além de simplesmente portar os jogos e não incluir absolutamente nada que atraísse jogadores veteranos.
    Felizmente, Legacy Collection vai muito bem em ambas as missões. Para começar, a interface do menu inicial simula um PET, cujo NetNavi é o próprio MegaMan.EXE, com direito a uma roupagem especial para cada metade da coletânea, caso você tenha adquirido os volumes na pré-venda.
    Esta versão do parceiro virtual de Lan Hikari tem até falas dubladas em inglês. Não achei tão interessante (ou necessário) assim, mas é um toque estético bonitinho, que demonstra um nível bacana de cuidado no desenvolvimento do produto, indo além da lei do esforço mínimo.

    Como é de praxe nas coletâneas da franquia Mega Man, temos aqui, por exemplo, opções de enquadramento para a tela de jogo e um tocador de música com as trilhas completas dos jogos. Também está disponível o Modo Buster MAX, que multiplica o dano do tiro básico em 100, praticamente garantindo que você irá eliminar os inimigos com poucos acertos.
    Entre os destaques mais robustos, estão a galeria; o modo online para batalhas e troca de chips; e a inclusão dos Patch Cards, que até então eram um conteúdo inédito no Ocidente. Mas vamos por partes.

    Diretamente do manual de boas práticas de curadoria gamer

    Além de artes próprias dos títulos, a galeria inclui peças de eventos promocionais e merchandising, rascunhos, artes conceituais e até ilustrações utilizadas em sites oficiais de MMBN. Para os colecionadores que preferiram a versão de Switch às demais, está incluso um sistema interno de troféus, com 56 conquistas para o primeiro volume e 47 para o segundo.

    Voltando aos Patch Cards, temos aqui um magnífico exemplo de como fazer um bom uso da oportunidade de reunir jogos clássicos em uma coleção para preservar seu legado (como o próprio nome “Legacy Collection” deixa claro).
    Os Patch Cards são cartões físicos lançados apenas no Japão, que eram escaneados no e-Reader do Game Boy Advance para desbloquear chips com efeitos variados a partir do quarto título principal de Battle Network. Ao todo, são 499 cartões que podem ser ativados e desativados a qualquer momento durante a gameplay.
    Toda desenvolvedora de jogos que tem em mãos uma propriedade intelectual longeva e pretende reunir suas obras em um único produto tem que tomar nota do que a Capcom fez (aliás, aproveito para deixar também o trabalho feito em Cowabunga Collection).

    É exatamente esse tipo de coisa que tem que ser feito: pegar um conteúdo até então inacessível a uma parcela gigantesca do público consumidor e disponibilizá-lo a uma nova geração de consoles, preservando sua existência (ainda que caiba uma discussão sobre a precificação dessas coletâneas).
    Quanto ao modo online, não tenho muito para comentar sobre questões como estabilidade da conexão e desempenho durante as partidas, já que não consegui encontrar uma única alma pelo matchmaking, seja para batalhar, seja para trocar chips. Não sei se isso aconteceu porque o jogo foi lançado há menos de uma semana ou se ocorreu algum tipo de problema, mas infelizmente ficou essa lacuna nas minhas jogatinas.

    Simbora, MegaMan.EXE, que tem muito jogo pela frente!

    Mega Man Battle Network Legacy Collection é a mais nova de uma série de coletâneas de qualidade do Maverick Hunter mais famoso da Capcom. Para além de introduzir esta fantástica subsérie de Mega Man a novos públicos e gerações de plataformas, a existência dos Patch Cards deixa um novo legado no campo das antologias de games.

    Prós:

    • Faz o resgate histórico de uma série aclamada e há muito pedida pelos fãs de Mega Man;
    • A jogabilidade e as principais mecânicas de Battle Network, como os sistemas de combate e deckbuilding, permanecem excelentes até hoje;
    • Um excelente conteúdo extra, incluindo os Patch Cards, até então inéditos no Ocidente, que mostram o que uma coletânea deve fazer para justificar sua existência.
    • Um sistema interno de conquistas para os que gostam do colecionismo e escolheram a versão de Switch.

    Contras:

    • A exploração e resolução de puzzles podem se tornar maçantes, confusos e labirínticos demais em alguns momentos;
    • Pelo menos até então, o modo para batalhas e troca de chips online é ineficiente pela ausência de jogadores;
    • A interface do menu principal, que simula um PET com MegaMan.EXE de NetNavi, é bem desinteressante, ainda que seja um toque bonitinho.

    Mega Man Battle Network Legacy Collection — Switch/PC/PS4 — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch

    Revisão: Juliana Paiva ZapparoliAnálise produzida com cópia digital cedida pela Capcom

  • Review | LOST EPIC

    Desenvolvedora: Team EARTH WARS
    Publicadora: OneOrEight
    Data de lançamento: 19 de Abril, 2023
    Preço: R$ 96,63
    Formato: Digital

    Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela OneOrEight.

    Revisão: Davi Sousa

    LOST EPIC é um RPG de ação 2D de progressão lateral, desenvolvido pelo Team EARTH WARS e publicado pela OneOrEight. Nele, o jogador é convocado pela bruxa de Nabel, Cecília, a se tornar um cavaleiro. Diferentemente do imaginário popular, esses guerreiros não servem a nenhum rei. Aqui, o seu papel será viajar até o santuário de cada um dos deuses que governam de forma tirana o mundo, para que, uma vez que você os derrote, a humanidade possa novamente ter a esperança de dias melhores.

    Com a talentosíssima Namie nas ilustrações, o belo mundo do jogo esconde perigos que serão mortais para os menos preparados e um desafio recompensador para aqueles que se debruçarem sobre seus mistérios. Será que um game baseado essencialmente em desafio e recompensa consegue sustentar o interesse do jogador?

    Parte da vitória é aprender

    Após uma breve introdução mostrando a motivação da sua peregrinação no papel de cavaleiro, LOST EPIC já coloca o jogador na ação, o que pode soar como um forma de desleixo com a narrativa, mas é algo bem corriqueiro àqueles já acostumados às obras no estilo soulslike, fonte da qual o jogo bebe muito. Os momentos de pausa na jogatina para grandes explanações são bem raros, fazendo com que seja necessário “buscar” a história, seja nos diálogos com chefes e NPCs encontrados ao longo do caminho ou em descrições contextuais ao se entrar em uma nova área.

    O foco na gameplay é tanto que os desenvolvedores mascaram tutoriais contextuais, fazendo parecer um evento natural na narrativa e não um momento parado no tempo. Situações são criadas no começo do game para ensinar ao jogador as mecânicas básicas, sem parecer muito enfadonho ou travar a progressão em uma dezena de tutorias dos quais ele não vai se recordar.

    Para o bem ou para o mal, uma jogatina prazerosa vai depender da vontade de você se dispor a aprender o jogo. Sua beleza e os movimentos dos personagens que parecem tirados de um livro de fábulas dão uma impressão totalmente oposta do esperado, e falo por experiência própria. Entrei em LOST EPIC sem saber muito o que encontrar, cenário que eu considero ideal, para que a minha experiência ali fosse a mais “limpa” possível de expectativas.

