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  • Análise: Pipistrello and the Cursed Yo-yo – O melhor zelda-like brasileiro no switch

    Análise: Pipistrello and the Cursed Yo-yo – O melhor zelda-like brasileiro no switch

    O melhor jogo indie do Switch de 2025 até agora custa só R$50,00

    Imagem: Pipistrello and the Cursed Yoyo, Divulgação Nintendo Eshop

    Pipistrello and the Cursed Yo-yo é um jogo desenvolvido pelo estúdio brasileiro Pocket Trap, que já nos trouxe o aclamado Dodgeball Academia, chega com a forte promessa de ser o melhor “Zelda-like” disponível na plataforma da Nintendo até o momento, além de se posicionar como um dos grandes jogos indie brasileiros já feitos. Nós, da equipe do canal Coelho no Japão dedicamos uma análise aprofundada para desvendar o que torna este título tão especial.

    Nosso objetivo aqui é destrinchar essa experiência para você, leitor do portal Coelho News, que busca saber se vale a pena investir seu precioso tempo de jogatina neste pequeno grande título Indie brasileiro.

    • Essa análise de Pipistrello and the Cursed Yo-yo foi produzida com base no video original do canal Coelho no Japão.

    O Que é Pipistrello and the Cursed Yo-yo?

    Imagem: Pipstrello tem ou não tem um visual “badass”? haha

    Em sua essência, Pipistrello and the Cursed Yo-yo é um jogo de aventura. Ele mistura elementos de combate, quebra-cabeças e história. Há também um forte componente de plataforma e, como em Zelda, as famosas “dungeons”. A estrutura do jogo envolve explorar um mapa que se abre gradualmente, completando pequenos objetivos e missões principais que geralmente culminam em chegar a locais específicos, entrar nesses espaços fechados (as dungeons ou áreas de aventura) para cumprir uma grande missão, enfrentar um inimigo importante e, principalmente, adquirir uma nova mecânica de gameplay.

    Imagem: As mecânicas de “ricochete” com o yo-yo não cansam de surpreender ao longo da aventura

    À primeira vista, a premissa pode soar como “mais um jogo no estilo Zelda, mas com um yo-yo no lugar da espada”. No entanto, a ideia original foi realmente subverter as mecânicas de gameplay tradicionais. Todos os quebra-cabeças exigem que você calcule a direção para lançar o yo-yo, fazendo-o ricochetear para acertar alavancas ou resolver desafios. O combate é inteiramente baseado em manobras com o yo-yo, indo muito além de simples ataques. Mesmo as habilidades que auxiliam na plataforma são pensadas em como um yo-yo aprimorado poderia criar novas possibilidades de movimentação.

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    Por que este jogo se destaca como um dos melhores Indies de 2025?

    Imagem: A exploração do mapa é um dos principais pontos fortes de Pipistrello

    O grande trunfo de Pipistrello é a sensação constante de surpresa e inovação que ele entrega, mesmo partindo de uma fórmula familiar como a de Zelda. Ele consegue fazer com que você se sinta ao mesmo tempo em casa, por conhecer o estilo clássico de jogo, e curioso, sempre se perguntando qual será o próximo poder, o novo ataque, ou como derrotar o próximo inimigo. Essa criatividade mantém a curiosidade do jogador aguçada, impulsionando a exploração não apenas pela história, mas pela própria gameplay.

    O mais impressionante é que, mesmo após mais de 20 horas de jogo, ele não para de surpreender, introduzindo novas ideias como “e se desse para usar este item aqui?” ou “e se você juntasse essa mecânica nova com aquela mecânica antiga?”. Essa mistura contínua de elementos é nada mais nada menos que “absolute videogames” haha.

    Imagem: As dungeons podem ser um desafio mesmo para os players calejados de tanto jogar Zeldinha, haha

    Além da estrutura de aventura e dungeons, há também um fator RPG leve. Ao explorar o mundo, coletamos itens que aumentam a vida e o BP (espaços de inventário). Esses espaços são usados para equipar “bótons”, que são habilidades passivas variadas, como ganhar vida extra, aumentar o dano, não perder vida ao cair em buracos uma vez por sala, ou ficar mais forte em troca de movimento lento. Existem dezenas de bótons, permitindo que o jogador crie seu próprio “set” de habilidades passivas, focando em regeneração, dano com pouca vida (estilo “glass cannon”), ou outras estratégias. A escolha de bótons muitas vezes envolve risco e recompensa, o que é sempre satisfatório em jogos. Há também ataques especiais que são aprendidos e podem ser equipados, variando em facilidade de uso e poder ao serem masterizados.

    Imagem: A mecânica das “dívidas” traz a necessidade de manter o jogador pensando em estratégias e escolhas

    Um dos aspectos mais geniais é a árvore de habilidades. Embora você possa aprender todas as habilidades eventualmente, a escolha de qual aprender primeiro é crucial. Nela, é possível aumentar vida, força, BP, reduzir tempo de ataque carregado, entre outros atributos. Algumas habilidades da árvore são semelhantes aos buttonons equipáveis, e usá-las juntas soma os efeitos. O diferencial aqui é a forma de aquisição: ao escolher uma habilidade, você adquire uma “dívida”. Metade do dinheiro que você ganha a partir daí vai para pagar essa dívida. Enquanto a dívida existir, você sofre um efeito negativo na gameplay, como redução de vida, perda de força ou BPs. Esse efeito só desaparece quando a dívida é quitada. No entanto, ao pagar uma dívida, você provavelmente já quererá aprender outra habilidade, contraindo uma nova dívida e um novo efeito negativo.

    Este sistema força o jogador a se adaptar constantemente e a customizar sua estratégia, utilizando todos os recursos disponíveis para gerenciar os bótons, BPs, vida, a habilidade desejada, a dívida e o efeito negativo associado. Essa administração constante é muito genial.

    O “mundo” de Pipistrello and the Cursed Yoyo

    Imagem: É praticamente impossível não se perder (no bom sentido) pelo mundo de Pipistrello, a cidade é maravilhosa!

    O fator campeão, responsável por elevar Pipistrello a um dos melhores Zelda-likes no Switch, é o seu mundo. Assim como em Zelda, onde a essência está em Hyrule e na sensação de explorar um parque de diversões onde há algo divertido em todas as direções, o mundo de Pipistrello evoca essa mesma sensação com NPCs que têm piadas e personalidades interessantes e um contexto para cada local.

    O mapa é uma cidade dividida em bairros, e cada quarteirão oferece algo único: um puzzle, um desafio, uma entrada para o esgoto, um comércio ou uma mini-dungeon disfarçada, como um cinema. O mundo é vivo e cheio de surpresas: inimigos surgem do nada, NPCs pedem ajuda, carros exigem atenção e podem até ser usados a seu favor. Completar um quarteirão revela o próximo, criando um ritmo constante de descoberta. As dungeons são geniais e os chefes ótimos, mas a grande diversão está em explorar tudo. Apesar das influências Metroidvania, é impossível se perder: o mapa é claro, tudo é marcado e também podemos utilizar de fast travel (viagem rápida).

    Finalmente, um fator distintivo e amado é o “Aqui é Brasil”. Várias músicas-tema dos bairros utilizam ritmos brasileiros, fruto do trabalho do compositor Leonardo Lima. Há referências a ruas brasileiras, e o texto é repleto de piadas e toques nacionais. A experiência de jogar na versão em português é considerada potencialmente mais divertida para um brasileiro do que para um estrangeiro.

