Análise: Pragmata É o Sci-Fi da Geração

Pragmata é uma preciosidade da Capcom, e talvez, até o momento, o melhor jogo sci-fi, (principalmente espacial) da geração!
Sendo uma nova IP, é difícil saber o que esperar do jogo em termos de estrutura, enredo, o tom do jogo (é cômico, ou sério, ou caótico, etc) e claro, a gameplay .
E a conclusão é que o jogo é ABSURDO, pois, de um lado você tem um combate inovador, que combina muito com a ideia de uma nova franquia, e que é realmente nova, mas além disso, o jogo se destaca por tomar o rumo OPOSTO do que os jogos espaciais tem proposto, tanto em estrutura, quanto mensagem.

E afinal, como essa jornada performou no Switch 2? Rodou bem?

O Que É:

Pragmata foi apresentado como uma nova franquia de alta aposta, e já com a temática sci-fi, algo envolvendo distorções de matéria, a temática da Lua, e a apresentação da dupla de protagonistas Hugh e Diana. De lá pra cá o jogo foi adiado e reformulado inúmeras vezes (ele seria lançado, originalmente em 2022!) tanto que as cenas desse primeiro trailer, não só não estão no jogo como sequer refletem exatamente o que ele é.

Após muito tempo, foi revelado a sua primeira carta: o combate. Ele envolve a cooperação entre a dupla, com a Diana HACKEANDO os inimigos se locomovendo por uma janela usando os botões ABYX, e após concluir o hack, Hugh entra com a parte de tiro e enfim, finaliza o inimigo. 
É extremamente difícil explicar esse combate, e por isso a demo do jogo foi muito necessária, mas é basicamente uma gameplay controlando 2 personagens ao mesmo tempo…ao mesmo tempo, porque a Diana fica nas costas do Hugh o tempo  todo.

E aí, é necessário esclarecer uma coisa: Pragmata É um jogo de AÇÃO! Você tem elementos de outros estilos, exploração, puzzles (menos do que poderia) e até plataforma de leve, mas o grande foco é em ficar mais forte pra superar hordas de inimigos mais fortes também. E com “mais forte”, é tanto pela parte shooter do Hugh, quanto a parte de hackeamento da Diana. Sim, esse é um novo tipo de shooter, um “hacking-shooter”(?) algo assim (e não, não é como Nier Automata). Se você joga a demo, lá você vai saber o que é o combate na base, e até o fim será aquilo, mas, mais desenvolvido. 

Mas se você NÃO GOSTOU do combate da demo, tipo, da proposta, embora Pragmata tenha uma ambientação que vale a pena, por mais que tenha um enredo marcante, uma dupla carismática, etc… não vai dar, infelizmente, Pragmata não será um jogo pra você.
Então, sim, estamos falando de um jogo INCRÍVEL, mas, que será divisivo.

Enredo:

Começando pelo enredo, sem spoilers, mas dizendo meio “qualé a do jogo?” (se você quiser descobrir sozinho e quer saber só da gameplay, pode pular pra sessão de gameplay aqui embaixo):
Hugh é um astronauta que é enviado pra uma estação na Lua que perdeu contato com a Terra. O grupo deles acredita ser algo como interferência na comunicação, algo simples, mas logo, o Hugh se vê em apuros e conhece a Diana, uma Pragmata. O que exatamente é uma Pragmata, é algo que o jogo vai desenvolver, portanto, spoiler. Mas por hora, entenda como uma Automata, robô com sentimentos e raciocínio.
Essa estação lunar cuida de uma nova tecnologia que usa um material usado na Lua, e essa tecnologia é como uma “super impressora 3D”, o que permitiu construir a própria estação e a Diana. Só que algo deu errado. Sabe quando a impressora imprime uma folha e sai tudo errado, com a tinta toda borrada, “bugada total”? Imagina isso em algo capaz de construir uma cidade…
Pra piorar, a IA que cuida da segurança está ordenando ataque. Então, o objetivo do Hugh é basicamente sobreviver e voltar pra Terra, e a Diana tá ali ajudando, sem um propósito específico, e ela encontrar um propósito faz parte da jornada.

O enredo do Pragmata é dividido em arquivos e gravações em vídeo dos tripulantes, que vão explicando o que aconteceu; e claro, cut scenes que narram o presente. Mas o jogo não é MUITO de história, no sentido de… não tem muita cut scene, e as que tem são curtas; não acontecem muitos eventos que tocam a história. Em termos de volume, são esses arquivos que fazem a gente ler mais, e a grande preocupação do jogo: diálogos da dupla.