    Minha primeira impressão foi a de que se tratava de um jogo de plataforma 2D com elementos de RPG, semelhante a títulos como CADASH do Mega Drive (inclusive seria uma bela adição ao Nintendo Switch Online + Pacote de Expansão). Seria necessário certa dose de grinding e backtracking em certas situações, mas nada muito diferente disso. A minha inocência pensando dessa forma durou até encontrar o primeiro inimigo mais complicado, chamado “Açougueiro”.

    Notei claramente um padrão de movimento a ser seguido para evitar ataques e o timing certo de encaixar os golpes, e percebi que eu estava jogando um soulslike 2D tão hardcore quanto Blasphemous. Dominar as mecânicas de parry e rolamento (esquiva) são tão importantes quanto conseguir um bom equipamento ou cozinhar as refeições corretas, e usar a arma correta é tão importante quanto recuar e me preparar melhor caso eu ainda esteja fraco para aquela região. Quando você entender isso, LOST EPIC realmente começa (a brilhar).

    Equipar-se bem é uma dor de cabeça a menos

    Não ir de peito aberto bancando o herói pode ser a melhor estratégia quando o que te espera na próxima área são criaturas bizarras que conseguem esquivar dos seus ataques melhor do que a Anitta rebola. Para não morrer miseravelmente, é importante você se preparar, escolhendo os melhores equipamentos dos quais você dispuser no momento.

    Todas as armas oferecem ao jogador um ataque rápido e um mais lento, porém mais poderoso. Nenhuma novidade aqui: você deve intercalar os dois tipos de ataque para conseguir combos poderosos e derrotar os inimigos mais facilmente. Cada tipo de ataque apresenta uma sequência de três movimentos, que variam caso o jogador esteja em terra firme ou no ar; ao nadar, os movimentos funcionam como se o personagem estivesse no ar.

    Armas secundárias também podem ser equipadas e têm por objetivo auxiliar ou expandir o uso da arma principal. No meu caso, optei por uma que prende os inimigos mais fracos, o que me auxilia tanto a evitar certos ataques quanto para derrota-los sem muitos sustos por conta da paralisia momentânea. Outra mecânica que auxilia no ataque são as habilidades divinas.

    Elas nada mais são que movimentos especiais adquiridos conforme o jogador cria proficiência nas armas e também através das bênçãos. Podem ser equipadas ainda quatro habilidades divinas provenientes da arma principal e uma da arma secundária. Com o tempo, será necessário escolher uma ou outra para ser equipada, pois seus número irá ultrapassar o numero de slots disponíveis.

    Repararam na imagem que existem dois sets de arma principal, secundária e habilidades divinas? Após derrotar o primeiro deus, você pode se achar poderoso o suficiente para ignorar o que aprendeu e fazer as coisas meio que de qualquer jeito, porém o jogo trata de te colocar no devido lugar já a partir do santuário seguinte, onde é exigido do jogador mudar constantemente de arma. Vai chegar ao ponto de que você vai achar esses dois sets pouco.

    Os itens de armadura são responsáveis pelos atributos de defesa. Assim como as armas, ter uma boa quantidade delas fará com que o leque de possibilidades aumente, usando a que for mais efetiva para os tipos de inimigos que você vai encontrar naquele santuário em específico. Os acessórios podem ter uma influencia variada, aumentando a stamina (vigor), o ataque ou algum atributo mágico. Discernimento é recomendado ao escolher esses itens.

    Brincando de escoteiro

    “Caraca André, quanta coisa, deu até preguiça de jogar” Calma, que eu nem falei dos itens consumíveis ainda. Se você estava achando que recolhia eles ao derrotar os inimigos simplesmente, sinto dizer que achou errado. Eles existem basicamente em três categorias: multiplayer, teletransporte e status. O primeiro é usado para “summonar” aquele seu amigo que manja mais que tu para te ajudar a desempacar no jogo. Infelizmente, não consegui invocar ninguém, por motivos de poucas pessoas jogando. Espero ainda poder testar essa função e atualizar a review no futuro.

    O item de teleporte te leva de volta às estátuas de uma antiga deusa, já tem que ter alguém que preste nesse jogo, né? Elas funcionam mais ou menos como as bonfires de Dark Souls, só que aqui com mais funções. Nelas, será possível subir de nível, distribuir pontos de habilidade no livro de Bênçãos e se teletransportar entre as várias estátuas de um santuário.

    Os itens consumíveis que envolvem recuperação de pontos de vida e aumentos temporários de status vão exigir tanto crafting quanto cozinhar. Carnes, folhagem, asas de monstro (isso mesmo) pertencem aos itens passíveis de ser cozidos. Apesar de serem ótimos itens, o fato de precisarem que ser ingeridos pelo personagem fazem o seu uso ser indicado em momentos antes ou pós-batalhas, raramente durante, devido ao tempo que seu personagem fica vulnerável ao ingerir o item.

    Os itens de crafting majoritariamente são poções e seu uso é instantâneo, por serem oriundos de magia. Também existe a possibilidade de craftar armas, acessórios e armaduras, porém será necessário obter itens com uma taxa de drop um pouco menor. Diferentemente dos comestíveis, estes aqui são ideais para prolongar a batalha contra inimigos mais fortes e adiar a sua morte.

    Sofrer é bom

    O André de alguns meses atrás iria rir na sua cara caso a menção das palavras soulslike e satisfatório fossem utilizadas na mesma frase. Porém, a minha experiência com LOST EPIC me fez passar a olhar os jogos desse gênero com mais carinho. Toda a questão do desafio e recompensa é incrivelmente viciante, fazendo com que eu me aventurasse mesmo sem saber muito bem se daria conta de passar de certos desafios.

    Poder experimentar coisas fora do habitual e vir aqui dividir essa experiência com vocês é o que torna escrever sobre jogos algo meio mágico, como uma mensagem na garrafa que pode ou não ser lida por vocês na hora correta. Os acostumados às alegrias e tristezas desse gênero de jogos podem encontrar em LOST EPIC mais uma obra para se viciar, agora podendo fazer uso da portabilidade do Nintendo Switch para jogar (sofrer) onde quiser.

    Para os iniciantes em soulslike, o game pode ser uma porta de entrada muito bem-vinda e recompensadora, caso um pouco de dedicação seja aplicada a suas jogatinas. Sem sombra de dúvidas, mais uma adição importante ao já tão extenso e variado catálogo de ótimos jogos do console híbrido da Big N.

    Prós:

    • Excelente design de personagem;
    • Mecânicas de fácil aprendizagem;
    • Combate desafiador.

    Contras:

    • Não ser possível invocar ghosts de outros jogadores.

    Nota Final

    9

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  • Análise: The Library of Babel (Switch) se inspira em Jorge Luis Borges para criar uma aventura fantástica

    Com desenvolvimento do Tanuki Game Studio e publicação da Neon Doctrine, The Library of Babel é um jogo de ação que flerta com Jorge Luis Borges, um dos escritores mais renomados de todos os tempos. Inspirada em um conto de mesmo nome, a narrativa segue o estilo borgeano e ousa criar uma interessante trama própria por meio de conceitos de plataforma e furtividade. O resultado é uma excelente experiência de ação que, apesar dos problemas de gameplay, irá agradar sobretudo aos fãs da literatura do realismo fantástico.