    Imagem: Essa vibe retrô com visual inspirado em jogos de Game boy Advanced entregam uma experiência nostálgica e imersiva

    O jogo também abraça uma pegada retrô, baseada no Game Boy Advance. Há filtros de imagem que simulam telas antigas, a opção de reduzir o tamanho da tela para simular um console portátil fictício, e o sound design remete a jogos como Pokémon Fire/Leaf Green. Tudo isso contribui muito para a imersão na estética proposta. A história, embora secundária em relação à gameplay, é boa, com um enredo base que justifica a aventura e diálogos com NPCs cheios de bom humor e piadas que muitas vezes criam associações com o mundo real. Tudo o que você lê adiciona algo à experiência, seja uma piada, a personalidade de um NPC ou um contexto.

    Para quem é este jogo?

    Imagem: Apesar desta captura estar em inglês, Pipistrello tem suporte TOTAL ao PT-BR entregando uma experiência fantástica para jogadores brasileiros

    Pipistrello and the Cursed Yo-yo é ideal para fãs de The Legend of Zelda clássicos e modernos. É para jogadores que apreciam a exploração de mundo aberto (ou semi-aberto, neste caso) repleto de segredos e atividades. É especialmente recomendado para quem busca mecânicas de gameplay inovadoras e gosta de ser surpreendido constantemente, mesmo após muitas horas de jogo. Fãs de jogos com sistemas leves de RPG, customização de habilidades e quebra-cabeças criativos encontrarão muito o que amar. E, claro, para o público brasileiro, os toques de brasilidade na música, piadas e referências tornam a experiência ainda mais especial e divertida.

    Desenvolvido pela Pocket Trap, este jogo mostra um claro amadurecimento do estúdio desde Dodgeball Academia. Enquanto Dodgeball Academia é um RPG de queimada (algo muito único), Pipistrello é um Zelda-like com uma roupagem e mecânicas muito diferentes, mas com uma base conhecida. A escolha entre os dois dependerá da preferência por RPG ou aventura, mas a qualidade de desenvolvimento e direção em Pipistrello é inegável.

    Quando e onde encontrar Pipistrello and the Cursed Yoyo?

    Pipistrello and the Cursed Yo-yo está disponível na eshop para o seu Nintendo Switch – E para encontrar o jogo com o melhor preço, a equipe do canal Coelho no Japão realiza pesquisas diárias e compila as melhores ofertas e cupons em grupos de WhatsApp, Telegram e Instagram, além do site Nintendo Barato.

    Com o cupom “COELHO10” disponível na Nuuvem, você pode comprar um gift card de R$ 50 (o preço de lançamento do jogo), você paga 10% a menos e ainda ganha cashback. Essa é uma excelente oportunidade para adquirir o jogo no lançamento por um preço ainda mais acessível.

    Assista a análise completa de Pipistrello and the Cursed Yoyo

    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

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  • Análise: Spiritfall – A combinação Surpreendente de Smash e Hades chega ao Nintendo Switch

    Análise: Spiritfall – A combinação Surpreendente de Smash e Hades chega ao Nintendo Switch

    Um novo roguelite acessível com combate de plataforma viciante

    Você já imaginou como seria se jogos como Smash Bros. ou Brawlhalla tivessem um modo história profundo com a progressão viciante de um roguelite como Hades? Essa é exatamente a proposta de Spiritfall, um título que ousou misturar esses dois estilos e, de acordo com a experiência compartilhada, “deu MUITO certo”. O jogo está chegando à eShop com um preço localizado e acessível de R$ 60,00 no lançamento, apresentando-se como uma opção interessante para jogadores de Nintendo que buscam títulos de qualidade sem gastar muito.

    Desenvolvido pelo estúdio Gentle Giant, Spiritfall se define como um Fighting Platform single-player. O jogo utiliza da essência dos jogos de luta de plataforma, onde o objetivo principal é lançar o inimigo para fora da arena. Títulos conhecidos nesse gênero incluem Smash Bros., Brawlhalla, Rivals of Aether e até mesmo o Multiversus. Spiritfall adapta essa física, alguns ataques clássicos, técnicas competitivas e modelos de fases para uma experiência focada em um único jogador, incluindo inimigos comuns, chefes e um sistema de progressão.

    A outra dose da sua fórmula vem diretamente de Hades, o aclamado roguelike que se tornou uma referência no estilo. Roguelikes são caracterizados por testar a estratégia do jogador a longo prazo através de escolhas aleatórias e fases geradas proceduralmente. A cada morte, ou até mesmo ao terminar e rejogar, as escolhas de magias, atributos, etc., são resetadas, mas a experiência adquirida e, no caso dos roguelites, melhorias permanentes são mantidas.

    Spiritfall se enquadra na categoria de roguelite por incorporar essas melhorias fixas, o que permite que o jogador comece cada nova tentativa (ou “run”) mais forte, tornando o jogo mais fácil com o tempo, até o ponto de facilitar sua conclusão. Assim como Hades, Spiritfall também utiliza a ideia de deuses elementais que concedem poderes e permite a criação de builds variadas, como focar em ataques de raio ou gelo com um machado específico.

    A fusão desses dois estilos é a grande inovação de Spiritfall. Ele não se propõe a ser um roguelike revolucionário ou um fighting platform inovador por si só, mas a novidade reside na combinação eficaz. Por entender que o jogador pode não estar familiarizado com ambos os gêneros, Spiritfall é apresentado como um dos roguelikes mais acessíveis, o que o torna um ótimo ponto de partida para quem deseja explorar o gênero, especialmente para jogadores de Nintendo que já possuem experiência com fighting platforms como Smash.

    O resultado dessa mistura é, em grande parte, bem-sucedida. O combate tem uma fluidez agradável, destacando-se pela física excelente, controles precisos e combos fáceis de aprender e executar. Muitos golpes e combinações são visivelmente inspirados em Brawlhalla. A variedade de poderes e bênçãos também é um ponto forte. Existem diversos deuses e elementos que podem modificar ataques básicos, ataques fortes (os “smash attacks” para empurrar inimigos), dash, ataques de tiro e até mesmo um ataque ultimate.

    Como é a progressão do game?

    A progressão é impulsionada pelos upgrades permanentes, que são numerosos e diversificados. Há melhorias para o personagem, para as bênçãos, para as armas e até mesmo para as fases. Investir tempo para maximizar todos esses upgrades é o que gradualmente facilita o jogo, embora isso exija a coleta de muitos recursos. Para quem busca um desafio maior mesmo após ficar mais forte, o jogo oferece os “dificultadores”. Esses modificadores aumentam a dificuldade das “runs” em troca de maiores recompensas, garantindo que o fator replay permaneça alto.

    Além dos dificultadores, Spiritfall se preocupa em oferecer ferramentas para garantir experiências variadas a cada tentativa. O fator replay não se limita apenas às “runs”; o jogo também inclui uma sala dedicada a modos extras inspirados em modos de fighting platform, similar aos mini-modos offline encontrados em jogos como Smash.

    Em termos de escopo, o jogo é descrito como um título indie. A história, por ser mais acessível em termos de dificuldade, pode ser concluída em aproximadamente 5 horas para jogadores com experiência prévia em um dos gêneros base. No entanto, a longevidade é compensada pelo robusto conteúdo de pós-jogo e pelas diversas ferramentas de replay.

    Vale a pena comprar Spiritfall?

    Considerando o preço acessível de R$ 60, Spiritfall entrega uma experiência muito bem executada. Poucos bugs foram observados, e a jogabilidade com sua física satisfatória, similar a jogos como Smash, Brawlhalla e Rivals of Aether, é um dos seus maiores atrativos. A diversidade de poderes e as combinações de builds incentivam a criatividade, e as ferramentas de pós-jogo, incluindo dificultadores, elementos surpresa e modos extras, são abundantes. O jogo também oferece a localização para o português, um ponto positivo para o público brasileiro.

