O estúdio House House chamou a atenção do cenário indie em 2019, com o jogo Untitled Goose Game. O que ninguém esperaria, é que o, definitivamente criativo, estúdio, revolucionaria os jogos em multiplayer cooperativo anos depois.
O feito aconteceu com o jogo Big Walk recentemente lançado para Nintendo Switch 2, PS5 e PC. Moldando seu mundo para 2 a 12 jogadores, o jogo inova ao utilizar uma mecânica que estava lá o tempo todo, mas eles viram primeiro: a voz.
Como Funciona
A ideia de Big Walk parece genérica, principalmente em 2026:
Um grupo de amigos, online, cooperam para explorar uma ilha e resolver puzzles; enquanto interagem com aquele mundo, com diversos locais e objetos colocados no mapa apenas para permitir interações divertidas.
Essa sinopse poderia ser usada em alguns outros jogos, substituindo algumas palavras. Afinal, o cooperativo online, focando em liberdade de gameplay e interação, está em alta, e diversos jogos tem viralizado através de lives de streamers e criadores de conteúdo jogando juntos.
Só que uma característica mudou tudo, e honestamente, o marketing não a deixou em evidência como deveria: a comunicação. Para jogar Big Walk é necessário não apenas que amigos se conectem online, mas usem o microfone do jogo para se comunicar.
A obrigação logo faz sentido. O grande truque de mestre do jogo é criar puzzles onde se comunicar é a chave. Só que o jogo implementa um Design de Áudio que faz com que essa comunicação por microfone seja muito mais elaborada que o normal:
- Jogadores se ouvem menos caso se distanciem. Tal como na vida real.
- Paredes, e outras influências externas podem abafar o som.
- A sincronia pela voz terá de ser a guia em alguns momentos.
Esses e outros exemplos, trazem ao jogo um conjunto de puzzles únicos, que serão resolvidos usando… a comunicação, tanto quanto o cérebro.
E com uma ideia diferente, e claro, bem elaborada, Big Walk se afasta do título de genérico, para o de inovador.
Ambientação
Embora os puzzles de comunicação sejam o grande atrativo, pela inovação, não é como se isso fosse a única coisa que o jogo tem a oferecer.
Em especial, a ambientação de Big Walk é outro ponto de destaque, servindo como o palco perfeito para a tradicional fórmula de jogo cooperativo.
Em geral, o jogo usa um conceito de antítese, um contraste entre o realista e o lúdico.
A ilha em si, e toda a parte de vegetação/natureza, é bastante realista. Com texturas em alta definição, folhagem volumosa no chão, e praias que te dão vontade de viajar. Talvez somente a água não seja tão impressionante, mas ainda é muito boa.
Porém, os personagens são extremamente lúdicos, minimalistas, e talvez sem os cenários caprichados, algumas pessoas acusariam de ser preguiçoso. Esses personagens caricatos fazem mais sentido ao explorar a ilha realista, e nos depararmos com diversas construções que trazem a antítese citada anteriormente: se assemelham à parque de diversões, coloridas e de texturas simples.
Tinha tudo para dar errado. Outros jogos já tentaram misturar personagens cartunescos em cenários realistas, e pareceram deslocados. Aqui, essa mistura entre opostos dá o tom que o jogo quer: um clima de “sobrevivência na ilha”, mas que você está passando ao lado de um amigo para se divertirem juntos.
Provavelmente, se fosse tudo realista, o jogo ia parecer sério demais; e se fosse todo lúdico, bagunçado demais. O tom é esse aqui mesmo.
E no Switch 2?
A versão Switch 2 do jogo tem alguns pontos que deixam a desejar, mas em geral, é ótima, e até impressionante, principalmente ao lembrarmos que se trata de um jogo independente.
As texturas de alta qualidade ainda se mantém, assim como a vegetação detalhada.
Mas talvez o ponto mais impressionante seja a iluminação. Não só o jogo tem clima dinâmico, com ciclos rápidos de dia e noite interferindo em tempo real, mas todo tipo de lanterna também reage em tempo real de forma bem realista.
O maior problema acaba sendo a frequência do pop-in. Diversas vezes, partes do cenário aparecem somente quando chegamos perto, o que acaba desviando a atenção.
Experiência Positiva?
Com toda a certeza, Big Walk merece atenção. O jogo traz uma proposta cooperativa diferente, ambientada numa ilha detalhada sob uma visão artística única.
Acaba que o problema fica na raíz de sua proposta: é um jogo completo que precisa ser jogado em cooperativo e com voz ligada. E tudo bem, é a proposta, mas ela acaba deixando alguns jogadores de fora.
Entretanto, algo que ajudaria muito, nesse sentido, seria a inclusão de um “Passe de Amigo”, uma versão gratuita do jogo que só se ativa caso um pagante convide a pessoa. Isso facilitaria quem comprou achar pessoas para jogar, principalmente para testar formações maiores como acima de 4 jogadores.

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