    A biblioteca do saber infinitoEm 1944, Jorge Luis Borges publicou o livro Ficções, responsável por apresentar um de seus contos mais famosos: A Biblioteca de Babel, que havia sido escrito em Mar del Plata, na Argentina, durante o ano de 1941. Nele, o escritor descreve a existência imaginária de uma biblioteca interminável composta por salas hexagonais interconectadas que abrigavam todos os livros possíveis e impossíveis do universo.

    O problema, porém, é que essa infinidade de conteúdo não era completamente acessível em termos cognitivos, uma vez que muitas das obras estavam escritas em códigos alfanuméricos difíceis de ser interpretados. Assim, conforme nos relata o narrador do conto, um bibliotecário desse espaço utópico, havia uma sociedade de leitores que buscava encontrar um livro que pudesse servir como guia para interpretar os demais manuscritos.
    Com os livros abordando todas as realidades possíveis, Borges utiliza a metáfora da biblioteca para explorar as idéias infinitas e caóticas da busca humana pelo conhecimento; isto é, a Biblioteca de Babel, com sua infinitude, pode ser vista como uma analogia na qual a realidade é composta por livros que estão à espera de seu deciframento por parte da humanidade, que deverá ler os textos para conhecer o mundo ao seu redor.

    O jogo The Library of Babel, por sua vez, se desenvolve por meio de uma narrativa que se inspirou nesse conceito, apresentando-nos um universo ambientado 20 mil anos depois da completa extinção da humanidade, com cidades que são habitadas por robôs de tecnologia avançada. Um dos moradores desse mundo futurístico é Ludovik, em cuja sociedade executa a função de Seeker, uma espécie de investigador.
    No começo da trama, o detetive é convocado por uma liderança chamada Matriarch, que o alerta sobre a ocorrência de assassinatos brutais nas proximidades da cidade de Colony. Ludovik começa a investigação e descobre que, por trás das barbáries, está a sociedade secreta dos Kaborist’s Cult, que são liderados pelo Coronel Kabor.

    Ao que tudo indica, esse antagonista foi responsável pela descoberta de uma biblioteca infinita que seria capaz de abrigar todos os livros que já foram e serão escritos pela humanidade. Essa descoberta teria despertado o caos em Kabor, que, por ter entrado em contato com tanto conhecimento, teria enlouquecido e cometido assassinatos junto ao seu culto, caracterizado por membros trajados com roupas vermelhas.
    Assim, The Library of Babel nos mostra a jornada de Ludovik para interromper a ascensão do mal em Colony e descobrir a verdade por trás dessa misteriosa biblioteca. Através de breves cenas cinematográficas e diálogos, o jogo desenvolve uma interessante trama que figura como uma de suas maiores qualidades, conectando-se ao conceito principal do conto de Borges e concedendo liberdade para que o título desenvolva sua jogabilidade.

    Investigando, pulando e se escondendo para sobreviverAo longo de cenários bidimensionais, os jogadores devem comandar Ludovik desfrutando de um repertório de movimentação bastante básico: enquanto os botões direcionais nos permitem caminhar lateralmente, também há comandos para saltar e agachar, dois movimentos cruciais para o título apresentar suas duas principais premissas.

    Primeiramente, The Library of Babel é uma aventura de plataforma, o que envolve a realização de pulos para alcançar zonas elevadas e suspensas. Nesse sentido, é comum se deparar com cenários hostis que possuem espinhos e outros obstáculos que devem ser superados com saltos. Cabe dizer que, nesse contexto, um simples erro de cálculo significa a morte instantânea.
    Já a outra interface que se destaca na aventura é a de furtividade. Conforme a trama se desenvolve, Ludovik deve adentrar as sedes do Kaborit’s Cult de forma despercebida, o que desafia os jogadores a se esconder atrás de caixas, sacos e árvores. Aqui, assim como nos trechos de plataforma, um passo em falso faz com que os inimigos nos percebam e comecem a atirar, o que acarreta em um game over imediato.

    Junto a esses momentos, também é nosso dever enquanto Seeker conversar com os habitantes do mundo distópico e investigar os próprios ambientes em busca de pistas e objetos. Nesse sentido, diversos quebra-cabeças são oferecidos, envolvendo escolhas a ser tomadas em diálogos e a conquista de itens que podem ser combinados entre si para resolver situações.
    Por exemplo: em certo ponto da campanha, temos de encontrar uma seringa e penas de ave para realizar uma combinação e criar um dardo, que será necessário para completar um desafio em um bar. Esse é um conceito exigido com frequência em The Library of Babel, que está repleto de puzzles e de trechos que demandam a abertura de portas e ativação de estruturas tecnológicas.

    Dentro desse contexto, alguns detalhes me incomodaram, pois senti um distúrbio na qualidade de vida geral do jogo. Para subir e descer escadas, por exemplo, é necessário apertar um botão além dos direcionais, enquanto que, para certos quebra-cabeças, não basta falar com personagens tendo determinado item no inventário, faz-se necessário selecionar o elemento no menu antes do diálogo, o que leva alguns segundos extras para que isso seja feito.
    Creio que alguns implementos poderiam ser feitos para tornar a aventura mais agradável e principalmente mais dinâmica; afinal, os trechos de furtividade e plataforma são divertidos no geral, ainda que existam alguns momentos em que os desafios pareçam severos, exigindo muita precisão nos saltos e agachamentos. No entanto, a presença de uma boa distribuição de checkpoints ajuda e faz com que a gameplay de The Library of Babel cumpra a sua função, acompanhando a sua criativa história lado a lado.

    O futuro retratado em belas ambiênciasPara além de seus fundamentos narrativos e de jogabilidade, outro destaque da aventura de Ludovik é a estética. Com ambiências exuberantes, o título dá um verdadeiro show visual, mostrando-se repleto de detalhes que parecem desenhados a mão e exibindo animações luxuosas, como quando combinamos itens nos puzzles. Desse modo, vivenciar esse futuro distópico é agradável no Switch, console no qual o título tem boa performance.

    Assim como um bom conto de realismo mágico, The Library of Babel mostra-se capaz de oferecer uma ambientação imersiva aos jogadores. Do design dos níveis e personagens até a trilha sonora futurística, o título consegue incorporar muito bem a temática distópica, o que também é feito através das cenas e dos diálogos na fundamentação de sua trama.
    Entretanto, uma tendência da aventura pode causar confusão nos jogadores. Acontece que em alguns dos desafios somos bombardeados com muita informação do enredo em curtos espaços de tempo. Desse modo, torna-se difícil identificar indicações claras para a realização dos quebra-cabeças em meio a tantas falas e descrições, pois, ironicamente, assim como no conto de Borges, fica difícil saber quais conhecimentos serão úteis para a jornada.

    Outra adversidade agrava esse problema: The Library of Babel não se apresenta no Switch como Biblioteca de Babel. Em outras palavras, quero dizer que o título não foi traduzido ao português, o que é bastante prejudicial, pois o jogo está cheio de diálogos que são importantes para a resolução de quebra-cabeças.
    Assim, seria legal poder acompanhar a interessante trama da aventura em nosso idioma. Esse e outros problemas, portanto, fazem com que o jogo não seja exatamente uma experiência perfeita; porém, ainda há conceitos sólidos que permitem uma jornada bastante divertida em um universo futurista.