    Os principais pontos de atenção são a falta de inovação para além da fusão dos estilos e o fato das “runs” serem relativamente curtas, com os chefes apresentando um desafio significativo apenas quando os dificultadores são ativados. A ausência de um modo cooperativo ou multiplayer versus também é mencionada como um potencial desperdício, dado o refinamento do combate, mesmo que a proposta principal seja ser um smash singleplayer.

    Com base na qualidade de gameplay, polimento e conteúdo, o jogo recebeu uma nota técnica de 8,5. Embora seja bom e satisfatório em todos os aspectos, não apresenta nada que seja “de outro mundo”. A avaliação geral e o nível de recomendação de nossa equipe foi de uma tierlist A+.

    Agora, resta aguardar para ver se o estúdio Gentle Giant continuará explorando essa fórmula promissora, talvez até assumindo a campanha de um fighting platform maior ou criando seu próprio “Smash” no futuro.

    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

  • Mini Análise: Yasha: Legends of the Demon Blade

    Mini Análise: Yasha: Legends of the Demon Blade

    Uma jornada intensa no Switch para quem é fã do estilo de arte inspirado na cultura japonesa

    A chegada de novos títulos ao catálogo do Nintendo Switch é sempre um momento de expectativa, e para os fãs de rogue-likes e temáticas orientais, Yasha: Legends of the Demon Blade se apresenta como uma proposta intrigante.

    Este jogo de ação, com câmera de visão superior (top-down), convida os jogadores a mergulhar em um desafio que, embora remeta a sucessos do gênero como a série Hades, busca trilhar seu próprio caminho com características distintas. Nossa análise aprofundada explora os principais aspectos deste título para ajudar você a decidir se vale a pena embarcar nesta aventura.

    A jogabilidade, observada de cima, exige reflexos rápidos e domínio dos comandos. Diferentemente de outros jogos onde a força da sua build (combinação de itens e habilidades) é o foco principal para o sucesso, em Yasha, a maestria do jogador é colocada à prova.

    Para avançar pelos desafios, é fundamental dominar a jogabilidade das armas disponíveis, memorizar os padrões de ataque dos diversos inimigos que surgem, e ser habilidoso em encontrar as brechas certas para executar um parry ou aparo. O jogo inclusive oferece melhorias e efeitos mágicos especificamente voltados para os ataques de aparo, incentivando o domínio dessa mecânica.

    Como é comum no universo dos rogue-likes, a jornada em “Yasha” não termina ao derrotar o chefe final em uma única tentativa (popularmente conhecido como run). Ao contrário, ao superar o chefão, o jogo reinicia o ciclo, mas de forma escalonada: a dificuldade aumenta consideravelmente, e a narrativa continua, tornando cada nova run um desafio renovado e uma oportunidade de aprofundar na história. Este sistema de progressão pós-derrota do chefe final é considerado interessante.

    O jogo conta com três personagens jogáveis. Uma característica que não podemos deixar de notar é que esses personagens não podem ser alternados durante uma mesma run ou sessão de jogo; o jogador deve iniciar e terminar com o mesmo personagem, sendo necessário começar um novo arquivo de save caso deseje experimentar outro. No entanto, o jogo oferece bastante opções de conteúdo, o que pode estar relacionado a essa dinâmica dos personagens.

    Visualmente, Yasha: Legends of the Demon Blade cumpre o que os trailers prometem. O jogo é descrito como muito bonito, com uma arte que casa perfeitamente com a temática japonesa explorada. A performance geral no Switch é considerada boa, rodando bem em 90% do tempo, embora possam ocorrer alguns levíssimos engasgos. Um ponto a ser observado, no entanto, é que a música do jogo também pode apresentar bugs.

    Para nós, jogadores brasileiros, temos uma boa notícia: o jogo está disponível em Português do Brasil. Embora a localização apresente alguns pequenos erros, a presença do nosso idioma nativo facilita a compreensão da história e dos elementos do jogo.

    Para quem quiser se aventurar por este game, mas acharem o preço de lançamento elevado, a recomendação é aguardar por uma promoção – e você já sabe onde acompanhar para ficar por dentro, não é mesmo? – Assista o vídeo completo das promoções da semana e lançamentos aqui:

    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

  • Análise: Super Mario Bros. Wonder: O retorno triunfal à essência que define um ícone

    Análise: Super Mario Bros. Wonder: O retorno triunfal à essência que define um ícone

    Wonder resgata o Mario 2D que não víamos com essa inovação desde os anos 90

    Já se passaram 11 anos desde o lançamento do último jogo 2D de Super Mario. Para muitos fãs, essa espera parece ainda maior quando pensamos na essência que definiu a série nos anos 90. As aventuras do encanador e seus amigos evoluíram, explorando o 3D e, em paralelo, tornando os jogos bilaterais mais padronizados e simples em busca de um alcance maior. Com Super Mario Bros. Wonder, a Nintendo parece evocar um campeão veterano que, após anos como mestre, decide vestir o uniforme e retornar à arena para lembrar a todos o motivo de sua grandeza. Esta análise é produzida pela equipe Coelho no Japão, baseada no vídeo original do canal no Youtube. Tenha uma ótima leitura!

    Mario? Que Mario?

    Para entender o impacto de Wonder, é preciso revisitar a pergunta: por que Mario é o ícone que é? Embora sua facilidade de acesso seja um fator, a resposta vai muito além. Hideo Kojima, uma das mentes mais importantes dos games, comparou o primeiro Super Mario Bros. ao Big Bang da indústria. Antes dele, jogos eram, em essência, brincadeiras ou adaptações. Com a genialidade de Shigeru Miyamoto, a Nintendo revolucionou ao criar não apenas um jogo, mas um universo cativante com heróis, vilões, habitantes e um mundo coeso. Tudo isso, temperado com uma criatividade japonesa cômica, carismática e psicodélica. Quem mais teria um herói que cresce comendo cogumelos, inimigos em nuvens atirando animais pontiagudos ou tartarugas com asas? Essa “maluquice” deu tão certo que se tornou o pilar da indústria, a ponto de Keiji Inafune, co-criador de Mega Man, declarar que Mario é uma “bíblia de desenvolvimento” para criadores de jogos.

    Ao longo do tempo, a indústria passou a ver Mario como um padrão, o básico. No entanto, a verdadeira essência de Mario nunca foi ser comum, mas sim sair do comum, “viajar na maionese” e surpreender. E é exatamente isso que Super Mario Bros. Wonder resgata.

    Uma jornada de surpresas no Reino Flor

    A grande sacada que permite esse resgate é a mudança de cenário: a aventura se passa no Reino Flor. Trocar o familiar Reino dos Cogumelos permite a criação de inúmeras coisas novas, introduzindo inimigos, cenários e temas musicais inéditos, embora mantendo uma mistura do novo com o conhecido. Mas o Reino Flor é apenas o palco perfeito para a principal inovação de Wonder: as Flores Fenomenais. Esses itens são verdadeiros “cheques em branco” para os desenvolvedores. Ao tocá-las, elas iniciam eventos inesperados e muitas vezes surreais. A gravidade pode mudar, inimigos ficam gigantes, você pode sair voando em um dragão – tudo pode acontecer. Essa mecânica funciona como uma carta curinga, a desculpa perfeita para Mario ser Mario e surpreender o jogador a cada nova fase.

    Enquanto outras franquias usam o conceito de multiverso para justificar eventos ilógicos, muitas vezes criando confusão, a Nintendo simplifica. Em Wonder, um item do reino tem a função declarada de alterar a realidade. Isso faz com que qualquer coisa inesperada e ilógica simplesmente faça sentido dentro do universo do jogo. É a genialidade na simplicidade. As Flores Fenomenais e as Sementes Fenomenais (coletadas após esses eventos, essenciais para progredir) se tornam talvez o melhor tipo de item coletável. Você não os busca apenas por colecionismo ou progressão, mas por um genuíno anseio de descobrir “o que será que eles aprontaram dessa vez?”. E pode ter certeza que eles terão algo surpreendente para mostrar.