Ao longo dos anos, vários jogos usaram o formato “um adulto e uma criança”: Last of Us, God of War, Eastward e até Donkey Kong Bananza. Só que nesses casos, o truque era meio que sempre o mesmo, de ver uma interação primeiramente descoordenada, e com o tempo, o mais velho, -representando o jogador-, vai se apegando ao mais novo.
Não que Pragmata não tenha isso, mas, o truque aqui é outro: a interação de um humano, com um robô.  O que torna Pragmata marcante e diferente dos outros jogos é como o Hugh vai apresentando a vida na Terra pra Diana, os prazeres humanos. E isso é muito corajoso: é um jogo espacial, sci-fi, que te mostra as belezas não do espaço, mas do lugar que a gente sempre esteve.

Tem um tipo de base, que a gente sempre volta (e já falamos mais dela), e lá você pode ter conversas extras com a Diana, opcionais. Eis a dica: tenha todas possíveis. Muito do brilho narrativo do jogo está lá.

Gameplay:

Agora, detalhando melhor a gameplay, o Pragmata mostra DE NOVO sua escolha de ir na contra-mão do esperado. Jogos espaciais tem sido cada vez mais sobre “conquistar o infinito”, com mundos abertos cada vez maiores, viagens interplanetárias, galáxia nova, dimensão nova… é sempre sobre “a imensidão”.

Pragmata não quer nada disso. Ele é um quase retrô jogo de fases, com começo, pedaços muito bem segmentados, onde lá sim tem um pouco mais de “vai e vem”, e um final claro com um chefe ao fim. Essas fases não são super abertas, tem sempre paredes ao seu redor, e sim, elas contam com muita exploração, mas no sentido de “olhar todos os cantos”, e não sair por aí procurando. Em geral, as fases tem plataformas, portas, buracos, etc, que podem passar despercebidas, mas ao ver, você acha um item. Então tem sim muito o que explorar nessas fases, mas não é sobre áreas grandes, e sim, busca por segredos em fases com corredores.

Existe uma base, chamada de “Abrigo”, e sempre que achamos um checkpoint, podemos ir pra lá (e na verdade, só lá podemos salvar). No abrigo, temos diversas melhorias, seja pros personagens, ou pras armas e itens. Lá, vemos colecionáveis, aceitamos desafios de treino e muito mais. O jogo exige que você colete itens pra ficar mais forte, é muito, muito, muito difícil de só andar reto e nunca parar por lá e dar “aquela upada”.

Esses desafios do abrigo são missões secundárias, bem arcade mesmo, algumas duram 1 minuto e meio, alguns de velocidade duram 30 segundos. E tem de tudo: plataforma, combate, velocidade de hackeamento… são muitos desafios, e todos eles tem 3 recompensas, então, é bom pra quando você precisa de recursos, mas não quer voltar nas fases anteriores pra explorar um lugar que já explorou mas ainda falta algum baú perdido.

No abrigo, recuperamos vida, mudamos nosso equipamento e podemos teleportar pra qualquer ponto salvo de qualquer fase, então, não precisa se preocupa em “vasculhar tudo porque nunca mais você volta ali”, aqui não tem isso. Pelo contrário, o jogo te incentiva a voltar nos trechos que você não completou 100%, e algumas áreas até estão bloqueadas por habilidades aprendidas depois (não como um metroidvania, é só uma área extra com algum item). 

E uma das áreas que você mais “vai deixar pra depois” são as salas vermelhas. Primeiro porque você precisa de uma chave vermelha, que nem sempre você tem, mas, quando tem, o jogo avisa que lá tem um grupo de inimigos mais desafiador que o normal. Dá pra passar assim que você chega, não é nada TÃO ACIMA, mas, realmente, o são locais desafiadores.

Essas salas reforçam que o jogo é realmente de ação. O jogo é do começo ao fim cheio de combates, e mesmo não tendo TANTOS tipos de inimigos, cada um é muito único, e só do jogo ir mesclando “inimigo A+B, agora B+C, agora A+C” já muda a dinâmica. E todo inimigo exige que você pare, mire, hackeie e dê pelo menos 3 tiros, não tem inimigos banais que você vence só apertando botão sem rumo. 
Tanto a parte de combate do Hugh quanto da Diana se desenvolvem, ofensivamente e defensivamente, então, é bem impressionante, porque da parte do Hugh, é um shooter comum: mais tipos de armas, aumenta dano, aumenta munição, etc… mas a parte da Diana também ganha suas melhorias e efeitos inimigos que atrapalham o processo.