    Dos manuscritos de Borges à telinha do SwitchExibindo conceitos de plataforma, missões de investigação e momentos de furtividade, The Library of Babel se apresenta como um interessante título de ação, mesmo com problemas na qualidade de vida da gameplay, como na hora de se usar os itens, e em sua apresentação, que pode ser confusa pelo excesso de informação e pela ausência de tradução para o português.
    Entretanto, o desenvolvimento da história compensa a ponto de formar uma excelente aventura repleta de enigmas, que vem a se tornar ainda mais bacana para quem é fã das vertentes da literatura do realismo mágico e de Jorge Luis Borges. Assim, na companhia de Ludovik, é como se estivéssemos lendo um conto inédito do autor argentino, que alimenta a nossa imaginação com a sua estética surreal e a ocorrência de acontecimentos fantásticos.

    Prós

    • Há um enredo intrigante que se desenvolve com qualidade;
    • A gameplay se torna divertida ao misturar plataforma com furtividade;
    • Os desafios de quebra-cabeça são engenhosos;
    • Cenários exuberantes, com belas animações e personagens criativos;
    • Excelente ambientação e incorporação da temática futurística.

    Contras

    • Alguns conceitos prejudicam a qualidade de vida da jogabilidade, com comandos desnecessários hora de entregar itens e subir escadas, por exemplo;
    • Com indicações pouco claras, o excesso de informação pode confundir os puzzles;
    • Considerando que é um jogo repleto de diálogos, a ausência de localização para o português se torna um problema significativo.

    The Library of Babel — Switch/PS4/PS5/XBO/XBX/PC — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: Switch

    Revisão: Davi SousaAnálise produzida com cópia digital cedida pela Neon Doctrine

  • Análise – Cannon Dancer – Osman

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    Cannon Dancer (conhecido como Cannon Dancer Osman, no ocidente) é um clássico jogo criado por antigos ex-desenvolvedores originais de Strider (Capcom).

    Lançado em 1996 (7 anos após o primeiro strider), Cannon Dancer possui movimentos mais fluidos e precisos que seu primo distante. Mas como o jogo retorna para as plataformas atuais?

    Um clássico difícil… difícil mesmo!

    Cannon Dancer possui um visual e uma movimentação que é impossível não chamar a atenção. Ele traz uma estética totalmente diferente dos outros jogos do gênero, englobando mitologia Árabe com visuais um tanto esotéricos e coloridos.

    Eu considero esse jogo um dos poucos a conseguir trazer uma sensação de estranheza vinda somente de sua incrível e bela arte original, da mesma forma como o jogo El Shaddai fez em 2011.

    Além da arte, o jogo possui movimentos fluidos e extremamente rápidos, da qual Strider, pelo ano em que foi lançado, falhava em ter. Mas isso não é necessariamente um ponto positivo em Osman.

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    O jogo traz uma sensação de estranheza que só uma arte e trilha sonora diferente e única conseguem alcançar

    A dificuldade de Strider é considerável, porém há um equilíbrio devido ao limitado movimento, já que grande parte dos inimigos trabalham na mesma velocidade que o personagem. Em Cannon Dancer, os inimigos são tão rápidos e fluidos quanto o próprio personagem, com movimentos extremamente erráticos. Nem mesmo os quatro power ups podem ajudar nos momentos mais críticos do game.

    Os três últimos estágios do jogo são, literalmente, uma piada em termos de dificuldade, e não de uma forma divertida. Talvez, pelo seu curto tamanho, tenha sido a forma como os desenvolvedores encontraram para aumentar o tempo (e ganhar dinheiro no maior estilo caça-níqueis!) do jogo, mas esqueceram que esse fator não necessariamente deixa o jogo mais divertido.

    Relaxado e lançado de qualquer maneira

    Mas seria injusto analisar um jogo de 1996 nos padrões atuais, especialmente quando a empresa trouxe o Cannon Dancer da mesma forma que o original.

    Esse, para mim, é o grande problema desse jogo. A falta de criatividade e de extras, e cobrando um preço absurdamente caro, mostra o quanto o jogo foi corrido para ser lançado de qualquer forma para a tentar atrair o bolso dos nichados fãs, sem trazer nada que atraia novos jogadores para esse clássico dos arcades.

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    Prepare-se para morrer muito! A dificuldade do jogo é completamente desbalanceada, especialmente nos últimos estágios

    A falta de paixão é tamanha, que até os menus são feios e pouco intuitivos. Os extras são nada mais que cheats para ativação antes do jogo, coisa que qualquer um com um emulador faria (e de graça), o que me faz perguntar como a empresa pensou em atrair jogadores para comprar o jogo com um produto tão relaxado.

    Pegue os jogos da Capcom que aparecem em suas versões Collection, por exemplo, como o Arcade Collection ou o Fighting Collection. Não são apenas jogos, mas extras e conteúdo bônus de montão que, mesmo não justificando um preço tão alto, é notável que foi criado com carinho e com conteúdos além dos jogos originais para atrair antigos e novos jogadores.

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    Com poucos extras (se é que se pode chamar assim) e um menu feio e pouco intuitivo, o jogo traz poucos atrativos

    O pouco caso não para por aí: ao jogar no modo Challenge, você pode desbloquear conquistas (achievements)… que não estão presentes no Switch, mas que mesmo assim está informado como se existissem na plataforma da Nintendo, levantando outra questão: qual o sentido desse modo de jogo no Switch?

    É difícil recomendar Cannon Dancer para novos jogadores e, com um preço cheio e a falta de qualquer extra interessante, os fãs de longa data provavelmente continuarão buscando por outros métodos para jogar esse clássico.

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    VereditoJogo interessante, porém curto e desbalanceado, além de ser um porte caro, relaxado e pouco atrativo. É uma pena, porque Cannon Dancer Osman realmente merecia um retorno mais adequado.PrósUma forma de jogar o clássico na TV ou em um portátilEstética (do jogo) bela e únicaContrasFalta de extras, de opções… de tudo, na verdadePreço cheio para pouco (ou nenhum) conteúdoDificuldade desbalanceada3.5{“@context”: “http://schema.org/”, “@type”: “Organization”, “name”: “Análise – Cannon Dancer – Osman”,”image”: [ “https://universonintendo.com//srv/htdocs/wp-content/uploads/2023/04/Analise-Jogo.jpg” ],”review”: { “@type”: “Review”, “reviewRating”: { “@type”: “Rating”, “worstRating”: “0”, “ratingValue”: “3.5”, “bestRating”: “10” }, “author”: { “@type”: “Person”, “name”: “Vinicius Tarouco” } }}

  • Análise: Pupperazzi (Switch): Um fotógrafo bom pra cachorro

    Quem não gosta de fotografar pets fofos que atire a primeira pedra. Pode ser que eles sejam iguais à Cacau (foto abaixo) e não sejam muito fãs de paparazzis, mas em Pupperazzi temos à disposição diversos doguinhos fofos para clicar, favoritar e até mesmo postar em uma rede social para que possamos angariar seguidores.