    Apesar de abraçar o cômico e o ilógico, Wonder é um jogo extremamente bem feito em seus fundamentos técnicos. A física do jogo é simplesmente perfeita. O controle do pulo, a movimentação, a resposta rápida aos comandos – morrer é, em grande parte, culpa do jogador, não do jogo. É uma física que recompensa a habilidade e faz o jogador sentir que, com treino, pode dominar a movimentação. As animações dos personagens são muito expressivas, desde os pulos e corridas até a entrada nos canos, e até os Goombas demonstram expressões de surpresa. Detalhes como as animações ao pegar um power-up fazem toda a diferença.

    O design de som do game é, talvez, o melhor da série, incluindo os jogos 3D. Além das mudanças de áudio esperadas (como som abafado na água), a Nintendo se superou. O power-up de Elefante, por exemplo, muda a música para um arranjo com instrumentos graves de metal. Movimentos como a tradicional “bundada” no chão ativam sons específicos. Diferentes personagens e power-ups possuem sons de pulo distintos. E, claro, os efeitos das Flores Fenomenais também influenciam o áudio. Jogar este game sem volume seria um pecado. A dublagem das plantas falantes em português, em particular, é de boa qualidade, não se torna irritante com o tempo e inclui piadas divertidas. Essas plantas inesperadamente contribuem muito para a experiência. A tradução geral do jogo também é ótima, mostrando que o trabalho de um time brasileiro em conjunto com os desenvolvedores integrou o idioma ao desenvolvimento.

    Analisando a gameplay de Super Mario Wonder

    A marca registrada da Nintendo é o gameplay impecável. Em Wonder, pouquíssimas fases são genéricas; todas têm propósito, tema e objetivo bem definidos. Algumas focam na fase em si, outras em apresentar um novo inimigo, e muitas têm a Flor Fenomenal como foco principal. “As fases funcionam como um grande “livro de receitas” de design”, como disse Keiji Inafune sobre os jogos de Mario em geral. As Insígnias adicionam uma camada estratégica, concedendo diversos tipos de poderes. Elas “negociam” com o jogador: Insígnias padrão aprimoram habilidades (pulo alto, corrida rápida, hookshot, paraglider), geralmente obtidas em desafios específicos. Insígnias azuis são facilitadoras (começar com cogumelo, salvar de quedas, detectar itens), tornando a fase menos desafiadora. Insígnias brilhantes são difíceis de controlar, mas dão poderes interessantes (como invisibilidade), quase desafiando o jogador.

    A versatilidade também se reflete nos personagens jogáveis. Humanos (e Toads?) são o padrão. Ledrão (Nabbit) não leva dano de inimigos, mas não usa power-ups, limitando certas interações. Os Yoshis são considerados os mais “apelões”, pois, embora também não usem power-ups, têm a língua que engole e um impulso no ar, além de não levarem dano. Essa variedade permite diferentes abordagens, equilibrando facilidade com possibilidades de gameplay.

    Wonder, contudo, não é isento de ressalvas. A arte do jogo é muito bonita, mas talvez não atinja o mesmo impacto visual revolucionário dos clássicos lançados no fim de vida de consoles anteriores, como Super Mario Bros. 3 no NES ou Yoshi’s Island no SNES. Seu visual é agradável, mas não transmite a mensagem de grandeza e inovação que o gameplay proporciona. A música é boa, mas não deve ser lembrada como uma das melhores trilhas sonoras do Switch. O jogo interpreta a fórmula 2D de Super Mario Bros. de forma excelente, mas ainda se limita a essa fórmula tradicional: passa fase, ganha item, chefe, muda de mundo, repete, chefe final.

    Embora arrisque com um mapa central, não há algo verdadeiramente impressionante nesse sentido. Isso pode agradar quem busca a experiência clássica, mas pode desapontar quem esperava algo mais revolucionário, próximo ao que acontece nos jogos 3D da série.

    A duração do jogo, se focado apenas em chegar aos créditos, não é longa, podendo ser concluído em cerca de 5 horas. Correr significa pular muitas fases e eventos de Flores Fenomenais. No entanto, há muito mais a fazer para alcançar 100%. Cada fase tem um mastro para alcançar o topo, 3 moedas roxas e 2 ou 3 sementes fenomenais (uma da flor, uma do fim da fase, uma de caminho alternativo). Encontrar todas as fases por si só é um desafio, com mundos escondendo caminhos alternativos, exigindo mais sementes ou atenção a detalhes no mapa. Embora o tempo para 100% não possa ser cravado com exatidão (devido ao tempo limitado para análise), estima-se que pule para pelo menos 20 horas sem guia.

    A dificuldade em Wonder tem pouca variação geral. O sistema de estrelas para indicar a dificuldade por fase não é totalmente preciso, com fases de 5 estrelas que podem ser fáceis e fases de 1 estrela com segredos desafiadores. No entanto, o jogo não entrega tudo de bandeja; power-ups e insígnias não tornam tudo trivial, como em títulos anteriores. A dificuldade é mais uniforme: o começo é um pouco mais desafiador que New Super Mario Bros. U, e o final é mais tranquilo. O verdadeiro desafio, além de algumas fases raras de 5 estrelas e desafios de insígnia no pós-jogo, reside na descoberta de segredos: coletáveis, fases escondidas, rotas alternativas e recompensas variadas.

    Em um mundo onde complexidade nem sempre significa profundidade, Mario Wonder nos convida a redescobrir a pura alegria de jogar.

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    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

  • Análise: Pokémon Legends: Arceus – Uma nova era para a franquia no switch

    Análise: Pokémon Legends: Arceus – Uma nova era para a franquia no switch

    Explorando Hisui: Descubra se a mais ambiciosa e inovadora aventura Pokémon no Nintendo Switch é para você

    Caros leitores e aspirantes a pesquisadores da Pokédex, a chegada de Pokémon Legends: Arceus ao Nintendo Switch gerou um burburinho considerável na comunidade. Para ajudar a entender o que faz esse jogo tão diferente e até mesmo entender o que este título oferece, preparamos esta análise baseada no vídeo do canal Coelho no Japão.

    Imagem: Assista o vídeo da análise completo no canal Coelho no Japão

    Entendendo a Jornada em Hisui

    Muitos se perguntam qual é o lugar de Legends: Arceus dentro do vasto universo Pokémon. É fundamental esclarecer que ele não é um remake. Os remakes de Diamond e Pearl, Brilliant Diamond e Shining Pearl, foram lançados para o Switch, consolidando essa distinção. Em vez disso, Legends: Arceus é uma história original. Ele se apresenta como o primeiro capítulo de uma POTENCIAL nova série paralela dentro da franquia Pokémon, a série Legends. Essa abordagem é comparada à de Metroid, que possui a série 2D (como Metroid Dread) e a série 3D Metroid Prime. Assim como a série tradicional de jogos Pokémon, que dá início às gerações, agora temos a série Legends.

    Este título é, sim, canônico. Sua história faz parte da linha do tempo oficial da série principal, não sendo apenas uma narrativa isolada. A diferença crucial reside nas mecânicas e propostas, que se desviam significativamente da série comum que conhecemos.

    A narrativa de Legends: Arceus nos leva de volta ao passado de uma região já familiar: Hisui, que eventualmente se tornará a região de Sinnoh, palco dos eventos de Diamond e Pearl. Embora seja uma história inédita, existem locais em comum com os jogos futuros, como o Monte Coronet. Curiosamente, vários personagens encontrados em Hisui são antepassados de figuras conhecidas de Diamond e Pearl. O jogo se passa em uma época onde os humanos ainda vêem os Pokémon como criaturas hostis. A ideia de ter um Pokémon de estimação ou um garoto de 9 anos com um Charizard simplesmente não existe ainda. O conceito de treinador Pokémon, como o conhecemos, ainda não havia sido criado.

