Análise: Grid Legends: Deluxe Edition encontra seu lugar no Nintendo Switch 2

A série Grid sempre ocupou um espaço muito específico dentro dos jogos de corrida: o meio do caminho entre o arcade puro e os simuladores mais exigentes. No Nintendo Switch 1, Grid Autosport foi praticamente a única grande referência desse estilo, mas também carregava limitações claras de acessibilidade e ritmo.

Agora, com Grid Legends, a franquia retorna no Nintendo Switch 2 adotando uma postura mais arcade, mais amigável e muito mais fácil de se engajar — sem abrir mão da profundidade que define o gênero simcade. O resultado é um jogo mais divertido, mais rápido de entender e, visualmente, mais impressionante do que seu antecessor na plataforma.

O que é Grid Legends

Grid Legends é o quinto jogo da série Grid e o segundo a chegar aos consoles Nintendo (o terceiro, se considerarmos a versão do primeiro Grid para Nintendo DS). Ele é um jogo de corrida simcade, equilibrando física mais realista do que arcades tradicionais, mas sem a rigidez e complexidade extrema dos simuladores.

Aqui, não basta apenas segurar o acelerador o tempo todo. Cada tipo de veículo tem comportamento próprio, exigindo adaptação do jogador. Ao mesmo tempo, colisões não são excessivamente punitivas e a exigência por aceleração e frenagem analógicas é reduzida, tornando a experiência mais acessível.

Diferente de jogos como Mario Kart, Grid Legends não gira em torno de escolher um veículo favorito. A proposta da série é fazer o jogador dominar diversos tipos de carros, já que todos eles aparecem em algum momento da campanha ou do modo carreira.

Outro ponto importante: não é necessário ter jogado títulos anteriores da franquia. Grid não é anual nem preso a uma categoria específica como Fórmula 1 ou WRC. E no Switch 2, o jogo chega já em sua versão Deluxe, com todo o conteúdo incluso, sem DLCs ou compras adicionais.

Como funciona

Logo ao iniciar o jogo, Grid Legends já te coloca diretamente no modo história, algo que ajuda muito na acessibilidade inicial. Esse modo apresenta uma narrativa fictícia sobre a equipe Seneca Racing, que contrata um novo piloto conhecido apenas como “Corredor 22” — o jogador.

A história é contada por meio de cenas live-action, com atores reais, em um formato que simula um documentário esportivo. O nível de produção é tão alto que, sem contexto, é fácil confundir as cenas com um evento real de automobilismo.

O modo história conta com 36 corridas, cada uma com objetivos variados. Na maioria das vezes, não é preciso vencer: basta superar um rival específico, alcançar determinada posição ou não ser eliminado. Ainda assim, se o jogador vencer a corrida, isso fica registrado, incentivando revisitas futuras.

Essa estrutura torna o modo história ideal para iniciantes. Além disso, o jogo alterna constantemente entre tipos de veículos: carros comuns, elétricos, clássicos, caminhões, carros com turbo e muito mais. O desafio está em se adaptar à física de cada categoria.

A duração da história principal varia entre 5 e 8 horas, dependendo da dificuldade, do ritmo do jogador e do quanto ele se envolve com as cenas. Além dela, existem quatro mini-campanhas adicionais, também com cenas live-action, elevando o total para algo entre 10 e 15 horas só nesse modo.

Além da história, o jogo oferece um modo carreira, onde o foco é se especializar em categorias específicas de veículos. Cada categoria possui uma sequência de eventos com exigências próprias, e algumas corridas finais só são liberadas quando o carro atinge determinado nível. Esse é, provavelmente, o modo onde o jogador passará mais tempo.

Há ainda o Jogo Livre, que inclui Corrida Rápida, Corrida Única, Copa Personalizada e Eventos Dinâmicos. Esses eventos dinâmicos funcionam por tempo limitado, com rankings online, incentivando o retorno periódico ao jogo mesmo após concluir todo o conteúdo principal.

Nos menus de Garagem e Equipe, o jogador compra e melhora carros, personaliza seu perfil, evolui mecânicos, colegas de equipe e fecha contratos com patrocinadores. Um destaque interessante é a possibilidade de alugar carros, permitindo acessar qualquer veículo desde o início, mesmo sem possuí-lo.

Opinião: acertos e problemas

Grid Legends é muito mais fácil de engajar do que Grid Autosport. O modo história logo de cara, a física mais arcade e os objetivos menos punitivos fazem com que o jogo seja rapidamente aceito, mesmo por quem não é fã do gênero.

Com o tempo, porém, surge uma sensação de repetição. Apesar da enorme variedade de carros, pistas e condições climáticas, os objetivos acabam sendo parecidos: vencer corridas ou sobreviver a eliminações. O jogo quer que o jogador domine diferentes categorias, repetindo desafios semelhantes com físicas distintas.

Por isso, subir a dificuldade é essencial. Nos níveis mais baixos, a base da direção é suficiente para vencer. Já nas dificuldades mais altas, os detalhes de cada veículo fazem diferença real.

Visualmente, o jogo é impressionante no Switch 2, superando o impacto que Autosport teve no Switch 1. Ainda assim, há inconsistências técnicas no modo portátil: quedas de frame mesmo no modo desempenho e algumas texturas mais simples. No modo portátil, o equilíbrio entre visual e performance funciona melhor do que na TV, onde faz falta o modo equilibrado.

Outro ponto negativo importante é a ausência de modos essenciais. Não há multiplayer online na versão Switch 2 e, mais grave ainda, não existe tela dividida, algo que o Autosport oferecia no Switch 1. Essa ausência pesa bastante, especialmente em um console com forte apelo local.

Em compensação, o sound design é excelente e o uso do HD Rumble está entre os melhores do console. A sensação de contato com o asfalto, colisões e até peças soltas do carro é extremamente imersiva.

A customização também impressiona: são mais de 100 carros, cada um com diversas pinturas disponíveis, além de 22 locais, com múltiplas rotas e variações de clima e horário, totalizando mais de 120 pistas.

Vale a pena comprar GRID™ Legends: Deluxe Edition no Nintendo Switch 2 ?

Grid Legends é um jogo de corrida excelente e uma das recomendações mais altas do gênero no Nintendo Switch 2. Ele entrega uma quantidade absurda de conteúdo, uma curva de aprendizado profunda, narrativa diferenciada com cenas live-action e uma jogabilidade acessível, mas cheia de nuances.

É uma pena que decisões como a ausência de tela dividida e a limitação de alguns modos acabem segurando um pouco o seu potencial máximo. Ainda assim, para quem gosta do estilo simcade, é um jogo que vale muito a pena, especialmente por poder ser aproveitado aos poucos, ao longo do tempo.

Pré-indicado ao Coelho Awards 2026 nas categorias de Melhor Jogo de Corrida e Melhor Jogo Multiplataforma

Nota técnica final: 8.5/10
Tier de recomendação: S – Sublime
Avaliação do preço cheio (R$209): Justo

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Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

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