    Apesar de um título digno de filme de Sessão da Tarde e um visual que enaltece os modelos low-poly, não deixe que Pupperazzi lhe engane: este simulador de fotografia em primeira pessoa, à primeira vista um “clone” simplificado de Pokémon Snap (N64), possui bastante conteúdo — e cães — para oferecer.

    Quem soltou os cachorros?No mundo fantástico de Pupperazzi, nosso objetivo é um só: explorar os mais diversos cenários e clicar os diversos “au-aus” que perambulam por aí. Aliás, é muito curioso ver que há pouquíssimos seres humanos no jogo e que os canídeos são capazes de falar como gente de verdade.
    Porém, não espere uma história muito detalhada, até porque ela é praticamente inexistente: logo de cara, já somos apresentados ao tutorial e a tudo o que temos que fazer no jogo — basicamente, tirar fotinhos, publicá-las na rede social fictícia do jogo, ganhar seguidores e cumprir objetivos, tudo em um grande loop. No entanto, diferentemente dos simuladores on-rail, temos (quase) total liberdade para explorar os cenários e interagir com os cães, seja acarinhando-os ou arremessando-lhes itens como bolas, discos e varetas. Ah, podemos correr e pular também, ações que nos permitem alcançar lugares diferentes nos locais.
    A liberdade de exploração também se aplica à quantidade de fotografias que podemos tirar: não há necessidade de comprar filmes e, caso extrapolemos o limite, podemos simplesmente reciclar fotos que não queremos mais para ganhar cliques extras. Claro, o game também nos deixa favoritar aquelas que mais curtimos, que ficam catalogadas em um álbum de fotos.

    Os cães ladram e a caravana passaHá quem concorde que, à primeira vista, os gráficos não são os mais bonitos — e, de fato, não o são, também pensei isso no começo. Porém, a partir do momento que começamos a explorar os cenários disponíveis e descobrir que os doguinhos realizam diferentes atividades de acordo com o clima e o horário, o jogo ganha novos ares.
    Como mencionei, o grande objetivo do jogo é… cumprir os objetivos do jogo; no entanto, achei curioso — e até que inovador, por assim dizer — o fato de alguns deles requererem que tiremos fotos de paisagens sem cachorros ou até mesmo realizemos atividades diversas, como limpar uma pista de skate e descobrir um caminho alternativo para acessar o arcade e desbloquear esses locais extras.
    Além disso, alguns pedidos nos recompensam com Bonks, um grande osso dourado que funciona como a moeda de Pupperazzi, com o qual compramos recursos extras para nossa câmera, tais quais filtros e lentes diferentes. Algumas dessas melhorias são desbloqueadas como se fossem conquistas — e normalmente estão atreladas a completar esses objetivos —, mas funcionam como um incentivo para avançar na campanha, já que certos pedidos demandam o uso dessas funcionalidades diferentes.

    Cão chupando manga?Há, porém, algumas críticas que quero fazer a Pupperazzi: falta de uma história propriamente dita, controles confusos e de difícil adaptação e alguns engasgos pontuais na performance. Quanto à primeira, é compreensível que um simulador de fotografia não precise realmente de uma trama para funcionar, mas seria interessante que ao menos existisse um propósito como pano de fundo para estarmos nessa missão de ser um paparazzi de cães.
    Quanto aos controles, como os botões não podem ser remapeados, então não me espantaria se mais pessoas comentassem que perderam a oportunidade de tirar uma foto bacana do doguinho skatista porque esqueceram que ZR bate a foto, enquanto ZL ativa a câmera. Sim, os controles são confusos e podem frustrar de tempo em tempo, além de atrapalharem a jogatina.

    Por fim, os engasgos acontecem ao iniciar o aplicativo no Switch (da primeira vez, até achei que o jogo tinha travado em uma tela preta, tamanha a demora para carregar) e ao navegar nos menus in-game. Não é algo que chega a atrapalhar, como acontece com os controles, mas é um ponto negativo que poderia ter sido resolvido.
    De resto, pode ser que o visual do jogo não agrade a muitas pessoas, mas, apesar da escolha mais simplista e com gráficos low-poly, os cenários e cães são bem distinguíveis — e os entusiastas conseguirão identificar as diferentes raças presentes em Pupperazzi —, isso sem mencionar as músicas de fundo que passam uma sensação de casualidade durante a exploração. Quero ressaltar que o game ainda conta com interface em português brasileiro e também a possibilidade de diminuir os sensores de movimento, ajudando, de certa forma, a deixar a “auventura” mais acessível.

    Diga “au-au”!Pupperazzi, embora bastante simples, é um jogo com um charme único e que dá total liberdade para que o jogador explore os locais e fotografe os doguinhos no ritmo que preferir. Os objetivos ajudam a dar certa sensação de progressão na aventura e, mesmo que os gráficos low-poly não agradem a muitos jogadores, têm seu charme;
    Existem alguns problemas de performance, é verdade, tanto nos comandos quanto na navegação em menus, porém, para quem gosta de títulos casuais — ou simplesmente quer uma experiência parecida com títulos como Pokémon Snap —, Pupperazzi é a pedida ideal.

    Prós

    • Vasta liberdade de exploração e experimentação que permite que o jogador aproveite a campanha no seu ritmo;
    • As atividades in-game variam de acordo com o clima e o horário do dia;
    • Os objetivos dão a sensação de progresso no jogo, habilitando novos locais para explorar e tipos filtros e lentes para a câmera;
    • Possibilidade de interagir com os cães de várias maneiras diferentes;
    • A trilha sonora passa uma ótima sensação de casualidade;
    • O português brasileiro é uma das opções de idioma para a interface;
    • Há a opção de diminuir os sensores de movimentos para tornar o jogo mais acessível;
    • Diversas raças de doguinhos fofos.

    Contras

    • Problemas de performance pontuais que atrapalham a jogatina a longo prazo;
    • Gráficos low-poly podem não agradar a todos os jogadores.

    Pupperazzi — PC/XBX/Switch — Nota: 7,.5Versão utilizada para análise: SwitchRevisão: Cristiane AmaranteAnálise produzida com cópia digital cedida pela Kitfox Games

  • Review | Fire Emblem Engage — Expansion Pass

    Desenvolvedora: Intelligent Systems
    Publicadora: Nintendo
    Lançamento: 20 de Janeiro, 2023
    Preço: R$ 149,00
    Formato: Digital

    Review feita com cópia adquirida pelo redator.

    Revisão: Davi Souza

    Quando bem-feitos, DLCs são excelentes formas de revisitarmos um jogo. Seja um remix de fases, novos personagens jogáveis ou história extra, mais conteúdo em um já excelente título significa mais tempo de gameplay, servindo perfeitamente para apaziguar a tristeza de nos despedirmos de personagens queridos. Em Fire Emblem Engage, tenho o prazer de dizer que é exatamente este o caso.