    Neste cenário, o jogo não foca em se tornar um mestre Pokémon da forma tradicional. Não há Liga Pokémon, Ginásios, ou o ciclo de progressão através de líderes. Em vez disso, a história gira em torno de algo que torna os Pokémon selvagens particularmente… bem, selvagens. Isso significa que encontrar um Gyarados de nível alto não resultará em uma batalha comum; ele vai atacar você. Sim, o jogo introduz um sistema de ação onde seu personagem precisa desviar dos ataques dos Pokémon. Chega de apenas assistir; se não tomar cuidado, você pode levar um “chocão na cara” haha. Além disso, há batalhas de chefe contra Pokémon super fortes.

    A estrutura do jogo é muito mais aberta que a dos títulos tradicionais, mas não é um Open World completo. Você reside em Jubilife Village (a futura Jubilife City) e, a partir daí, aceita missões que o levam a grandes áreas abertas. Essas áreas possibilitam grande exploração e liberdade, mas você não pode transitar livremente entre elas, caracterizando um mundo semi-aberto.

    A exploração nessas áreas é um ponto central: você passará tempo explorando, caçando Pokémon, colhendo recursos para criar itens como Pokébolas e observando os comportamentos dos Pokémon selvagens.

    As batalhas Pokémon em si, apesar da adição da necessidade do jogador desviar de ataques no mundo de jogo, seguem sendo um RPG de turno. A base é a mesma: tipos têm vantagens e desvantagens (fogo vence planta, que perde para água, etc.), e seus Pokémon têm quatro ataques. No entanto, uma nova mecânica chamada “Styles” foi adicionada. Isso permite que você use um ataque no “Agile Style” para torná-lo mais rápido (potencialmente ganhando um turno extra) ou no “Strong Style” para aumentar seu poder. Essa adição abre novos leques de estratégia nas batalhas.

    O jogo é focado exclusivamente no singleplayer. Não espere batalhas online ou um cenário competitivo. E competitivo de Pokémon continua forte em títulos como Sword e Shield. Legends: Arceus conta com muitas missões extras além da história principal, e possui um objetivo de 100% mais claro e definido do que os jogos tradicionais, que são feitos para serem mais constantes e ter um fator replay infinito. A narrativa e a personalidade dos personagens são mais profundas do que na série tradicional. Pela primeira vez em um jogo Pokémon, você não prevê a cada passo o que vai acontecer, fugindo da fórmula usual de “inicia jornada, conhece líderes, equipe vilã, impede vilão, vence a liga”.

    Por que tanto hype da comunidade?

    A comunidade Pokémon tem expressado, nos últimos anos, críticas sobre a repetição da fórmula e a falta de inovação e eis que Legends: Arceus surge como um respiro de ar fresco, trazendo inovações e melhorias há muito pedidas. Sendo uma experiência individual e parte de uma série paralela, a Game Freak, a produtora, teve mais liberdade para experimentar e criar, o que é crucial no desenvolvimento de jogos.

    Vários portais de mídia têm elogiado o jogo, alguns chegando a chamá-lo de o melhor jogo de Pokémon em muitos anos. Entre as melhorias notáveis, destaca-se a velocidade e praticidade da interface, que agora é mais dinâmica e integrada ao sistema de mundo semi-aberto. Por exemplo, as batalhas começam de forma mais fluida, sem a vinheta de transição dos jogos anteriores. A imersão é um ponto forte. O jogo se propõe a ser mais um “simulador” de estar no mundo Pokémon: você precisa mirar para atirar a Pokébola, pode se esconder na grama, viajar usando montarias e, como mencionado, pode ser diretamente atingido pelos ataques dos Pokémon selvagens. Ele é consideravelmente mais “adventure” que os RPGs tradicionais da série, mesmo mantendo elementos de RPG.

    Embora alguns fãs prefiram o foco no multiplayer, para aqueles que apreciam uma campanha forte ou desejavam um jogo singleplayer Pokémon de qualidade, Legends: Arceus é visto como a resposta a muitos anos de espera. Apesar das críticas à parte técnica, como gráficos de cenário e texturas em alguns momentos, o jogo atendeu a pedidos de jogadores, especialmente na melhora das animações, que agora são mais realistas e integram o Pokémon soltando o ataque e atingindo o alvo de forma mais direta.

    A inteligência artificial dos Pokémon também foi aprimorada. Diferentemente de títulos anteriores onde todos os Pokémon selvagens simplesmente andavam aleatoriamente, em Legends: Arceus existem padrões de comportamento distintos; alguns são hostis, outros não.

    Em termos de influências externas, o jogo parece ter uma influência do último Zelda, com uma sensação de “adventure” e exploração em áreas abertas. Alguns comparam a estrutura de missões a “Monster Hunter”, um fenômeno no Japão, e pode haver alguma influência nisso, mas a inspiração na essência do jogo parece mais ligada a Zelda. No entanto, Legends: Arceus também possui uma forte personalidade própria, não sendo apenas uma cópia.

    Conteúdo e duração

    Uma dúvida comum é sobre a duração do jogo. A campanha principal leva algumas dezenas de horas. As missões extras, especialmente as relacionadas a cada Pokémon na Pokédex, garantem que o jogo possa durar mais de 100 horas para quem busca completar tudo. Portanto, há bastante conteúdo para ser explorado.

    Sobre a quantidade de Pokémon, o jogo apresenta pouco mais de 240. A escolha por um número menor, comparado ao total da Pokédex, permitiu refinar as animações e desenvolver melhor o comportamento de cada criatura. E com missões específicas para cada um, 240 Pokémon já representam uma quantidade considerável de conteúdo e objetivos.

    Para aqueles que não gostaram de jogos Pokémon anteriores, Legends: Arceus pode ser uma nova chance. Se o problema era gráfico, talvez haja decepções pontuais, mas no contexto geral, a recepção ao jogo tem sido a melhor da franquia em muito tempo, com reviews extremamente positivas e notas altas.

    E para garantir que sua aventura em Hisui comece da melhor forma possível, encontrando o jogo pelo preço mais acessível, confira as melhores ofertas na palma de sua mão no Nintendo Barato!

    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

  • Análise – Mario & Luigi: Brothership

    Análise – Mario & Luigi: Brothership

    Eu não sei o que você esperava de Mario & Luigi: Brothership, mas dificilmente você acertou. O jogo é talvez o chamado RPG de turno com mais ação de todos do Mario, seja na exploração, ou mesmo em suas batalhas, não te permitindo piscar na maior parte do tempo, o que é uma característica contrastante com a premissa do turno. E o jogo não te deixa piscar não só porque tá sempre acontecendo alguma coisa na tela que exige reação imediata, mas também porque o jogador que se desconcentrar tem um alto risco de falhar.

    Brothership é um RPG de mão cheia e talvez o jogo do Mario mais desafiador do Nintendo Switch, já que sua desenvolvedora é ninguém menos do que uma recentemente conceituada produtora de RPGs como Octopath Traveller, que, junto com a Nintendo, criou um jogo também muito mais completo do que você espera, embora, tenha também alguns problemas que sejam importantes serem mencionados.

