Poético, simbólico e tecnicamente instável
Hannah é um daqueles títulos que chamam atenção à primeira vista: direção de arte marcante, temática pesada tratada com sensibilidade e uma trilha sonora que carrega o jogo nas costas. Mas, ao mesmo tempo, é impossível ignorar como ele tropeça tecnicamente — especialmente no Nintendo Switch.
Um jogo que emociona, mas que também exige paciência

Desenvolvido pelo estúdio mexicano SpaceBoy e publicado pela brasileira QUByte Interactive, Hannah é um jogo de plataforma 3D com elementos de puzzle e forte carga narrativa. Seu lançamento aconteceu no fim de outubro para as plataformas — PlayStation, Xbox, PC, Nintendo Switch — e sua proposta se apoia em temas desafiadores, como saúde mental infantil, luto e traumas.
Você assume o papel de uma garotinha que perdeu sua boneca favorita e precisa atravessar um mundo que mistura sonho e pesadelo, repleto de metáforas sobre medo e memórias distorcidas. A jornada é menos sobre desafios mecânicos e mais sobre interpretar os símbolos espalhados pelo caminho.
O que o jogo entrega em termos de ambiente, atmosfera e mensagem

A direção de arte é um dos maiores destaques. Hannah aposta no visual inspirado em fitas VHS dos anos 80, com ruído constante, cores desbotadas e aquela estética lo-fi melancólica. É um estilo que remete imediatamente a jogos como Little Nightmares, mas com personalidade própria.
A trilha sonora, composta por Adrián Terrazas (The Mars Volta), é impressionante. O compositor vencedor do Grammy cria uma paisagem sonora que não só ambienta, mas conduz a narrativa emocionalmente. Em vários momentos, a música parece guiar o ritmo da jogabilidade, preenchendo lacunas deixadas pela falta de refinamento técnico.
No entanto, a forma como o jogo revela sua história pode gerar frustração. Partes essenciais da narrativa são contadas em fitas colecionáveis espalhadas pelas fases. Se o jogador perde algumas delas, a trama — já naturalmente metafórica — se torna ainda mais confusa.
É fácil entender o que o jogo quer dizer, mas nem sempre é fácil acompanhar como ele tenta dizer.
Como funciona a gameplay de Hannah

O gameplay de Hannah mistura plataforma 3D com puzzles simples, mas nem sempre entrega a precisão necessária. A movimentação é pesada e os pulos são inconsistentes, o que torna partes básicas da jornada mais difíceis do que deveriam ser. A câmera também cria obstáculos: em vários momentos, ela se posiciona mal e força o jogador a corrigir o ângulo, quebrando o ritmo da exploração.
Os puzzles funcionam apenas como pequenas pausas entre as áreas de plataforma. São fáceis, diretos e raramente surpreendem. Já o design das fases tenta refletir os medos e traumas da protagonista, mas nem sempre essa intenção se traduz em desafios coerentes; às vezes, os cenários parecem desconectados da mensagem que deveriam reforçar.
A progressão depende da coleta de fitas que contam a história, o que pode deixar a narrativa confusa caso o jogador perca algum desses itens. No geral, o gameplay cumpre seu papel de conduzir a experiência, mas não é o ponto forte do jogo — ele existe para apoiar a narrativa, e não para brilhar por conta própria.
Desempenho no Switch: uma diferença gritante para as outras plataformas

É difícil ignorar o maior obstáculo do jogo no Nintendo Switch: o desempenho.
No Switch 1, Hannah sofre intensamente com quedas de frame rate, problemas de carregamento e bugs frequentes. Em certas áreas — especialmente uma seção avançada com plataformas giratórias suspensas — a performance despenca tanto que os pulos simplesmente deixam de funcionar de forma confiável.
É frustrante. Em alguns momentos, quase injogável.
Migrar para o Switch 2 muda o cenário, apesar do jogo não ter uma versão própria de Nintendo Switch 2, o jogo pode ser executado através da retrocompatibilidade. O jogo não atinge os 60 fps das versões de PS5 e PC, mas se torna estável o suficiente para que a experiência seja muito mais fluida. Ainda há bugs, mas as quedas de framerate não comprometem o progresso da mesma forma.
Ou seja: se você tem acesso ao Switch 2, a experiência melhora bastante. Mas no Switch 1, é preciso paciência.
Os bugs: divertidos por 5 minutos, cansativos depois disso

Hannah sofre com uma quantidade considerável de bugs que, no início, podem até parecer engraçados, mas rapidamente se tornam incômodos. Há momentos em que a personagem simplesmente atravessa paredes, “voa” pelo cenário ou perde colisão com objetos importantes. Em outras situações, chefes somem do nada, elementos do ambiente piscam ou desaparecem, e certos eventos simplesmente não são acionados como deveriam, obrigando o jogador a reiniciar trechos inteiros. Esse conjunto de falhas acaba quebrando a imersão e interrompendo a fluidez da experiência, o que é especialmente frustrante em um jogo tão focado na narrativa e no impacto emocional.
Vale a pena jogar Hannah?

Hannah não é um jogo para quem procura precisão de plataforma. Ele não é sobre dificuldade, nem sobre dominar mecânicas. É uma obra sensível, cheia de intenção, mas prejudicada por sua execução técnica.
Por outro lado, se você aprecia experiências narrativas poéticas, jogos independentes com forte carga emocional e mundos simbólicos à la Little Nightmares, há valor aqui. Principalmente se surgir uma promoção — o preço base de R$ 59,99 não reflete bem a qualidade do port para o Switch 1.
E, sinceramente, torço para que o jogo receba atualizações ou até uma versão otimizada exclusivamente para o Switch 2. Hannah tem uma história que merece ser sentida plenamente, sem que a técnica atrapalhe a mensagem.
Conclusão: um jogo imperfeito, mas honesto

Hannah é uma experiência que tenta falar diretamente ao coração — e, em parte, consegue. Apesar dos tropeços técnicos, há verdade na forma como o jogo aborda sentimentos difíceis e memórias dolorosas. No fim, ele é mais sobre sentir do que sobre jogar.
Se você decidir embarcar nessa jornada, vá com expectativa ajustada e a mente aberta. Mesmo imperfeito, Hannah vai entregar um final emocionante — uma pequena reflexão sobre medo, perda e como enfrentamos nossos próprios monstros internos.
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