    Após quatro levas de conteúdo adicional, com a primeira sendo lançada em conjunto com o lançamento do jogo base, em janeiro, e a última em abril, resta explorarmos o que os desenvolvedores prepararam para nós, concluindo enfim a extensa jornada em Elyos. Diferentemente da minha review original, porém, não me estenderei nem de longe nos sistemas de combate e na trama geral, partindo do texto-base e o ampliando apenas.

    Leia também:

    Fire Emblem Engage é o mais novo título de uma das séries mais icônicas da Nintendo. Ainda assim, ao homenagear seus antecessores, será que conseguiu se destacar sozinho?

    Quanto ao sistema de notas, julgo melhor também não incluí-lo no presente texto, visto que, tratando-se de um DLC, não acredito que este possa ser avaliado de forma independente ao jogo-base. Dessa forma, abordarei, no início, as primeiras três levas de conteúdo adicional, explorando as peculiariedades de cada Emblem novo e, em seguida, falarei do breve, embora interessantíssimo, Fell Xenologue, o carro-chefe da expansão que conta com uma nova história e novos personagens jogáveis. Por fim, realizarei uma breve reflexão do quanto vale a pena adquirir o pacote extra, buscando entender os diferentes perfis de jogadores.

    Os Braceletes

    O primeiro conteúdo adicional disponível no passe é a leva de Emblems novos, que localizamos já nos primeiros capítulos da campanha. Disponíveis em fases extras, os personagens podem ser encontrados em braceletes, ao invés dos anéis do jogo principal. Nelas, podemos nos deparar com Tiki, Soren, Hector, Camilla, Veronica, Robin e Chrom, personagens queridos de jogos passados. A única exceção é o Emblem de Three Houses, constituído por Edelgard, Dimitri e Claude, o primeiro bracelete que é entregue simplesmente em Somniel. Em cada mapa, assim como os paralogues do jogo-base, enfrentamos os Emblems em mapas especiais de seus jogos, encontrando desafios distintos dos disponíveis em Engage.

    Algumas fases são genuinamente desafiadoras, especialmente dependendo da altura em que o jogador estiver na campanha, e podem logo se tornar alguns dos seus mapas favoritos em todo o jogo. Além disso, como podemos explorar os mapas após os combates, é uma sensação incrível revisitar cenários antigos de forma minuciosa, observando cada detalhe que os desenvolvedores deixaram aos fãs. Ainda assim, é frustrante não ter sequer um mapa dedicado aos líderes das casas de Fire Emblem Three Houses, apesar de não ser um dealbreaker.

    As habilidades desbloqueadas pelos Emblems transformam por completo as batalhas, e acredito ser este o grande mérito de suas inclusões. Afinal, não temos interações amplas desses personagens, então entender de que forma cada um impacta no campo de batalha é o que há de mais interessante aqui. Veronica, por exemplo, tem o poder de invocar heróis, simulando a mecânica de gacha de seu jogo, Heroes, e assim podemos, entre outras opções, jogar com os Emblems originais, habilitando-nos a batalhar uma vez mais ao lado de personagens clássicos.

    Outro grande ponto é que cada Emblem, ao lado de uma unity equipada com um outro Emblem do mesmo jogo (como Ike e Soren, Byleth e Edelgard, etc) consegue ativar a habilidade Sync +, ganhando novos e melhores efeitos na habilidade especial de cada unity, o que pode transformar por completo o turno.

    Além dos braceletes, o jogador receberá itens extras que podem se mostrar úteis ao longo da jornada, como o kit de ajuda encontrado nas espansões de Xenoblade. Também encontrará roupas novas, que podem ser utilizadas no Somniel. As atualizações trouxeram melhorias significativas ao jogo-base, como formas de melhorar o support entre unities e um fosso onde podem trocar armamentos por itens raros.

    Por nada ser vinculado à compra em si do DLC, acredito que estes benefícios foram extremamente bem-vindos para um fluir melhor do jogo, sendo excelentes aos futuros jogadores. Dito isso, nenhum desses conteúdos, sozinhos, justificariam o preço de 150 reais da expansão. É, no final das contas, em Fell Xenologue que podemos mergulhar no material bônus.

    Um espelho turvo

    Ao contrário da expansão encontrada em Fire Emblem Three Houses, o epílogo Fell Xenologue em nada implica na história base de Engage. Aqui, Alear é invocada em uma dimensão paralela por Nel e Nil, gêmeos dracônicos criados a partir de Sombron. Nessa realidade, O Dragão Divino fora morto na batalha de resistência contra as forças do dragão das sombras, levando-o consigo. Com seu fim, as quatro nações de Elyos adotaram uma postura hostil umas contra as outras, com seus líderes tomando posturas contrárias às apresentadas em nossa realidade.

    Retornemos à dupla principal: Nel e Nil. Gêmeos e filhos de Sombron, os dois apresentam uma interessante dinâmica: a primeira apresenta-se como uma poderosa criatura dracônica, sempre vista por seus pares como digna das bençãos do pai; o segundo, contudo, aparece como um fracasso, um ser frágil e desprezado pelos demais —  um peso a ser carregado por Nel. Ainda assim, o vínculo compartilhado entre irmãos é, aparentemente, imbatível.

    No início da narrativa, encontramos na dupla um semblante de preocupação: uma força misteriosa, após a queda de Sombron e Alear, está em busca dos sete braceletes que protegem Elyos — e que substituem os anéis do jogo-base. Os braceletes, como podemos imaginar, são os mesmos apresentados nas primeiras levas da expansão, mas não espere uma maior interação entre os personagens na trama. Corrompidos pelo poder do lorde das sombras, os Emblems permanecem mudos e vazios, dando espaço aos demais.

    Sendo evocada, Alear integra o grupo e viaja aos continentes em busca dos braceletes, encontrando versões distorcidas de seus companheiros, cegos pelo caos e sedentos pela soberania do território. Juntos ao grupo de resistência, contudo, vemos quatro curiosos personagens integrarem nossa party: Mauvier, Zelestia, Madeline e Gregory — os Four Winds, ecos do grupo antagonista da trama principal, os Four Hounds. Como é de esperar, suas personalidades também são diferentes: onde encontrávamos malícia, vemos pavor, da discórdia para a união.

    Essas novas personalidades, inclusive, conversam com uma nova forma de resistência apresentada: ao invés do combate direto e duro, os personagens incentivam a fuga e a paciência, em combates bem mais estratégicos, visto que nossas unidades, com limitações de nível, não são capazes de arrasar o mapa como de praxe.

    A trama se desenrola em um tom fúnebre, com um mundo devastado e corrompido. Desesperançosos, os personagens emergem em um cinismo que os valoriza, especialmente após o tempo que passamos ao lado deles em suas versões padrão. Em sete capítulos, a progressão dos personagens é realmente satisfatória, com momentos que nos emocionam e nos tocam, especialmente em flashbacks com artes lindíssimas, desenvolvendo a fundo as personalidades de Nel e Nil.

    Assim, acredito que o DLC consegue desempenhar um papel incrível no aprimoramento do universo, criando uma história única que faz valer o pacote. Afinal, como após o último capítulo desbloqueamos os personagens em nosso universo, os supports desbloqueados também aprimoram ainda mais suas personalidades, fazendo-me inclusive eleger Nel como uma de minhas favoritas de todo o jogo.