    Antes de falar do combate, é essencial começar dizendo como é a estrutura do jogo, o que é curioso, pois geralmente RPGs, principalmente japoneses, possuem uma estrutura de andar até o objetivo, batalhar e explorar no caminho, chegar, ver a cut scenes e repete isso. Por mais que se explore, geralmente o gameplay fora das batalhas é “andar e ler” no máximo pular aqui e ali pra chegar nuns trechos diferentes. Nesse sentido, novamente vale a pena mencionar que Brothership subverte esta expectativa, já que o jogo tem diversas mecânicas fora das batalhas, o que quase o configura mais como jogo de aventura do que RPG.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Diversos puzzles pra resolver, trechos de plataforma, uso de habilidades de movimentação que possuem seus próprios desafios, e diversas outras mecânicas únicas devido à sua estrutura de progressão que já vamos entrar em mais detalhes, mas a primeira coisa que é necessário dizer é que esse jogo é muito mais do que “andar e batalhar”, e ele faz isso sem sacrificar um bom combate. Quem conhece a série Paper Mario ou mesmo os jogos anteriores da série Mario & Luigi já tem uma noção disso, mas aqui a coisa tá realmente em outro nível em termos de variedade.

    Um contexto da história

    O Reino do Cogumelo foi de certa forma fundido com uma espécie dimensão chamada Elétria, um continente movido à eletricidade cujos habitantes são meio que “caras de tomada”. Esse continente era sustentado por uma grande árvore central chamada Arbolux, só que algo aconteceu e a luz se apagou, e todos os reinos, as cidades desse continente se partiram. É tipo a Terra, tinha a Pangéia que era um continente só, daí eles foram se separando até formar os continentes que temos hoje.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Só que os habitantes do Reino do Cogumelo foram parar lá de algum jeito. Mario e Luigi conhecem Tetê, uma guardiã da Arbolux que conseguiu salvar e plantar uma espécie de semente da árvore em uma ilha chamada Nauta, que tem um formato de navio. Então basicamente, a missão do Mario e Luigi é visitar cada cidade que foi separada da Arbolux, e reconectar com a ilha, restaurando o continente de Elétria. Pois eles acham que restaurar tudo é o único jeito dos habitantes do Reino do Cogumelo voltarem pra sua casa.

    Essa história é claro, um pretexto pra gameplay funcionar. O jogo tem um sistema de progressão que praticamente dá pra chamar de “RPG de fases”. Essas ilhas que visitamos, são ilhas, são pequenos mundinhos com cenário próprio, população própria, temática, inimigos e tudo mais, porém, mais do que isso, cada uma delas traz uma proposta diferente de gameplay, em cada uma delas, tem alguma treta rolando que os irmãos Mario precisam resolver antes de reconectar a ilha.

    Algumas ilhas tem mais puzzles, e um tipo específico deles, outras focam em histórias de personagens mais importantes, outros são mais um lar de inimigos mesmo, e algumas tem propostas únicas que não valem a pena mencionar pra preservar a experiência do jogador.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Nossa missão é reconectar a ilha através de um farol, e isso só acontece no fim dessa “fase”, tipo quando o Mario pula no mastro nos jogos tradicionais. E vale mencionar que até reconectarmos, nós estamos presos naquela ilha, não temos como voltar pra nossa base que é a ilha/navio, e só depois de reconectados podemos usar Fast Travels à vontade. Mesmo a localização dessas ilhas/fases não é de fácil acesso. Nós temos que navegar até avistarmos a ilha e se demorar demais, o navio passa por ela e aí tem que dar a volta.

    É um sistema que parece complicar algo simples como “escolher a fase”, mas adiciona uma contextualização muito interessante, principalmente depois que pegamos o turbo pro nosso navio e aí sim não demora tanto pra explorar o oceano. E um sistema muito interessante do jogo é que a navegação ocorre em paralelo com a nossa exploração, então, enquanto nós estamos numa fase/ilha, não podemos voltar pro navio, mas podemos dar ordens de pra onde ir, e isso é o jogo te dizendo: “revisite a ilha pois tem missões e coletáveis novos!”

    Além disso, no mar, não temos só as ilhas/fases que serão reconectadas ao nosso navio/ilha, existem também minúsculas ilhas que são só um bloco ali de terra mesmo e nelas temos, por exemplo “um puzzle”, “uma horda de 5 inimigos”, parece que é tipo “projetos de fases rejeitadas”, mas que no fim adicionam ainda mais variedade ao gameplay pois nessas mini-ilhas temos mecânicas novas que os desenvolvedores não quiseram se aprofundar e fica naquele bloquinho de terra mesmo.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    O combate de Mario & Luigi: Brothership

    Além de uma aventura completa, o jogo tem também um ótimo combate, e numa dificuldade que jogadores que gostem de se desafiar com regras do tipo “não usar itens de cura em batalha” terão aqui algo bem desafiador. O seu sistema base é como Paper Mario: The Thousand-Year Door, um RPG de turno mas com ataques que precisam ser acertados em tempo real, e o ataque dos inimigos podem ser defendidos se o jogador pular ou rebater na hora certa. Só que o Paper Mario traz uma abordagem mais… ”divertida”, com comandos mais simples e ataques de inimigos com dano menor.

    Nesse jogo, temos ataques especiais progressivamente mais difíceis de executar, com alguns requerendo um tempo legal para treino, e o fato de termos Mario e Luigi faz com que tudo do Mario seja usando botão A, e tudo do Luigi seja usando B, e isso já exige mais concentração do jogador, pois se ele se confundir, o ataque dá um dano ínfimo.

    Porém, o verdadeiro desafio é sobreviver aos poderosos ataques adversários, que exigem que o jogador conheça os padrões de ataque, e aprendam a esquivar deles, preferencialmente convertendo num contra-ataque, que exige ainda mais precisão.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Isso se intensifica nos chefes, que é um grande ponto positivo do jogo, pois eles tem uma vida muito alta, exigindo muitos turnos para serem derrotados, enquanto o Mario ou o Luigi são fracos – os inimigos alternam entre o Mario e o Luigi, e alguns ataques acertam os 2, mas supondo que você dê azar do chefe atacar só um dos 2 irmãos, e você não consiga esquivar nada… em 3 ou 4 turnos já era, ele é nocauteado e aí o outro irmão luta sozinho.

    Essa dificuldade também faz com que o jogador evite o speedrun, você pode até tentar ir direto ao ponto, evitar combates no caminho, ignorar missões secundárias e compra de equipamentos. Mas se fizer isso vai chegar abaixo do nível recomendado e aí meu amigo… boa sorte!

    Por fim, o jogo traz um novo sistema à série Mario & Luigi que são os plugues de batalha. Com eles, equipamos habilidades diversas mas que tem prazo pra descarregar. Esses plugues são divididos em ofensivos (como acrescentar fogo ao ataque, ou dar um golpe a mais), defensivos (diminuir dano, esquivar mais fácil, recuperar vida) e alguns tem funções únicas. A ideia é que você adquira o máximo de plugues possíveis, pois aí, quando os seus preferidos estiverem descarregados, você usa outros (eles carregam com turnos, tipo “20 turnos descarregado pra recarregar e poder ser usado de novo”, é, alguns demoram bastante).

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    As já citadas longas batalhas de chefe ganham uma cara nova quando o jogador tem muitos plugues, pois ao longo da batalha, podemos trocar o quanto quisermos no nosso turno, então, chega um ponto onde cada turno de cada irmão a gente usa um conjunto diferente, fica BEM estratégico fora que alguns plugues combinam mais com chefes e outros combinam mais com batalhas comuns. Então, o melhor é realmente comprar o máximo possível e pra isso é revisitar as ilhas, nada de speedrun.

    Existem outras coisas que fazem esse combate ótimo, inclusive uma mecânica específica de chefes que contribui ainda mais pra cada batalha ser realmente única. Mas acho que o ponto já foi exemplificado, então, melhor deixar surpresas pra vocês.

    Dito isso bora dar uma olhada nos pontos positivos e negativos de Mario & Luigi: Brothership.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Excelentes pontos positivos

    A história é boa pelos personagens cativantes, pelas animações lindas e pelo humor no diálogo que com frequência te coloca um sorriso, indo desde o pastelão “o Luigi bateu a bunda na queda”, até cenas trabalhadas até demais pra ser só uma piada ao fim.

    O visual do jogo é muito charmoso. Principalmente a água, a temática era navegação e eles capricharam. Fora expressões, cenários, design de inimigos… a direção de arte mandou bem demais.

    A trilha tá demais! Inclusive, talvez, tirando Mario Kart 8 Deluxe e Super Mario Odyssey, seja a melhor trilha de Mario no Nintendo Switch. Cada ilha tem seu tema, e sério… só tem música boa! Batalhas também, cinemáticas… só musicão. Principalmente pra quem curte banda com trompete, saxofone, etc.

    Se alguém achar difícil, o jogo tem sim o famoso “quer abaixar a dificuldade” ativada após mortes em sucessão. E claro, o jogo está em português brasileiro, sendo disparado o maior jogo em termos de linhas de tradução.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Mas também seus pontos negativos

    O desempenho do jogo não tem problemas como The Legend of Zelda: Echoes of Wisdom. Mas rodar liso, ele não roda não. No portátil melhora, tanto visual quanto fluidez, na dock dá umas travadinhas. E apesar da boa direção de arte, nem tudo ficou bom nela, tem coisa que sim, faz parecer jogo de Nintendo 3DS remasterizado.

    Alguns problemas de lógica. Por exemplo, um obstáculo que o Luigi acha a solução num ponto da história após apenas refletir… esse obstáculo já tinha aparecido antes, porque ele não teve a mesmíssima ideia naquele ponto? Tem horas também que ele consegue usar uns pulos extras pra chegar mais alto, mas é quando o roteiro quer, no jogo em si não.

    E embora os personagens principais sejam bons, muitos deles falharam em ter uma identidade visual. Todo mundo tem cara de tomada, daí muitos personagens até importantes parecem com figurantes. Faltou trabalhar em mais tipos de rostos e corpos.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    E aí vamos pros 2 principais problemas do jogo:

    Ele tem várias ilhas com propostas diferentes, mas por conta disso, algumas delas caem em clichês extremamente saturados. Como trechos de stealth, igual vimos em Zelda esse ano, Princess Peach Showtime! e no Escudeiro Valente. Qual é a tendência de escapar de guardinhas burros com lanternas, galera? Então, pode ser que algumas ilhas você vire a cara pra proposta dela por ela não ser nada original.

    O jogo vai totalmente contra a tendência de Zelda e Mario em trazer liberdade pro jogador. Paredes invisíveis estão presentes o tempo todo, inclusive em trechos  que você claramente conseguiria pular pra chegar numa área, mas tem uma parede ali porque o jogo quer que você tome o caminho que ele quer que você tome. Então aquela coisa de resolver puzzles ou explorar furando a linearidade, tudo com a sua criatividade, esquece. Nesse sentido também o jogo se parece muito com um game de Nintendo 3DS em HD.

    Gameplay de Mario & Luigi: Brothership.

    Conclusão

    Mario & Luigi: Brothership traz muito conteúdo, sendo de qualidade, variado e percorrendo diversos níveis de dificuldade. Ainda existem melhorias a serem feitas, em execução, performance ou escopo, mas seu saldo é positivo com folga.

    Com um sistema sólido de combate RPG se juntando à uma aventura dinâmica, Brothership consegue ser um RPG de turno que é, ao mesmo tempo, para fãs, como pessoas que acham o estilo monótono.

    Baseada nas mais de 26 horas jogadas, a nota técnica do jogo, de 0 a 10, é 8,5! Isso porque ele apresenta muitos “probleminhas” tanto em performance mas na execução do jogo também, citados nos contras. E a tierlist, também provisória, da nossa experiência geral e recomendação do game é: Tier S! Um jogo de elite do ano de 2024, e certamente elite dos RPGs e spin-offs da série Super Mario.

  • Mini análise: Neon Apex – Beyond the Limit

    Mini análise: Neon Apex – Beyond the Limit

    Jogo de corrida arcade com visual único chega no Nintendo Switch superando as expectativas

    Neon Apex: Beyond the Limit chega ao Nintendo Switch, trazendo um estilo de corrida arcade ao console. O título busca se destacar com um visual distinto que pode ser até mesmo comparado com Tron (ou estou enganado? haha). Para entender o que esperar deste lançamento, a equipe Coelho no Japão trouxe esta mini análise apresentando seus pontos fortes e fracos, focando na experiência oferecida no Nintendo Switch.

    Como o jogo está no Nintendo Switch?

    Imagem: Neon Apex: Beyond The Limit via eshop

    Ao iniciar Neon Apex: Beyond the Limit no Nintendo Switch, o que imediatamente chama a atenção é a sua proposta visual. O jogo tem um estilo de arte meio psicodélico que, em nossos primeiros momentos, nos pareceu legal e chamativo. Contudo, é preciso mencionar que, com o tempo, essa mesma estética pode se tornar um pouco enjoativa para alguns jogadores. Um ponto muito positivo para o público brasileiro é a localização completa para o português do Brasil, facilitando a imersão na experiência.

    Em termos de jogabilidade, o game se mostra um arcade bem produzido, oferecendo tanto corridas com carros quanto eventos com motos, apresentando uma física que varia entre os dois tipos de veículos, o que adiciona uma camada interessante de diversidade.

    No entanto, o que consideramos o grande destaque deste jogo é, sem dúvida, o seu conteúdo single player. Há realmente bastante coisa para fazer, e nossa estimativa inicial é que o jogo pode oferecer mais de 10 ou 15 horas de gameplay.

    Imagem: diferentes tipos de veículos geram oportunidades de mecânicas e jogabilidade diferentes.

    Apesar da quantidade e variedade de conteúdo, identificamos que a versão para o Nintendo Switch apresenta alguns problemas de polimento. Estes deslizes são mais perceptíveis nos menus do jogo do que na jogabilidade em si. Notamos, por exemplo, situações onde uma música toca e ao mudar de aba continua tocando ao mesmo tempo em que a segunda começou a reproduzir.

    Embora não comprometam a experiência na pista, esses pequenos erros dão uma impressão um tanto quanto ruim, como se o jogo não estivesse completamente finalizado nesses detalhes.

    Análise em texto elaborada com base no roteiro do vídeo produzido por Pedroka em conjunto com a equipe Coelho no Japão, contando com revisão e aprovação de Rodrigo Coelho.

  • Análise: Gundam Breaker 4, onde a customização manda

    Após as críticas ao jogo anterior, Gundam Breaker 4 chega para trazer a franquia de volta às suas raízes e, mais do que isso, corrigir o que causou grande insatisfação entre os jogadores: a tentativa de forçar a franquia a se tornar um jogo competitivo, mais especificamente, um esport. Desta vez, a Bandai decidiu focar ainda mais no conceito de Gunplas, um hobby muito popular, especialmente no Japão, modernizá-lo e ainda tentar reconquistar o público da franquia Gundam Breaker.
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    Matéria originalmente publicada no Nintendo Blast (https://nintendoblast.com.br)

  • Análise: Fate/Stay Night Remastered chega ao Ocidente pela primeira vez em uma bela edição de Switch

    Fate/Stay Night Remastered é uma nova edição da visual novel clássica que levou o nome da TYPE-MOON ao conhecimento de um público mais amplo. Originalmente lançado em 2004 no Japão, o jogo completou seu 20º aniversário com seu primeiro lançamento ocidental na forma deste novo remaster para Switch e PC.
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    Matéria originalmente publicada no Nintendo Blast (https://nintendoblast.com.br)

  • Review | Fitness Boxing feat. HATSUNE MIKU

    Desenvolvedora: Imagineer
    Publicadora: Aksys Games
    Gênero: Esporte, Treino, rítmo
    Data de lançamento: 05 de setembro, 2024
    Preço: R$ 283,10
    Formato: Digital/Físico

    Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Aksys Games.

    Revisão: Marcos Vinícius

    Eu particularmente gosto de crossovers. Não à toa, Tokyo Mirage Sessions #FE é um dos meus jogos favoritos da ATLUS, que sabe misturar elementos de gameplay da série Persona / Shin Megami Tensei sagazmente com os de Fire Emblem, apresentando uma narrativa e um cast que incorporam a ludicidade da proposta da junção inusitada. Mas acho curioso quando algo que gosto faz um crossover com algo que ativamente desgosto: nesse caso, o exercício físico.

    Não me refiro a jogos de exercício, mas sim à atividade física como um todo. Não nego meu sedentarismo, apesar de reconhecer os perigos à saúde e blá blá blá; não pretendo me estender nessa linha. Dito isso, já tentei por diversas vezes recorrer a jogos, como Ring Fit Adventure, em que o exercício é a consequência de uma aprazível experiência de jogar, mas sempre acabo abandonando após algumas sessões.

    Abro a análise com essa abordagem porque, ao meu ver, é necessário alencar critérios para uma review do tipo. Qual a melhor forma de se perceber tais títulos? Em teoria, um jogo hipotético 10/10 de exercício teria a nota a partir de qual critério? Teríamos que analisar o engajamento do jogador ou a performance física? E quando podemos entender um elemento qualquer enquanto falha de desenvolvimento ou falha do usuário?

    Nesse sentido, pretendo seguir a análise a partir de critérios de certa forma subjetivos, reconhecendo a qualquer momento quando determinada impressão pode ter sido generalista ou intimista. Até por estas razões, peço que não levem a nota final de forma literal, porque estarei comparando com títulos semelhantes e levando em consideração certos fatores que, provavelmente, não serão universais. Tratarei do título, de certa forma, de forma semelhante como trataria uma conversa a respeito das minhas preferências no nado, na academia ou no ciclismo.

    Usabilidade

    Começando a lista arbitrária de critérios avaliativos de um jogo de exercício (TM), acredito que a usabilidade seja um dos fatores mais importantes. O jogo precisa, ao mesmo tempo, ser extremamente intuitivo e exigir esforço do usuário. Não há espaço para pensar no que precisa ser feito, distrações por leituras ou qualquer elemento que tire o foco do exercício.

    Fitness Boxing, nesse sentido, acerta em cheio. Até pela longevidade da série, é possível ver que os desenvolvedores sabem exatamente o que precisa ser priorizado: na tela os comandos de ação, no áudio as instruções do personal trainer. O tutorial do primeiro dia é bem direto ao ponto, e conforme desbloqueamos músicas com mais ações nos é apresentada a oportunidade de termos treinos pontuais (e facilmente acessados no menu) para cada ação. Mesmo sem o treino, contudo, as ações são facilmente apreendidas pelo visual.

    O Exercício

    Mas do que seriam os ícones de ação sem a… ação do usuário? Afinal, precisamos suar para o esforço valer à pena, e nesse departamento o jogo também acerta, com alguns pontos de atenção.

    Acredito que aqui vale fazer um questionamento pessoal. Existem certos jogos, como Just Dance, em que a ênfase não é necessariamente o exercício, mas sim a pontuação. Acredito que esta é uma escolha de game design, e por isso jogos do tipo precisam ser questionados caso haja formas de burlar seus sistemas de score (quem nunca, ao desistir de uma música, não preferiu se sentar e balançar a esmo o Wii mote?).

    Em Fitness Boxing, há incentivo a aperfeiçoar a pontuação, diferente de um Ring Fit Adventure que aposta na fórmula de grind de RPG para traçar um paralelo com o grind da atividade física. Ainda assim, sua ênfase é no exercício, e por isso ele leva em consideração certa crença no usuário. Acredito que essa distinção é importante porque, verdade seja dita, não é particularmente driblar os exercícios propostos.

    Em suma, o jogo indica uma pose: um pé reto adiante, o outro recuado e em uma inclinação de 45º para fora do eixo do corpo. A partir da posição de pés, precisamos posicionar os braços de forma proporcional, rente ao tronco. Daí, a partir do ritmo da música, precisamos nos inclinar para frente e para trás, e apenas então realizar as ações projetadas.

    Se o usuário seguir as instruções, o exercício é de fato impactante. É possível sentir os golpes diretos, os ganchos se tornam particularmente desafiadores e os agachamentos fazem as costas desgastadas estalarem. Contudo, o jogador teoricamente pode, sentado, performar ações diminutas com o Joy-Con para garantir a pontuação. Existe um limite de tecnologia, decerto, já que não temos um kinect ou um Ring Fit Adventure para garantir que a ação esteja sendo feita de forma adequada, mas o exercício é sentido dentro de um campo em que não precisamos considerar um investimento a mais em periféricos.

    Ainda, sinto que alguns inputs não são captados corretamente, e a falta de tecnologia pode frustrar por não sabermos se a falha é nossa ou do sistema. Porém os casos são bem reduzidos, e não diria que prejudica a impressão final do produto.

    O incentivo

    No início do texto, apontei como esse jogo era um crossover de algo que gosto. E é claro que estava me referindo a Hatsune Miku. Eu particularmente estava curioso com o quanto que as músicas e a presença digital da pop idol iriam me fazer querer voltar ao jogo, e não é que funcionou?

    Sem entrar nos detalhes, toda a parte de modos é bem configurada. Temos o desafio diário, que apresenta uma rotina, e o modo livre para quando quisermos testar algo novo ou simplesmente ter um complemento ao treino. Essa parte, embora essencial, é bem dentro do que se pode esperar. O grande diferencial do título é a presença de Miku (além de Kagamine Rin, Kagamine Len e Megurine Luka, todos idols virtuais da Crypton) e de suas músicas.

    As animações estão impecáveis, o que facilita a cópia dos movimentos, e as músicas novas apresentam um grau de dificuldade mais elevado. Em suma, fazemos mais exercício por querermos escutar nossas músicas favoritas. E dentro disso, temos um bom banco de músicas e vestes alternativas para desbloquearmos, sem a necessidade de um grind, já que os desafios diários já compensam o suficiente para termos uma novidade todo dia.

    A recorrência no futuro, confesso, é difícil de ser prevista. Em tese, o prazer de jogar deve, aos poucos, ser convertida no prazer do exercício (e vice-e-versa nesse caso). Digo isso porque a playlist não é a mais extensa, apesar de ser o suficiente para alguns meses de exercício antes de enjoarmos do título. DLCs já foram anunciadas, mas acredito que o que vai garantir o incentivo, em última análise, é o exercício, que está completamente sujeito à rotina e aos hábitos do jogador.

    Pós-treino

    Como qualquer jogo do tipo, a obra não deve substituir uma rotina de exercícios especial. Não vou fingir ser um especialista no assunto, mas creio existirem diferenças consideráveis no exercício domiciliar e virtual quando colocado em comparação com o feito ao ar livre e com apoio de profissionais da saúde. Dito isso, diria que está bem acima da maioria, auxiliando o jogador a se desvencilhar de hábitos sedentários enquanto propõe doses de divertimento. O modo cooperativo, por exemplo, é genuinamente engraçado, mas inviável em espaços pequenos (meu calcanhar que o diga após tanto tempo contra a parede).

    Prós

    • Exercícios Engajantes e exigentes;
    • Charme e música de Hatsune Miku;
    • Boa lista de rotinas diárias.

    Contras

    • Variedade restrita;
    • Os sensores não são tão sensíveis quando comparados a jogos no mercado atual.

    Nota

    8

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