Os bastidores dos estúdios que moldam os maiores sucessos da Big N
Quando pensamos em Nintendo, a imagem que vem à cabeça geralmente envolve os grandes ícones: Mario saltando por plataformas coloridas, Link explorando templos ancestrais, ou um grupo de Inkling dominando uma partida de Splatoon. Mas por trás desses jogos existe uma organização interna que nem sempre aparece nas notícias: os EPDs — Entertainment Planning & Development — os estúdios “secretos” da Big N.
Nesta matéria explicamos o que são os EPDs, quem são os nomes por trás deles, como funcionam as relações com estúdios externos e o que isso significa para o futuro das franquias — especialmente num momento em que a Nintendo já lançou o Switch 2 e segue trabalhando em novos títulos.
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Por que alguns estúdios da Nintendo são “secretos”?

A Nintendo é famosa por sua cultura de sigilo. Mesmo convidados e parceiros que visitam os prédios em Tóquio muitas vezes são recebidos apenas na entrada: as portas reais dos times de desenvolvimento permanecem fechadas. O motivo é simples e estratégico: evitar vazamentos e proteger projetos em andamento.
Mas “segredo” aqui não quer dizer desorganização. Pelo contrário: os EPDs são estruturas internas bem definidas que supervisionam criações internas e parcerias externas, garantindo que títulos feitos fora da Nintendo preservem o chamado DNA Nintendo — ou seja, a sensação, o polimento e a qualidade que a empresa exige.
Estrutura e liderança: quem manda nisso tudo?

Acima das EPDs existe uma governança clara. Shinya Takahashi é o nome mais citado como supervisor geral das divisões de desenvolvimento; sua função é coordenar estratégias e manter a coerência entre equipes. Outro rosto recorrente nas apresentações é Yoshiaki Koizumi, figura central nas Nintendo Directs e com histórico de produção em jogos de peso.
Vale também mencionar lendas da casa quando o assunto é história da Nintendo: Shigeru Miyamoto (pai de Mario e Zelda) continua sendo uma referência criativa, e pessoas como Satoru Iwata e Takashi Tezuka aparecem com frequência nas memórias e nos créditos da companhia.
Quem faz o quê: um mapa prático das EPDs numeradas
A Nintendo tem (ao menos) 10 EPDs numeradas, cada uma com funções e especialidades. Confira uma relação com informações que sabemos sobre algumas das EPDs e seus projetos:
EPD1 & EPD2 — Co-produção (agora unidas como Coproduction)

Historicamente EPD1 e EPD2 atuavam como divisões que prestavam suporte a desenvolvedores externos e a estúdios parceirizados. Em 2020 houve uma reorganização e boa parte das responsabilidades foi consolidada — daí o apelido que a comunidade deu: Coproduction.
Essas equipes ajudaram em títulos como Bayonetta, Astral Chain, Kirby Star Allies e várias entradas de Fire Emblem e Xenoblade. Seu trabalho tende a se concentrar tanto em estúdios japoneses próximos à Nintendo quanto em parceiros fora do Japão.
O que esperar deles: apoio contínuo a projetos third-party e supervisão em ports/colaborações (por exemplo, participações em Kirby Air Riders 2 e outros projetos em que a Nintendo atua como parceira criativa).
EPD3 — A casa de The Legend of Zelda

Quando falamos em Zelda, pensamos diretamente na EPD3. Essa divisão supervisiona a linha principal — de Breath of the Wild a Tears of the Kingdom — e gerencia remakes, ports e spin-offs relacionados ao universo de Zelda. O produtor mais associado à franquia é Eiji Aonuma.
Observação: a EPD3 é uma das poucas que atua quase que exclusivamente em uma franquia, assumindo o papel de guardiã criativa.
EPD4 — Laboratório experimental

A EPD4 é o laboratório de ideias inusitadas da Nintendo: Nintendo Labo, Game Builder Garage, Ring Fit Adventure e Switch Sports surgiram daqui. É um time que mistura inovação de produto com jogos e experiências interativas — e isso gera tanto sucessos massivos quanto apostas arriscadas.
EPD5 — Splatoon e Animal Crossing

Times centrais para os fenômenos sociais mais recentes da Nintendo. Nomes como Hisashi Nogami e Aya Kyogoku estão associados às franquias e às decisões de design que fizeram desses jogos enormes sucessos globais. A EPD5 continua trabalhando em spin-offs e em novas entradas principais.
EPD6 — Suporte a estúdios adquiridos e supervisionamento de remakes

A EPD6 é quem frequentemente supervisiona projetos de estúdios adquiridos pela Nintendo — como a Retro Studios e a Next Level Games — e cuida de remasterizações e ports. Ela também costuma ser chamada para zelar pelo DNA das franquias quando há transferências de propriedade ou terceirizações.
EPD7 — O time de Yoshio Sakamoto

Associada a nomes como Yoshio Sakamoto, essa divisão tem um histórico ligado a Metroid e a projetos que às vezes são co-desenvolvidos com parceiros externos (por exemplo, MercurySteam em Metroid Dread). A EPD7 também foi vista atuando em relançamentos e remakes de jogos cult.
EPD8 — Mario 3D e Donkey Kong

Responsável por experiências 3D como Super Mario Odyssey e por títulos do universo Donkey Kong. Nomes ligados a direções técnicas e artísticas importantes passaram por aqui, e a EPD8 é um dos estúdios mais valorizados quando se fala em grandes produções 3D da Nintendo.
EPD9 — Mario Kart (e Arms)

O estúdio por trás da franquia Mario Kart, um dos maiores system-sellers da história da Nintendo. Também desenvolveu Arms e permanece como peça-chave da estratégia multiplayer e de impacto comercial da empresa.
EPD10 — A casa de Takashi Tezuka (Mario 2D e Pikmin)

Com uma longa tradição que remonta às origens do Super Mario e Zelda, a EPD10 abriga nomes veteranos como Takashi Tezuka e é responsável por títulos 2D do universo Mario e por séries como Pikmin. É também um espaço onde diretores em ascensão aprendem com gerações anteriores.
Como os EPDs lidam com estúdios externos
Uma parte essencial do trabalho das EPDs é a co-produção: supervisionar, orientar e, quando necessário, intervir em projetos desenvolvidos por estúdios terceirizados. Exemplos claros são a atuação junto à Platinum Games (Astral Chain), MercurySteam (Metroid Dread) e a cooperação com estúdios internos-externos como a HAL Laboratory (histórica parceira nos jogos Kirby e outros projetos).

A lógica é preservar experiência e valores da marca. Quando a Nintendo contrata ou firma parceria, ela não está apenas entregando um logotipo: delega tarefas, mas mantém um time que zela pela visão do produto.
Por que às vezes uma franquia “some” por anos?
Muitos fãs estranham intervalos longos entre lançamentos — Metroid é o exemplo clássico, com décadas entre algumas entradas principais. A explicação frequentemente é prática: o estúdio que fazia determinado jogo deixou de operar ou mudou o foco, e a Nintendo precisa localizar, treinar ou reestruturar equipes para reassumir a franquia sem perder qualidade.

É um processo deliberado: a Big N prefere prazos maiores e um produto polido a lançamentos apressados que possam danificar a marca.
💡 Resumindo os principais pontos:
- EPDs são divisões internas, não estúdios externos: elas zelam pela visão criativa da Nintendo.
- Existem estúdios que supervisionam franquias específicas (por exemplo, EPD3 para Zelda; EPD9 para Mario Kart).
- A Nintendo colabora muito com terceiros, mas mantém equipes internas que supervisionam qualidade e identidade.
- Sigilo e hierarquia: visitas aos prédios da Nintendo não significam acesso aos times de desenvolvimento.
- Mudanças de estúdio explicam ausências longas de certas franquias no calendário de lançamentos.
O que isso significa para o Switch 2 e além?
Com o lançamento do Switch 2, a importância de estúdios internos que sabem traduzir a visão Nintendo para o novo hardware só aumentou. Alguns EPDs provavelmente lideram ajustes técnicos e supervisões de portabilidade, enquanto outros se concentram em tirar proveito das novas capacidades do console para reinventar franqui as tradicionais.
Além disso, a existência de EPDs focadas em co-produção acelera o pipeline: em vez de criar tudo do zero, a Nintendo pode confiar em parceiros enquanto mantém equipes internas de supervisão para garantir qualidade.
O segredo é organização, não mistério
Os chamados “estúdios secretos” da Nintendo são menos um enigma e mais um sinal de organização. Por trás do mistério há estruturas pensadas para proteger ideias, treinar talentos e manter um padrão: o DNA Nintendo.
Entender quem é quem entre as EPDs ajuda a decifrar rumores, a interpretar anúncios e a fazer apostas mais informadas sobre quais franquias devem aparecer em breve — seja um remake, um novo título principal ou uma parceria inesperada.
Se você gostou deste conteúdo, deixe nos comentários qual EPD você acha mais interessante — e qual franquia você quer ver voltar com força total no Switch 2.
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