    Como se não fosse o bastante, resta discutir as batalhas em si. Os sete confrontos aqui disponíveis são, sem dúvidas, marcantes e criativos, especialmente o último, que de longe desbanca a missão final do jogo-base. O único adendo que deixo é que a dificuldade Difícil é, de fato, muito difícil, especialmente pelo level cap, restrigindo-nos a estratégias mais conservadoras.

    Pessoalmente, não fui capaz de passar do quinto capítulo sem diminuir a dificuldade, mas claro que jogadores mais pacientes serão recompensados ao experimentar as dificuldades mais avançadas. Além disso, como combatemos versões distorcidas de nossas próprias unidades, recomendo escolher unidades que conversem com líderes das nações de cada batalha para experienciar diálogos marcantes e até trágicos. No mais, temos mapas ainda mais incríveis de um jogo com um combate já impecável — não há muito mais que possa ser pedido.

    Conclusão

    Como disse no princípio, oculto propositalmente a nota e faço a derradeira questão: e vale a pena? E sem qualquer dificuldade, respondo: depende. Se, como eu, o leitor tiver adorado o título-base e deseja mergulhar fundo em uma nova história no universo, pode ir sem dúvidas, mas acabo pensando nos infortuitos jogadores que talvez estejam cansados após uma trama tão longa quanto a de Engage, e para estes talvez seja melhor deixar o jogo descansando, embora de forma breve. Quem sabe, após um tempo, quando a saudade apertar, a tentação de mergulhar na expansão não surja? Nessa hora, com certeza recomendarei o pacote, e espero ver cada vez mais pessoas se apaixonando ainda mais por este que permanece sendo um dos melhores lançamentos do ano.

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  • Análise – Sherlock Holmes The Awakened

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    Acompanho os games desenvolvidos pela Frogware games do famoso detetive desde The Mystery of the Mummy (PC/DS) e The Case of Silver Earring (PC/Wii). Durante todos esses anos, a série sofreu altos e baixos, porém é inegável que Sherlock Holmes The Awakened (junto de “Contra Jack The Ripper”) foi um dos mais marcantes, apesar de todos os contratempos.

    Agora, o mesmo título retorna na forma de um remake, trazendo a aventura que cruza o famoso detetive Sherlock Holmes com o universo de H.P Lovecraft: os famosos contos do chamado de Cthulhu.

    No entanto, diferente do The Awakened original, que traz o fiel Sherlock Holmes que conhecemos nos livros, o remake traz a edição jovem do detetive, que surgiu primeiramente no game anterior da série produzida pela Frogwares games.

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    Não é necessário jogar Sherlock Holmes Chapter One para jogar este game, mas há menções de eventos do jogo anterior que não afetam a história deste remake.

    Uma atualização necessária para o clássico game do Detetive

    Somente nos Sherlock Holmes mais recentes o ritmo da aventura é melhor elaborado, sem deixar o jogador perdido. Infelizmente, o The Awakened original é da fase onde a saga começa bem, mas a narrativa se torna um emaranhado mal dirigido, deixando o jogador extremamente perdido com seu falho desenvolvimento.

    Esse ponto é crucial porque é o ponto negativo mais forte dos jogos antigos da série. O Remake não só corrige esse fator, como traz diversas abordagens rápidas para não deixar o jogo maçante.

    Além da história ser fácil de acompanhar, o jogo alterou grande parte dos elementos de gameplay em relação ao original. Agora, os arquivos encontrados no jogo são anotações rápidas no livro do Sherlock Holmes, ao invés das intermináveis páginas de jornais que vinham acompanhadas de diversas informações desnecessárias, o que transforma a busca por alguma informação necessária para resolver algum enigma uma verdadeira pedra no sapato nos antigos jogos.

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    Sistema de pontuação libera novas roupas e objetos da série de jogo

    O mais interessante, no entanto, são as diversas mecânicas novas herdadas da edição do jovem Sherlock Holmes Chapter One, o jogo anterior a este remake. As mecânicas novas são inteligentes, intuitivas e rápidas, trazendo aquela sensação ao jogador de realizar um trabalho inteligente de detetive sem atrapalhar na velocidade do jogo.

    Ao conseguir uma pista, de algum lugar ou para encontrar uma pessoa desconhecida, você pode marcar a pista e sair perguntando aos NPCs da cidade, ou então, ao descobrir os locais onde ocorreram um assassinato específico, você terá que simular, de forma rápida e prática, o que realmente ocorreu na cena do crime. Tudo isso é feito de forma intuitiva, prática e rápida, trazendo uma atualização muito bem vinda nesse remake.

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    Reconstruir os fatos é intuitivo e prático, trazendo uma velocidade necessária ao jogo.

    As poucas falhas não estragam a experiência

    Nem tudo são flores no gameplay. Um dos novos elementos que achei maçante e desnecessário foi sobre pesquisar as informações em livros e documentos, da qual envolve descobrir 3 respostas de 4 perguntas para ganhar um conhecimento específico. Além de pouco intuitivo, nem sempre é claro a informação que você busca.

    Além disso, uma adição importante para atmosfera, mas que achei um verdadeiro tédio no gameplay, são as partes que envolvem o mundo de Cthulhu, da qual o jogador deverá passar por rápidas sessões de mistério um tanto esotéricas, envolvendo mais encontrar símbolos no cenário do que realmente resolver um puzzle inteligente.

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    Diversas roupas e opções estéticas para você resolver os mistérios com estilo. Dr. Watson incluso!

    Um mundo vivo cheio de personagens incríveis

    É interessante notar que, apesar do tamanho relativamente grande de cada uma das oito cidades e locais que visitamos, nenhuma se torna maçante em encontrar pistas com esse novo sistema que, de forma intuitiva, sempre leva o jogador à próxima pista importante.

    E esse cenários, diga-se de passagem, estão muito bonitos. Assim como os jogos do Sherlock Holmes impressionaram com seu gráfico na época, seu Remake consegue causar os mesmo efeitos, com detalhes bonitos que conseguem se manter detalhados no Switch pelo jogo não ter elementos de gameplay tão complexos, como Vampyr têm, por exemplo, no sistema de batalhas.

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    O capítulo 6 se passa dentro (e nas imediações) de uma mansão, trazendo uma atmosfera incrível ao maior estilo Resident Evil 1.

    No entanto, as falhas de sombras e de algumas formas estéticas, como as barbas de certos personagens, possuem por bugs que dificilmente passarão despercebidos pelos jogadores. A cidade de Nova Orleans foi a única cidade que achei que teve redução drástica graficamente, acredito que devido ao tamanho do local. E a redução da qualidade se mantém nos efeitos de luz e na distância de visão, não nas texturas e gráficos.

    A trilha sonora também não fica atrás, sendo superada somente pela ótima atuação de voz dos personagens. A vantagem de trazer o jovem Sherlock Holmes é que a linguagem e até mesmo a forma de falar dos personagens são mais críveis e descontraídas, trazendo uma atualização necessária para as novas gerações.