Polêmicas:

Novamente, Pragmata é um jogo de fases, que são, na verdade pequenas, mas que você não avança muito sem parar pra combater, sem uma parede bloqueada por um dispositivo que tá lá do outro lado, ou pra ficar procurando itens.
Só que não são muitas fases…. então, aqui vai outra característica divisiva: Pragmata é um jogo “curto com recheios”. O que faz o jogo se alongar é a exploração, seu desejo de fazer 100% nas fases, melhorar atributos, os desafios do abrigo… mesmo assim, a conclusão da campanha fica em torno de 12 a 16 horas, talvez 20h pros que quiserem terminar já com os 100% nas fases, com os principais atributos e itens no máximo, e os desafios cumpridos. Novamente, Pragmata não é sobre uma “jornada ao infinito”, ele é um jogo fechado, e que honestamente, termina quando tem que terminar: você já entendeu uma porção do que rolou no passado, já enfrentou os inimigos nas mais diversas combinações e números possíveis… é isso, ele não vai te enrolar.

Após a campanha, existe um conteúdo pós-game sim, então, ele rende aí umas 30 horas ou até mais pra quem for completar as conquistas.
Honestamente, o grande problema de ter poucas fases, acaba sendo que ele tem poucos CHEFES. O jogo compensa isso com momentos intensos contra inimigos comuns, não falta desafio, mas… aquela batalha mais trabalhada, “1×1”, acabam sendo poucas.

E a outra polêmica…bom, mais previsível, mas ainda pode ser decepcionante, é que o Switch 2 dá uma sofrida pra rodar o jogo em 60 quadros por segundo em alguns momentos mais caóticos. Principalmente no portátil, tem momentos mais críticos por afetar o visual também.  Dá pra jogar no portátil, mas na dock o jogo é muito mais bonito.
Já na performance, nem a dock salva. Olha, o Resident Evil Requiem foi lançado com problemas também, e hoje já está melhor, mas, o Pragmata é até mais inconsistente.
Não é nada que quem viveu na era Switch 1 não esteja mais do que acostumado, ou quem joga no SteamDeck, por exemplo. Mas se você tem 2 plataformas e só joga no Switch 2 quando não deixa a desejar…infelizmente esse aqui não é o caso.
Pelo menos esse é o estado da versão anterior ao lançamento, caso melhorias apareçam, a análise será atualizada.
Esses problemas impedem o jogo de ser incrível? Não, mas, é importante separar um momento pra falar disso.

De resto, Pragmata é só elogio: o sound design é ótimo, a trilha sonora tem identidade, a ambientação é inacreditável, e a localização aqui é absurda, tanto na localização dos termos e textos, mas também na dublagem (embora…é um pouco “monstro” dizer isso, mas algumas pessoas podem não gostar muito da dublagem brasileira de menina de 8 anos da Diana, e nesse caso, dá pra mudar pra inglês no menu inicial também).

Conclusão:

Pragmata é exatamente o tipo de jogo que a indústria anda evitando fazer. Ele não tenta ser gigante, não tenta ser infinito, não tenta agradar todo mundo… e justamente por isso, ele acerta onde muita coisa maior falha.

Pragmata segue uma tendência de não ser um jogo pra todos, seja pelo seu combate único, que exige prestar atenção em duas coisas ao mesmo tempo; seja pela duração da sua campanha de 12 a 16 horas; ou pelo seu formato mais linear, com combates precisos, diálogos preciosos em vez de trazer uma “imensidão”.
Mas quem se identificar com a proposta dele…vai amar esse jogo.

Muito além de mais um jogo de adulto cuidando de criança, Pragmata lança na sua melhor época, onde o mundo real está discutindo sobre IAs, robôs fazendo funções de humanos, e a tecnologia tem tomado a atenção do melhor mundo já criado: o nosso.

Nota Técnica: 8,5/10 

Tier Da Experiência Pessoal e Nível de Recomendação:  S+ – Supremo

É um jogo que vem pra brigar com Pokopia e Resident Evil Requiem pelo prêmio de melhor jogo do ano, se sentando com outros clássicos sci-fi dos games.

Certamente, mesmo sendo uma franquia nova, Pragmata vai entrar pro ranking de favoritos da Capcom de muita gente. QUE COMEÇO Hugh e Diana tiveram!

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *