Análise: Mixtape É Lindo Mas Depende de Identificação Pra Gostar

Mixtape tem feito barulho ao redor do mundo, tanto positivamente por seus personagens e direção de arte, quanto negativamente, com críticas à falta de gameplay. Afinal, como funciona esse jogo?
Com uma curta campanha de 3 horas, Mixtape de certa forma corresponde simultaneamente às críticas e aos elogios, sendo esse um daqueles jogos “ame ou odeie”, então, é importante entender onde você provavelmente estará nessa balança.

Enredo E Como o Jogo Funciona

Mixtape é a história sobre o último dia de Stacey em sua cidade Natal, com seus 2 melhores amigos. Ela parte no dia seguinte pra Nova York em busca de um trabalho como “consultora musical”, uma pessoa que escolhe a música perfeita pra cenas de TV, programas, séries, etc.
Nisso, ela preparou uma playlist para esse último dia especial e cada capítulo do jogo tem uma trilha sonora apresentado por ela, antes do capítulo em si começar.

É essencial comentar que a trilha sonora não é original, aqui temos músicas dos anos 80 pra baixo de bandas conhecidas ou nem tanto, mas que a protagonista escolhe como a trilha perfeita.
Dito isso, o enredo do jogo é muito mais sobre a relação do trio de melhores amigos, a decisão de partir e principalmente, relembrar as memórias que eles tem juntos.

Gameplay

O jogo é uma aventura narrativa. Passamos por cenários, como quartos dos personagens e achamos objetos que resgatam memórias. Essas memórias são acompanhadas de alguma interação do jogador, de simples à….muito simples rs
Algumas trazem interações mais presentes, como descer uma ladeira de skate, outras são simplesmente mexer o corpo dos personagens ouvindo música.

Fica claro que o gameplay de Mixtape é apenas um recurso de interatividade pra história. Não existe desafio, pontuação ou objetivos a se cumprir, apenas uma cena onde o jogador participa dela como bem quer sem se preocupar se está fazendo certo, ou se vai “ganhar ou perder”.

Isso porque o foco dessas cenas, jogáveis é outro…

Arte

Depois da história, o foco ainda é com certeza a arte do jogo. Essas cenas de gameplay são realmente cenas interativas, e nelas, o trabalho em direção de arte se mostra uma das melhores dos games. Cenários absurdos, fotografia impecável e tudo fica ainda mais impressionante ao lembrar que o jogador ainda tem algum controle sobre os personagens.

Para causar essa impressão, o jogo conta com gráficos de ponta, e no Nintendo Switch 2, é absurdo o que conseguiram. Tanto no modo dock quanto portátil, temos aqui um dos jogos mais impressionantes visualmente. Todos os cenários continuam lindos, e mesmo nas cenas mais “explosivas” a taxa de quadros por segundo se mantém frequente.

Isso torna Mixtape tranquilamente um dos jogos mais bonitos da plataforma, tanto pela ótima conversão quanto pela forte direção de arte. Se você quer ver um jogo bonito, aí está.

Conclusão

Mixtape é sem dúvidas um jogo muito, muito bem feito. A execução da sua proposta ficou impecável, mas, ela não é pra todo mundo.

Por conta de suas decisões, principalmente de gameplay, onde o “jogo” auxilia a cena mais do que o inverso, algumas pessoas certamente já não vão gostar dele aqui.
E mesmo em termos de história, ela depende de alguma conexão/identificação, afinal é uma história “adolescentes contra o mundo”, com todos os clichês que a acompanham: festas, álcool, perturbar diretor de escola, drama com pais rígidos, etc.

Entretanto, a máxima de que um jogo com propostas divisivas, quando encontra o seu público, marca como nenhum outro, e é por isso que muitos não devem achar Mixtape um jogo que vale a pena, mas quem achar que é, terá uma experiência memorável.

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