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    VereditoSherlock Holmes The Awakened é um remake que melhora praticamente todos os aspectos do velho jogo, e ainda consegue reter a mesma atmosfera envolvente do clássico. Suas falhas estão mais presentes no gráfico, que de forma alguma impacta na experiência deste grande jogo.PrósJogabilidade inovadora que remove todos os defeitos do clássico Jogabilidade intuitiva Texturas detalhadas e gráficos bonitos Trilha sonora que se encaixa perfeitamente na atmosfera do jogo Excelente atuação de voz  Tradução PTBR de ótima qualidadeHistória incrívelContrasEfeitos de sombra possuem bugs visíveis a todo momentoRaras quedas de performanceElementos de gameplay que parecem ter sido adicionados só para aumentar o tempo de jogo9{“@context”: “http://schema.org/”, “@type”: “Organization”, “name”: “Análise – Sherlock Holmes The Awakened”,”image”: [ “https://universonintendo.com//srv/htdocs/wp-content/uploads/2023/04/sherlock_holmes_awakened_game_remaster_switch.jpg” ],”review”: { “@type”: “Review”, “reviewRating”: { “@type”: “Rating”, “worstRating”: “0”, “ratingValue”: “9”, “bestRating”: “10” }, “author”: { “@type”: “Person”, “name”: “Vinicius Tarouco” } }}

  • Análise: Kraino Origins (Switch) — uma aventura de plataforma das antigas que diverte com simplicidade

    Em uma terra distante, o maligno Dr. Batcula decidiu formar um exército sombrio a partir de magia e ciência, dando vida às suas próprias criaturas e revivendo monstrengos do passado. No entanto, o seu plano começou a dar errado quando ele ressuscitou Kraino, um esqueleto que parecia ser maligno, mas que bravamente passou a combater as tropas do vilão.

    Assim, Kraino Origins narra a saga desse protagonista que, buscando salvar o universo de seus perigos assombrosos, deve enfrentar cenários bidimensionais com desafios de plataforma e embates intensos. Embora não seja uma aventura essencialmente original e ampla, é preciso reconhecer que este platformer retrô consegue nos divertir por meio de sua agradável simplicidade.

    Tirando o chapéu para KrainoEm termos de narrativa, Kraino Origins é bastante limitado: para além de uma breve cena cinematográfica introdutória, o jogo não apresenta grandes acontecimentos ou desenvolve personagens, apenas nos mostra alguns diálogos conforme avançamos pela campanha. Por isso, sem se aprofundar em sua trama, fica claro que a aventura concentra-se em oferecer uma jogabilidade intensa.

    Com movimentação lateral, saltos e a presença de habilidades especiais que nos permitem atacar à distância, atirando bolas de fogo ou arremessando machados, por exemplo, Kraino possui um repertório de movimentos bastante tradicional, mas que é divertido de usar. Isso ocorre principalmente pela precisão dos comandos e também pela intensidade dos desafios, que exigem pulos precisos, desvios ligeiros e investidas de ataque diversificadas.
    Quando o assunto é progressão, a campanha é essencialmente linear, compreendendo oito estágios, cada qual com um chefão em seu final, além de outras pequenas fases que são chamadas de Desafios. Nestas, devemos superar adversidades para conquistar as Caveiras Mágicas, que possibilitam melhorias na loja da aventura.

    Esses motivos evidenciam que Kraino Origins tem uma essência bastante simples em termos de progressão e jogabilidade, o que não é necessariamente um problema. Muito pelo contrário, essa é uma das maiores qualidades da aventura: entreter através de desafios intuitivos e clássicos, que também são agraciados por uma estilosa estética retrô.

    O belo e pixelado Mundo SuperiorAlém de interessantes propostas de level design, temos aqui um título que incorpora muito bem a sua temática assustadora: enquanto os cenários estampam ilustrações encantadoras, exibindo cemitérios, cavernas e florestas, os personagens são criativos e vão desde lobisomens e arqueiros esqueletos até cogumelos venenosos e fantasmas. Nesse sentido, a pixel art utilizada faz um bom serviço, trazendo o aspecto old school desejado, mas sem deixar de caprichar nas ambiências do Mundo Superior, como é chamado o universo da saga.

    Outra proeza de Kraino Origins está no fato de que os estágios contam com itens coletáveis. Em cada fase, podemos coletar até três Fragmentos de Alma, o que é interessante pois, além de incentivar as explorações, também aumenta o fator replay da aventura, juntando-se à conjuntura de que as fases de desafio são opcionais; ou seja, encaramos esses estágios apenas se desejamos coletar novos recursos.
    Diante disso, a minha jornada foi divertida e encantadora, tanto por conta das qualidades estéticas, quanto pela fundamentação dos desafios. Uma pena, no entanto, que alguns problemas se manifestem em meio aos cenários arrasados pelas tropas do Dr. Batcula.

    Adversidades que não estão nos estágiosNos primeiros instantes de jogatina, é notável que as físicas de movimentação de Kraino são um tanto singulares. Apesar dos comandos serem precisos, os saltos e a corrida do protagonista se mostram rígidos e lentos, causando uma certa estranheza que se intensifica quando os desafios exigem precisão. Por conseguinte, torna-se necessário um tempo de habituação aos recursos do jogo.

    Enquanto isso, outros dois potenciais problemas chamaram a minha atenção, mas que não estão necessariamente no gameplay em si. Primeiro, é preciso apontar que Kraino Origins é uma aventura breve: com cerca de duas horas e meia, pode-se completar os oito estágios da campanha, o que é frustrante.
    Em seguida, temos a adversidade de que, após o fim da jornada, nota-se claramente que o jogo não traz, essencialmente, nada de novo em suas premissas. De fato, em muitos momentos há até uma certa falta de originalidade nas propostas do jogo, que não agrega e nem revoluciona nada em seu gênero, baseando-se apenas na premissa de ser um título retrô.

    Assim, a verdade é que Kraino Origins é uma aventura recomendada para aqueles que procuram uma escolha segura de aventura de plataforma com raízes clássicas. Nesse sentido, por executar bem as suas premissas, o jogo pode encantar com os seus desafios simples e efetivos, mas não espere por nada além disso.

    Vestido para matar (o mal, claro)Em suma, Kraino Origins é um novo platformer com premissas retrô que se junta à biblioteca do Switch. Enquanto a sua pixel art proporciona cenários bonitos, os seus desafios garantem uma jogatina muito intensa, fazendo com que a aventura, mesmo que curta, tenha um charme tão elegante quanto Kraino, que veste um estiloso terno e um belo chapéu roxo.

    Prós

    • As fases contam com desafios de plataforma clássicos;
    • Batalhas contra chefões e uso de habilidades divertidas;
    • A estética da aventura é agraciada por uma bela pixel art e personagens curiosos;
    • Os desafios extras e demais coletáveis aumentam o fator replay;
    • Para os fãs de platformers, há uma diversão simples, efetiva e certeira.

    Contras

    • No início, a movimentação rígida de Kraino pode causar estranheza;
    • A campanha principal é curta, além de não desenvolver a trama da obra;
    • Não traz nada de novo, deixando a desejar em termos de originalidade.

    Kraino Origins — Switch/iOS/PC — Nota: 7.5Versão utilizada para análise: Switch

    Revisão: Diogo MendesAnálise produzida com cópia digital cedida pela Elden Pixels